quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Lula


É uma tristeza que a justiça brasileira se tenha prestado a uma evidente instrumentalização política, ao serviço objetivo de um certo Brasil, acelerando artificialmente os seus procedimentos, com a finalidade de evitar que Lula viesse a ser candidato e, muito provavelmente, o futuro presidente eleito do Brasil. 

É uma tristeza que um homem como Luiz Inácio Lula da Silva, que devolveu a esperança a milhões de brasileiros, muitos dos quais tirou da fome e da miséria, se tivesse deixado enredar em práticas e comportamentos que o deixaram à margem da exigência ética que a sua história pessoal e política requereria.

É tudo uma imensa tristeza.

38 comentários:

take direto disse...

é impressionante.

NG disse...

A mim o que me entristece mais é ver um dos mais lúcidos e activos intelectuais políticos portugueses despachar com meia dúzia de linhas inócuas uma das maiores atrocidades jurídicas, uma das maiores agressões à democracia e uma dos maiores exemplos de degradação das instituições do nosso tempo. Se o Sr. Embaixador sabe de provas de algum crime que Lula da Silva tenha feito que justifica esta perseguição apresente-as, por favor, ao menos para nos aliviar desta tristeza.

NG disse...

O dia de hoje proporciona uma oportunidade rara para o cidadão interessado julgar a exigencia, a inteligência e o carácter cívicos das pessoas que o rodeiam. Hoje podemos ficar a saber quem ainda se interessa por um discurso racional e lógico para decifrar um processo justo em democracia e quem apenas alinha em romances que satisfazem os instintos primários da sua tribo. A maldade de Moro e seus comparsas ressuscitou um cadáver político e fez descobrir nos homens que acreditam numa sociedade livre e justa, onde a lei obedece à razão e não aos interesses de quem a administra, um glorioso exemplo de bravura e luta para a alcançar. Tem tragédia, mas há alguma felicidade em poder conviver no tempo com um vulto da história desta grandeza.

Anónimo disse...

Assino por baixo, o comentário de NG.

MRocha

Luís Lavoura disse...

Portanto, o Francisco diz que Lula se enredou em práticas pouco éticas. Admitamos que é verdade. Mas: Lula cometeu algum crime? É isso que está em discussão.
Porque, as práticas pouco éticas debatem-se no campo político. Muitos políticos tiveram práticas pouco éticas, as quais podem ser exploradas pelos seus adversários.
Mas aquilo que interessa agora são os crimes que Lula alegadamente cometeu. Alegadamente cometeu muitos. Mas parece que a justiça brasileira não conseguiu provar que ele tenha cometido nenhum.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

NG: não é o nosso Embaixador que tem de aparesentar provas do alegados crimes cometidos por Lula. É a Justiça brasileira. E pelos vistos, para tristeza de muitos, onde me incluo, apresentaou-as. Por isso foi condenadoa em 1ª instância. Aguardamos a decisão do Tribunal de Apelação.

Junior will disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Mas...
A justiça hoje já não é cega como antigamente? Voltou a ser uma Inquisição como tantos quiseram mostrar os seus métodos? Ou seja os juízes têem a vida e o crédito de boa-fé da população. Já não nececitam de dar provas de crimes.
Isto está apenas mais perigoso para quem anda à solta e sem receios porque detém o poder.

Unknown disse...

Os desembargadores deixaram claro que receber ou não receber ou ter prometido o triplex, praticamente, não vêm ao caso. O “fundamento” é o facto de Lula ter sido presidente e indicado – como todos os presidentes – diretores da Petrobras a partir de indicações políticas, portanto, ser o responsável pelos esquemas de corrupção envolvendo partidos e políticos na empresa.

Como diz o professor de Direito Processual Afrânio Silva Jardim, o...

” (…) relator e o revisor estão condenando o Lula pela corrupção dos directores da Petrobrás. Absurdo e total falta de técnica jurídica. Voltam a falar na “teoria do domínio final do facto” e em dolo direto, afirmando que o ex-presidente Lula concorreu realmente para os crimes de corrupção na Petrobrás. Mas este não é o objecto da acusação! Este não é o objecto deste processo! Estou perplexo com tudo isso !!!

