"Era Lisboa e chovia", foi o título de um livro escrito por um colega e amigo brasileiro, que há muito já se foi. Lembrei-me dele ontem.
O final da tarde de ontem mostrava uma Lisboa molhada, com um trânsito infernal, quase em risco de parar. Cheguei irritado à Gulbenkian: o meu carro não tinha "pegado" e eu tinha sido obrigado a "pegar" um táxi.
"Com um fim de tarde assim, há muita gente que não vem", ouvi, ao lado, de uma voz resignada. Se calhar, tem razão, pensei.
Acrescia que a data para a apresentação do meu livro, "Antes que me esqueça", tinha sido mudada de 27 para 28 e, por esse ou por outro motivo, havia recebido, nos últimos dias, dezenas (não estou a exagerar, foram dezenas!) de mensagens de amigos, lamentando não poderem comparecer. Em Lisboa, na tarde de ontem, "choviam" eventos a atrair pessoas. (A um deles, até eu gostaria de ter ido!)
"Vai ser muito difícil encher a sala. O Auditório 2 é imenso", repetia a modéstia de alguém, sempre ao meu lado. Se eu fosse católico, teria pensado: "Seja o que deus quiser!". Como não sou, disse, de mim para mim: "O que for, soará! Logo se verá!"
Viu-se. O Auditório 2 encheu-se, por completo. Houve mesmo pessoas que, infelizmente, tiveram de ficar a pé, para ouvir as magníficas e amigas apresentações do Jaime Nogueira Pinto e do José Ferreira Fernandes e, no final, ainda tiveram paciência para me ouvir.
Depois, foi uma hora muito agradável de assinatura de muitos livros. Até que a Gulbenkian acabou por fechar, já depois das nove horas da noite. E continuava a chover!
Se, por uma hipótese teórica, as largas dezenas de amigos que foram obrigados a faltar, devido a uma multiplicidade de razões, afinal tivessem acabado por aparecer, teria sido muito agradável, mas teria sido o bom e o bonito! Desta forma, tudo acabou mais do que em bem.
Há muitos anos, tive um embaixador que, no termo de qualquer evento que justificasse uma mobilização, tinha, no final, uma frase clássica, de satisfação assumida: "Mais uma lebre corrida!". Foi assim, ontem!
Muito obrigado a quantos "fizeram" o meu dia. Agora, só espero, muito sinceramente, que apreciem o livro!
("Roubei" a fotografia ao Gilson)
