quarta-feira, novembro 29, 2023

O livro


"Era Lisboa e chovia", foi o título de um livro escrito por um colega e amigo brasileiro, que há muito já se foi. Lembrei-me dele ontem.

O final da tarde de ontem mostrava uma Lisboa molhada, com um trânsito infernal, quase em risco de parar. Cheguei irritado à Gulbenkian: o meu carro não tinha "pegado" e eu tinha sido obrigado a "pegar" um táxi. 

"Com um fim de tarde assim, há muita gente que não vem", ouvi, ao lado, de uma voz resignada. Se calhar, tem razão, pensei.

Acrescia que a data para a apresentação do meu livro, "Antes que me esqueça", tinha sido mudada de 27 para 28 e, por esse ou por outro motivo, havia recebido, nos últimos dias, dezenas (não estou a exagerar, foram dezenas!) de mensagens de amigos, lamentando não poderem comparecer. Em Lisboa, na tarde de ontem, "choviam" eventos a atrair pessoas. (A um deles, até eu gostaria de ter ido!)

"Vai ser muito difícil encher a sala. O Auditório 2 é imenso", repetia a modéstia de alguém, sempre ao meu lado. Se eu fosse católico, teria pensado: "Seja o que deus quiser!". Como não sou, disse, de mim para mim: "O que for, soará! Logo se verá!"

Viu-se. O Auditório 2 encheu-se, por completo. Houve mesmo pessoas que, infelizmente, tiveram de ficar a pé, para ouvir as magníficas e amigas apresentações do Jaime Nogueira Pinto e do José Ferreira Fernandes e, no final, ainda tiveram paciência para me ouvir. 

Depois, foi uma hora muito agradável de assinatura de muitos livros. Até que a Gulbenkian acabou por fechar, já depois das nove horas da noite. E continuava a chover! 

Se, por uma hipótese teórica, as largas dezenas de amigos que foram obrigados a faltar, devido a uma multiplicidade de razões, afinal tivessem acabado por aparecer, teria sido muito agradável, mas teria sido o bom e o bonito! Desta forma, tudo acabou mais do que em bem. 

Há muitos anos, tive um embaixador que, no termo de qualquer evento que justificasse uma mobilização, tinha, no final, uma frase clássica, de satisfação assumida: "Mais uma lebre corrida!". Foi assim, ontem! 

Muito obrigado a quantos "fizeram" o meu dia. Agora, só espero, muito sinceramente, que apreciem o livro!

("Roubei" a fotografia ao Gilson)

5 comentários:

lurdes alexandre disse...

Com muita pena não consegui estar neste seu lançamento. Vou compensar-me lendo-o.
Gostava de ter ido, muito, pelo que conheço das suas obras e porque sou uma vilarealense também.

Lurdes Alexandre

Rui Mesquita Branco disse...

Quando regressar, de hoje a um mês, irei, antes que me esqueça, a uma livraria perto de mim. Depois, no remanso do lar, lê-lo, enquanto recupero do jet leg mas, sempre com atenção aos direitolas que, sob a égide do PR ( … que agora, “quer ver como o povo lê” … o que for, soará! Logo se verá se não terá mais uma surpresa ) e com os paus mandados de serviço, já vão atirando por tudo quanto é lado.

manuel campos disse...


O Auditório 2 tem 334 lugares sentados.
Em pé lá caberá sempre mais um (ou os que forem).

Mas não é mau de todo imaginar o copo meio vazio e afinal verificar que não só está cheio como até transborda um bocado, antes assim.

E parabéns, claro.

carlos cardoso disse...

Estive mais de uma hora no trânsito para lá chegar mas valeu a pena! Parabéns ao nosso anfitrião.

Flor disse...

Ainda bem que a sala se encheu. Imagino que deve ser horrível estar a apresentar uma obra em uma sala grande e aparecer pouca gente. Felizmente que ainda há quem não tenha medo da chuva e possa honrar os compromissos.

Hélder

Hélder Macedo é uma grande figura da cultura portuguesa. Fixou-se em Londres há seis décadas e aí construiu uma notável carreira académica, ...