De facto, o objeto do processo é o recebimento ou aceitação do triplex, que, na suas visões, são provados por ele ter sido visitado, por Marisa Letícia (falecida esposa) não ter desistido antes das suas quotas condominiais, por reformas que só os delactores – descritos não como delactores – dizem que foram solicitadas pelo ex-presidente ou sua mulher.

Os desembargadores completam a missão desde o início traçada pelos fanáticos de Curitiba e pela mídia: afastar Lula do cenário político, esbulhar o povo brasileiro do direito de votar livremente. Não somos todos Sérgio Moro mas, na prática, os juízes o são. Nós é que somos tolos em imaginar que juízes são Justiça. Não, são um poder, o Judiciário, coisas que não se confundem mais.

O autoritarismo deles, o poder deles sem freios e o espúrio corporativismo tornam-os, hoje, os donos e governantes do Brasil, com a “vantagem” de, ao contrário dos que formalmente exercem o governo, cassam e prendem quem bem quiserem.

É bom que leiam o livro “A era dos direitos”, do filósofo e historiador italiano proto-fascista Norberto Bobbio, segundo o qual, na transição entre os séculos XX e XXI, o mundo passou a viver a era dos direitos, com o Poder Judiciário assumindo papel fundamental. Nele é lembrado que o século XIX, com o triunfo das revoluções liberais, foi o século do Poder Legislativo. Já no século XX, em função das revoluções e das guerras, o Poder Executivo se tornou o mais apto a enfrentar os grandes desafios da época. “Mas o século XXI é o século do Poder Judiciário”, assinala-se no livro. É esta vontade que está a ser imposta como um tsunami em todo o mundo e, no Brasil, está a ter êxito. Basta ter visto que o STF deu cobertura ao impeachment de Dilma sem provas de crime fiscal.

NG disse...

Manuel Edmundo-Filho, se a justiça brasileira tivesse provas de algum crime que Lula tivesse cometido já as tinha apresentado. Não andava a enrolar com malabarismos jurídicos tipo "domínio do afacto", "actos indeterminados", a extorquir declarações de condenados sob tortura, a querer atribuir a posse de uma apartamento penhorado a outrém, para justificar a sua arbitrariedade. Mais ainda do que a condenação de Lula, o que agride o coração de qualquer pessoa séria e justa é o cinismo e desfaçatez com que os juízes de Curitiba e Porto Alegre tentam justificar as suas decisões. Estão aí as sentenças e os documentos de defesa para a história julgar.

Reaça disse...

Como o Brasil era feliz com o último General ditador a anunciar o fim da ditadura.

Ernesto Geisel.

O que é bom não dura sempre, mas o que é mau, parece não ter fim, naquela terra, abençoada por Deus.

José Neves disse...

Entristece é a falta de coragem de quem perante uma aberração jurídica e um atentado contra a democracia precisa de escrever um texto sonso a fazer a bissectriz. Denunciar este processo como um atentado à democracia e ao estado de direito não faz de mim cúmplice de Lula e dos seus actos, sejam eles ilegais ou não. A aberração jurídica chega ao ponto de hoje um dos juízes desembargadores ter afirmado (eu ouvi) que uma delação premiada é uma prova de valor igual à de uma prova material e não poder ser desvalorizada como meio principal de prova só porque o delator, em troca, tenha obtido uma redução de pena e liberdade por isso. Afirmar que a propriedade do apartamento é sem margem para dúvida de Lula, porque este o visitou uma vez em companhia de sua mulher, cogitou a sua compra com a construtora e que esta chegou a sugerir algumas reformas. Estou convicto - tal como escreveu o The New York Times ontem em editorial - que este infame processo atirou com a reputação internacional do Brasil pelo abismo.

josé neves disse...

