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quinta-feira, março 05, 2026

António Lobo Antunes


Morreu António Lobo Antunes, um dos escritores maiores da língua portuguesa. Seu leitor desde o primeiro livro, só o vim a conhecer pessoalmente quando vivi em Paris, cidade onde ele era admirado, estudado e muito divulgado. Tive-o então por diversas vezes na embaixada, jantámos em algumas ocasiões, charlámos em público outras. Tal como eu, admirava muito Melo Antunes, que cruzara na guerra colonial e de que fora um amigo muito próximo. Na relação social, António Lobo Antunes tinha, em permanência, a atitude que os franceses qualificam de "nonchalant", que desarmava os interlocutores e os deixava na dúvida sobre a importância que realmente dava às conversas. Era um homem brilhante, com tiradas magníficas, como brilhante era a sua escrita, da crónica ao romance, através da qual mantinha uma espécie de eterna guerrilha virtual com José Saramago, que se lhe terá adiantado no Nobel da Literatura por que visivelmente ansiava, embora o não quisesse admitir. A última vez que falámos foi, já há anos, na tarde de um sábado, na livraria Ler, em Campo de Ourique. Felicitei-o pelo anúncio de que a Gallimard tinha decidido incluir a sua obra na prestigiada coleção Pléiade. Era uma extraordinária consagração e ele estava compreensivelmente feliz. O Nobel veio à conversa. Deixo um abraço de pesar aos meus amigos e seus irmãos Miguel e Manuel.

António Lobo Antunes

Morreu António Lobo Antunes, um dos escritores maiores da língua portuguesa. Seu leitor desde o primeiro livro, só o vim a conhecer pessoalm...