quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Pantaleão


O leitor deste espaço há-de convir que não se encontra um Pantaleão por dá-cá-aquela-palha, em cada esquina da vida. Eu nunca tinha encontrado nenhum. Mas há pouco, cruzei-me com um Pantaleão, precisamente numa esquina: era angolano, da Huíla, e condutor do Uber que eu tinha chamado. Está por cá há sete meses. Inquiri de onde lhe vinha o nome: era de um avô. Não, o Pantaleão não era preto (como o leitor poderia suspeitar), era branco e o avô era da Madeira (por cá, há Pantaleões na Madeira e em Gondomar, fiquei a saber, porque ele me disse).

Perguntei-lhe se tinha lido o livro de Vargas Llosa, "Pantaleão e as visitadoras". Nunca tinha ouvido falar. Disse-lhe para o ler. Malandro (com a permissão dos leitores deste casto blogue), acrescentei, para o estimular: "Mete tropa e muitas gajas ..." O nosso Pantaleão ficou entusiasmado. No fim da viagem, tomou nota, por escrito. Disse-me que vai comprar o livro.

Se acaso de outro tipo de pessoa se tratasse o Pantaleão com que hoje me deparei, e se esse outro já tivesse lido, quanto mais não fosse por curiosidade onomástica, a saborosa novela de Vargas Llosa, então talvez tivesse valido a pena eu ter-lhe revelado, se o não soubesse, que é dedicado a São Pantaleão (na imagem) um dos belos mosteiros no monte Athos, na Grécia - um lugar que faz parte de algumas das já muito escassas coisas que integram a minha agenda de curiosidade pendente, para usufruto ainda neste "vale de lágrimas", tal como livros, vitualhas, copos, viagens e outros prazeres lúdicos (eu escrevi lúdicos, não lúbricos!) que acho que ainda valerá a pena ver, consumir ou experimentar, antes que as pilhas acabem.

Enfim, fiquei hoje a saber que, em Lisboa, até há Pantaleões. Isto é que é uma cidade cosmopolita!

6 comentários:

Anónimo disse...

Ó senhor, se quer meter conversa com os motoristas, apanhe um táxi!
Não estrague o serviço às pessoas finas, por favor.

Anónimo disse...

muito bom


oh anonimo das 9h50 o que vexa parece ter escrito foi um mote !!

"Ó senhor, se quer meter conversa com os motoristas, apanhe um táxi!
Não estrague o serviço às pessoas finas, por favor.

Pantaleão perdeu a Fefa não ha mal que lhe apareça
No taxi etcetc um senhor doutor
Lisboa etcetc
'Ó senhor veja so
ha dois meses ca cheguei'
etcetc
aiué


Henrique Sousa de Azevedo disse...

Senhor Embaixador,

Os estudiosos da genealogia deparam-se, por vezes, com nomes como Pantaleão, Hipólito e Ventura, entre outros, sobretudo em indivíduos nascidos no final do século XVII/início do século XVIII.

Com os melhores cumprimentos,

Henrique Souza de Azevedo

Anónimo disse...

Que eficiência . Até dói...

dor em baixa disse...

Houve em Portugal um famoso, Frei Pantaleão de Aveiro, que escreveu em 1591 o "Itinerário da Terra Santa". Soube da sua existência quando Fernando Campos, inspirado na figura e na obra, publicou nos anos 80 a "A Casa do Pó".
Sr. Embaixador, se me permite, quando for ao Monte Athos reserve um pouco de tempo e viaje até à cidade de Kalambaka onde poderá ver também os magníficos mosteiros de Meteora.

alvaro silva disse...

E padroeiro da cidade do Porto