O Senhor embaixador deixou-se levar pela tese de culpa moral, como tantos fazem por cá em processo semelhante, de que Lula "se pôs a jeito".
Uma tese do sacanismo político.

Luís Lavoura disse...

Manuel do Edmundo-Filho, você é muito ingénuo se acredita que a Justiça brasileira, lá porque condenou, é porque provou os crimes.
A Justiça brasileira não provou absolutamente nada. A Justiça brasileira foi ao ponto de se queixar que o problema foi que Lula não conseguiu demonstrar a sua inocência! Como se fosse aos acusados que competisse demonstrarem que a acusação é falsa...

Luís Lavoura disse...

uma delação premiada é uma prova de valor igual à de uma prova material

Uma delação (tal como uma confissão), premiada ou não premiada, não é prova de nada.

Foi por delações, não premiadas, que tantos cristãos-novos portugueses foram condenados à fogueira...

A delação é, não raras vezes, o mero produto da inveja, do ódio, do despeito.

NG disse...

Para entender esta monstruosidade jurídica, ouçamos um dos mais ferozes inimigos políticos do PT e de Lula nas últimas décadas, o jornalista Reinaldo Azevedo:

http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/o-e-da-coisa-o-pt-ajudou-a-fechar-minha-revista-a-lava-jato-me-roubou-2-empregos-mas-o-publico-merece-pensamento-nao-rancor/

NG disse...

Luis Lavoura,

Elementos da justiça brasileira utilizam as delações de réus presos torturados com o aceno de liberdade se as declaraçoes que produzem servirem determinados interesses políticos e prende cidadãos que expontanea e livremente produzem delações que não estão de acordo com esses interesses. O que se passa é pavoroso. Mas apavora mais ainda a indiferença cínica com que o resto do mundo assiste a esta barbaridade. Julgava existirem mais bravos interessados em defender os valores da Democracia e do Estado de Direito no Ocidente.

Anónimo disse...

ó embaixador, tristeza é o senhor e outras pessoas prestarem-se ao ridiculo de defenderem certas pessoas. O senhor que ainda por cima lá foi embaixador e eu que já por lá vivi e trabalhei mais que uma vez, sabe muito bem que desde o Mensalão que Lula para mim estava implicado até aos ossos. Engraçado, que como sabe o próprio Lula até já disse públicamente que a culpa de tudo isto era da Dilma, os ratos piram-se do porão rápido.Olhe embaixador, muito mal vai o Brasil quando tem como candidatos um corrupto já condenado em duas instâncias e nesta segunda com pena agravada e o outro um fachista como é o Bolsonaro. Não confunda as boas janataras que poderá ter tido com o Lula por lá , com aquilo que são os fortissimos indicos de que ele está acusado. Deixe lá a clubite partidária de lado. Sabe eu sou de esquerda, mas nunca de uma esquerda que se guindou na corrupção e no assalto puro e duro. Sou de uma esquerda que não tenta utilizar os analfabetos e ignorantes com cestas básicas para ter votos. Sou da esquerda que quer uma sociedade limpa, uma sociedade que aposte na educação e conhecimento das pessoas, não numa esquerda que se senta constantemente á mesa de capitalistas e gatunos para se aproveitar de benesses destes, prejudicando assim todo um país e população. Lula, que eud ei o beneficio da duvida até ao Mensalão, nunca foi própriamente um personagem que eu visse com bons olhos, mas foi muito pior do que aquilo que eu estava á espera.

Anónimo disse...

Para quê ter Tump quando se pode ter Temer?

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Luís Lavoura, a Justiça brasileira apresentou provas que julgou suficientes para condenar Lula. E já o fez por duas vezesm em instâncias diferentes. Outra coisa é eu e o Luís (e o próprio Lula) consideramos essas provas como válidas. Se elas se resumirem a "delações" ou a "provas indirectas" e a "indícios", são demasiado exíguas para condenar um réu. Se assim for, não terei muitas dúvidas que os contornos deste caso confinam com os de um julgamento político.

