Passei a tarde de ontem à volta de caixotes com livros. Estou a selecionar mais algumas largas dezenas que, no final desta semana, irão engrossar o fundo bibliográfico que, desde há uns anos, vou alimentando na Biblioteca Municipal da minha terra, Vila Real.
Abrir caixotes e carregar livros (deixo de parte alguns que espero vir a reler e outros que tenciono ler ainda pela primeira vez) é uma tarefa pesada, que obriga a posturas físicas com as naturais consequências lombares. Saí um pouco moído daquelas mais de duas horas de forçado exercício. E, naturalmente, com a minha coluna a queixar-se, num silêncio doloroso.
A um amigo que entretanto me telefonou contei isso mesmo. Respondeu-me: "Viste o que o Rutte disse à CNN, depois do encontro com o Trump? Aquele tipo é que tem sorte! Não tem coluna vertebral".
Não vi a entrevista de Mark Rutte à CNN. Não me apetece deparar com o sorriso plástico daquele regular bajulador de Trump, uma das figuras mais deprimentes da vida política transatlântica. Que a NATO tenha escolhido uma figura daquele jaez para seu secretário-geral diz bastante do estado a que chegou a organização.
O meu amigo tem razão: Rutte não tem coluna vertebral. E Trump sabe isso bem.
