Estou de férias numa zona de praia. Um pouco por todo o lado, mais do que em anos anteriores, quando falo com responsáveis pelos restaurantes, ouço sempre queixas de falta de pessoal para o serviço de restauração. Já nem é pessoal qualificado, parece ser pessoal "tout court". Será que isso se deve, como é voz corrente, às baixas remunerações que são oferecidas? Não sei, mas admito que possa ser isso. Sinto que a qualidade média do serviço que é prestado nos restaurantes mais caros baixou de forma sensível, tendo como termo de comparação anos anteriores. Nos restaurantes de qualidade inferior a diferença não é tão sensível, talvez porque as expetativas não são já muito elevadas. Pode ser uma perceção caricatural da minha parte, mas fico também com a ideia de que, na maioria das unidades de restauração, neste mercado que dura apenas alguns meses, está criada uma espécie de hierarquia funcional: os portugueses chefiam, por regra, os brasileiros, com os empregados de outras nacionalidades a cumprirem, quase sempre, funções abaixo ou sob o controlo destes. Aliás, os brasileiros são, a uma grande distância, na perspetiva do regular cliente de restaurantes que sou, o que vai salvando, pela sua simpatia, a qualidade do serviço que nos é prestado - mesmo se comparados com os empregados portugueses. E alguns patrões já perceberam isso, atribuindo-lhes crescentes responsabilidades. Os empregados de outras nacionalidades têm maior dificuldade em ultrapassar o desconhecimento das subtilezas da língua portuguesa e isso condiciona-os bastante, não obstante o visível esforço que a maioria faz para estar à altura das tarefas. Em geral, é patente uma grande debilidade na formação profissional para as funções executadas, uma falta de maturidade no "métier", área em que também não se salvam muitos empregados portugueses. Como consumidor, mesmo pagando caro, sinto que há um visível declínio no serviço prestado pelo pessoal na restauração, em zonas de alta intensidade e de exigência turística. Dito isto, fica uma boa notícia: salva-se a comida, cuja qualidade, nos locais mais caros, não me parece ter baixado de qualidade.