Fundamentalmente, o que queria dizer no meu comentário era uma evidência: que não cabia ao nossso Embaixador apresentar provas, como pretendia desatinadamente o NG.

Qualquer das formas estou curioso em saber qual será a posição de muitos (entre as quais a do Luís) quando José Socrates começar a ser julgado.

Anónimo disse...

Wikipédia:


"A lula (ou calamar), ao contrário de outros animais do mesmo filo, não possui uma casca externa dura, mas um corpo externo macio e uma casca interna. Além disso, fazem parte ainda da classe dos cefalópodes ("pés na cabeça"), um grupo que também inclui o polvo, o choco e o náutilo.[1] A maioria das lulas não tem mais que 60 cm de comprimento, mas já foram identificadas lulas-colossais com catorze metros."

O referenciado no texto é mais "notas no bolso".

alvaro silva disse...

Tal como o Camarada Pinto de Sousa o Luís Inácio Tem muitas viúvas. Será Que os tribunais brasileiros erram assim tanto? Não tem o Lula Mais uma chance de recorrer? Afinal não está o Lula a sentir o peso das leis que promulgou? Cada vez percebo menos estes justiceiros analfabetos(brutos) em leis da República Federativa do Brasil? Afinal Quem "come alhos cheira a eles" e não a rosas ou a cachaça?

NG disse...

"não cabia ao nosso Embaixador apresentar provas"

Evidentemente que não, Manuel do Edmundo Filho, basta linkar algum um trecho da sentença que contenha alguma plausibilidade e não tenha sido lógica, racional e documentalmente anulada pelo contraditório da defesa. Ou indicar algum jurista conceituado que defenda a peça. A demonstrá-la imprestável vai encontrar dezenas. https://www.brasil247.com/pt/247/rs247/315021/Juristas-lan%C3%A7am-livro-de-cr%C3%ADtica-senten%C3%A7a-de-Moro-contra-Lula.htm

Joaquim de Freitas disse...

O Brasil está perdido…O Procurador Federal de Curitiba, Deltan Dallagnol, um evangelista, pede a Deus para o ajudar a limpar o Brasil, à maneira dos jesuítas da idade média que organizavam “autos-de-fé afim de purgar os supliciados dos crimes que supostamente tinham cometido, e ajudar a acção do rei, eliminando oponentes e/ou hereges.

A lei, a justiça, a democracia, não têm valor para esta gente. Quinhentos anos passaram desde a descoberta do Brasil, e as mentalidades permaneceram ao mesmo nível de 1500. A vida humana, tem pouco valor, os direitos são a lei do mais forte, do mais rico, do mais influente.

A democracia no Brasil, foi sempre condicionada A força militar foi sempre a “variável” de “normalização”. . Quando os donos do Brasil, e não é preciso identificá-los, uns 5% da população, constatam um risco para os seus interesses , apoiam no botão “ acto segurança nacional”… de 1935 ou outro. Que importa.

Luís Carlos Prestes , Goulart, são dois exemplos da democracia condicionada.

Luís Carlos Prestes, leader comunista começava a ter uma certa audiência. Não irá longe.

O ditador Getulio Vargas não tardou a tomar medidas. Meteu-o na cadeia e expulsou a esposa, alemã, aos nazis, que a meteram num campo de concentração, onde acabou a sua vida, com um bebé no seu ventre. Estava grávida quando foi presa e deportada.

Jango, Jean Goulart, não era comunista, mas era de esquerda. E foi com os votos de esquerda que foi eleito à Presidência da Republica. Acusado de ser o responsável da inflação, de ter organizado uma redistribuição suicidária das riquezas, de aspirar a ser um ditador e ter amigos comunistas, Jango acabou assassinado. Uma vez mais, os militares agiram, com a “ajuda” de Lindon Johnson e da CIA. Aquando duma visita aporto Alegre, deixei um ramo de rosas, vermelhas, no seu monumento!

