Ontem, numa conversa entre amigos e conhecidos, veio à baila a questão do celibato dos padres. Com os agora revelados escândalos, em que certos setores da igreja católica têm andado envolvidos, da pedofilia a outros abusos sexuais, quiçá também potenciados pelos ambientes pouco naturais, face à natureza humana, em que a vida sacerdotal se processa, o sentido das coisas parece apontar, a prazo, para a necessidade do quotidiano dos sacerdotes poder vir a evoluir para uma maior similitude com a dos cidadãos comuns, como, aliás, já acontece em outros sistemas religiosos.
A generalidade das pessoas presentes na conversa, com a minha exceção todas católicas, que se desenrolava num registo ligeiro, pareciam partilhar um relativo consenso sobre a inevitabilidade dessa futura dinâmica familiar dos sacerdotes.
Até que eu, que sou “de outra freguesia”, lancei uma questão: “E depois, como é? Durante os conclaves em Roma, as mulheres dos cardeais vão fazer compras para o Corso? E a mulher do papa? Vai com elas?”
Senti que o consenso que até então se desenhava face ao fim do celibato sacerdotal sofreu alguma fragilização perante aquele meu atrevido cenário social futuro...