Lula da Silva, encontra-se na mesma linha. Jogou a carta da solidariedade nacional e ganhou a presidência. Consciente do risco que matou Jean Goulart, sacrificou uma parte importante do seu belo programa de distribuição das terras, para não amedrontar as tais forças preponderantes. E mesmo assim, fez bela obra social. Tirou da miséria milhões, como bem escreve o Senhor Embaixador. E estes milhões são as cartas, os trunfos de que dispõe para ganhar mais uma vez. E os seus inimigos sabem-no muito bem.

Sorrio quando leio aqui comentadores esgrimir com argumentos legais, neste processo contra Lula. Quando Lula responde, com as lágrimas nos olhos, ao Procurador, que virá a pé entregar-se à polícia, desde que lhe apresentem provas, provas, provas …do que é acusado, tenho a certeza que sabe que toda a verdade, qualquer que ela seja, não interessa ao Procurador.

Porque a VERDADE não interessa aos seus mandatários, que na sombra têm já a mão sobre o botão de ejecção de Lula da próxima eleição.

O espírito que preside a este processo não é o espírito da justiça, nem da lei e muito menos da democracia. Um povo , que há cinco séculos vive no misticismo exacerbado, não tem nada a ver com estes valores.

Para os brasileiros, existem forças superiores que desde a descoberta do Brasil impregnam cada brasileiro, branco ou negro, mestiço ou caboclo, que ele venha donde vier: São as forças do espírito.

Se o nome de Allan Kardec não significa nada para um Francês, tal não é o caso para um Brasileiro, para quem este nome é mais conhecido que Napoleão.

Celebrado por todo o lado, muito mais que os desportivos do futebol, tem selos com a sua efígie, ruas com o seu nome, escritos vendidos a milhões de exemplares. Kardec é o pai do espiritismo no Brasil.

Nos bairros de lata das ricas cidades do Brasil, homens e mulheres devem e começado as longas noites espiritistas, que precedem as noites dos punhais longos.



A crença nos espíritos é tão velha como o homem…






NG disse...

Joaquim de Freitas,
Concordo, no essencial, mas acho infeliz a alusão aos jesuítas no seu comentário. Sobretudo porque me parece que muitos dos problemas políticos do Brasil actual têm que ver precisamente com o declínio de influência da Igreja Católica, progressista, com preocupações sociais, racionalista, com opção pelos mais fracos, e a tomada do poder político e judicial pelas igrejas evangélicas, obscurantistas, justicialistas, messiânicas, falso-moralistas, vingativas, cujo único racional é o enriquecimento pessoal dos seus pastores e bispos e uma estratégia de tomada de poder de facto das instituições brasileiras. O espiritismo, apesar de ter uma grande adesão, parece-me mais inócuo em termos de organização política.

Anónimo disse...

Uma correcção a Joaquim Freitas, os Jesuítas não existiam na idade média, apenas foram criados por Inácio de Loyola em 1534, não podendo por isso organizar autos da fé na época medieval, antes da sua criação.

Joaquim de Freitas disse...

Anonimo das 00:56 : Tem razão : A inquisição medieval, existia desde o ano 1200. A espanhola foi fundada em 1478 e suprimida em 1834.

Joaquim de Freitas disse...

A NG 19:51


Acompanhei de perto a ascensão fulgurante do evangélico americano Bill Graham junto de Bush Júnior e vi os estragos que pode causar a religião, qualquer que ela seja, quando ela entra pela grande porta do Estado, junto dos dirigentes.

O que escreveu sobre a acção dos evangélicos no Brasil, é correcta. A sua influência é catastrófica para o povo brasileiro. Mas como foi possível obter esta influência? Onde estava a Igreja Católica quando o polvo evangélico começou a estender os seus tentáculos numa sociedade impregnada de misticismo.

Quando Don Hélder Câmara, bispo de Recife, dizia «Quando dou de comer aos pobres, dizem que sou um Santo. Quando pergunto porque é que eles são pobres, dizem que sou comunista ».

Conservei da minha juventude estudante em Portugal, a impressão que a Igreja esteve sempre do lado dos poderosos contra os povos. Em Portugal, era um facto no tempo de Salazar.

Constatei a precipitação duma certa direita conservadora e a Cúria ela mesma, a explicar que o papa Francisco, um Jesuita, não era, não podia ser “marxista”, como Dom Hélder.
Como se bastasse dizer que os pobres têm o direito de existir, para ser marxista.

A Igreja, no Brasil, como algures, não é realmente anti capitalista. Não tanto que LEAO XIII, e a sua Encíclica “Rerum Novarum” que me inflamou na minha juventude.

Ela é antes anti liberal em todos os domínios, porque como diz o papa Francisco:”tudo está ligado”.

Não pode defender o direito à IVG e opor se aos OGM… no Brasil!

A Igreja é o que resta da Idade Média em plena modernidade.

E não somente no plano do “décorum” e do ritual, mas da ideologia.

A sua critica do capitalismo olha para a retaguarda e não em frente.

Talvez os evangélicos tenham compreendido isso. Eles não “vendem uma fé “, mas um produto…

A doutrina social é a colaboração entre patrões exploradores e assalariados tipo “kleenex”, em nome das leis de Deus na economia.
Ela considera que a propriedade privada seria conforme à ordem divina.

A questão seria por conseguinte a da boa utilização desta propriedade, a do bom proprietário, do bom patrão, do bom capitalista.

A Igreja de Francisco, enlameada nos escândalos financeiros, políticos e sexuais, sofre finalmente dos mesmos males que a sociedade para a qual ela deveria portanto ser o bom exemplo.

Os Jesuítas, ainda muito influentes no mundo, que têm pela primeira vez em 450 anos um dos seus à cabeça da Igreja, não podem esperar do papa Francisco, nestas condições, o renascimento do seu poder espiritual sobre os negócios da Igreja.

NG disse...

Joaquim de Freitas,

Acho que a ascenção de atitudes religiosas primitivas, mercantis, totalitárias, beligerantes, em detrimento de outras com mais consistência intelectual e social, tolerantes e pacíficas, está muito relacionada com a tendência de meter todas as religiões no mesmo saco. Assim fica fácil à má moeda expulsar a boa moeda. Acho que o cheiro a ateísmo fundamentalista que exala do seu comentário tem a ver com isso.

Joaquim de Freitas disse...

Noutros tempos, Caro Senhor NG, algumas palavras do ultimo parágrafo do seu comentário seriam bastante para me enviar à fogueira… E mesmo se fui baptizado, o termo “ateu” era uma AMD…como aquela que perdeu Saddam Hussein!

Existe um largo catálogo de religiões no mundo. As cinco principais são seguidas por mais de 90% dos humanos.

Desde o início da humanidade as religiões têm sido usadas por loucos para saciar apetites de poder e instintos assassinos. Um pretexto muito conveniente pois que irracional. Da Inquisição ao Trump , os terroristas semearam o ódio e a morte em seu nome. Há uma necessidade urgente de detê-los. E, para começar, requerem palavras e actos políticos livres de qualquer referência religiosa mortal!

Já foi esquecido, mas Donald Trump, logo após a sua investidura como presidente dos Estados Unidos, anunciou logo a cor. A sua primeira viagem oficial, em Maio de 2017, foi para os três Estados religiosos que são o Vaticano, Arábia Saudita e Israel!

Assim começou a sua "cruzada" que o levará a designar Jerusalém como a capital de Israel, como ele havia prometido durante a sua campanha à direita evangélica, agradecendo-lhe assim o seu importante apoio eleitoral.

Face ao direito internacional, o risco de inflamar o Médio Oriente, os perigos de importar o conflito, o ódio, tudo isto é de pouco peso perante as manobras políticas.
E isso não é novidade. Em todos os momentos e em todos os lugares o poder político tem usado as religiões para alcançar os seus fins.

É em nome de uma religião que, na idade média, os inquisidores torturaram e mataram milhares de homens e mulheres.

Sob o pretexto de lutar contra as heresias, a Inquisição já era o instrumento pelo qual os monarcas, aliados à Igreja Católica, impunham o seu poder através da violência.

Note que foi preciso uma boa dose de "má fé" para cometer esses crimes em nome de um Jesus de Nazaré cujo único acto um pouco brusco, segundo as suas biografias, que são os Evangelhos, é o de um Judeu piedoso expulsando os mercadores do Templo de Jerusalém.

Aparece então evidente que o terror semeado pela Inquisição visava mais a manter o poder temporal, contestado pela Cátaros e os Templários, e a religião não é, aqui, nada mais que um pretexto.
A mesma coisa para os milhares de mortes da São Bartolomeu, em França, e na Irlanda, e as chamadas " guerras de religiões" Por trás da luta teológica da reforma protestante é uma luta mais decisiva, contra um poder político e material muito real, o da igreja, do Papa e... do rei.

Desde que estão associados "Poder " e "Religião ", a vontade de semear o terror ou seja, o terrorismo, nunca está longe. É mesmo o habitual companheiro de estrada.

Assim, na Palestina mandato, entre 1920 e 1948, o terrorismo sionista contra os civis árabes e forças da ordem britânica, mas também de terrorismo judaico. Era semear o terror em nome do nacionalismo, sionismo, ou impor a única presença na Palestina de um lar religioso Judeu? Provavelmente os dois como nós, infelizmente, o veremos mais tarde.

O horror nazista, metodicamente e industrialmente assassinou milhões de judeus em nome da sua religião. Mas de modo que ninguém possa escapar da sua condição, desenvolveu o conceito de "Raça " . Assim, não é apenas a fé, o baptismo, e, portanto, a conversão possível,
mas a "natureza ". Este "revestimento" racial é encontrado em supremacia branca americana como em anti-semita.

As religiões têm um lugar na nossa cultura como obras literárias da mesma forma que as de Aristóteles, Avincena, Maimônides, Descartes ou Spinoza.

As três religiões do livro, que na realidade são apenas um, convidam-nos ao universalismo. Trata-se da nossa frágil condição humana e não pode ser totalmente indiferente para nós.

Joaquim de Freitas disse...

Para compreender esta fragilidade, que leva os homens a perder toda humanidade, é preciso ir a Auschwitz. Eu fui.

Mas o choque mais terrível, foi quando constatei que aquela empregada do “ryokan” em Hiroshima, só vinha “ arrumar” os quartos depois do último cliente ter partido do hotel. Ela mesma, considerou que não tinha o direito de me impor a sua “fealdade”, o seu rosto onde se procurava en vão os traços dum ser humano. Tinham sido corroídos pela radiação mortal do Enola Gay. Em alguns segundos. O tempo que levou a vitimar mais 120 000 pessoas como ela.
Deus estava ausente nesse dia em Hiroshima. E em Nagasaki oito dias mais tarde.

-E se o papa Francisco pediu perdão há algumas semanas pelos crimes da Santa Inquisição , os presidentes americanos que visitaram Hiroshima, não o fizeram.

Na firma Mazda Automóvel, que visitei, 12% do pessoal eram descendentes dos irradiados de 1945. E via-se bem donde vinham…

Anónimo disse...


Tristeza! Ponha tristeza nisso, Senhor ex-Embaixador! Tristeza ver o Brasil saqueado, pilhado, desrespeitado, com o povo beirando a linha da miséria, com Educação, Saúde e Segurança em um estado de precariedade. Quem pilhou? Quem saqueou? Eu, de certeza, não fui ...

Pois lugar de ladrão é na cadeia.

Abaixo o Embusteiro-Mor!

Dou nome aos bois, ou nem é necessário?

NG disse...

Joaquim de Freitas,
Acho que junta alhos com bugalhos. Vejo actualmente mais atitudes inquisitorias e intolerantes em movimentos ateístas fundamentalistas do que em algumas tendências religiosas. Religiões há muitas como também há muitas formas de ser ateu. Num campo e noutro há vivências interessantes, pouco interessantes e desprezíveis.

Anónimo disse...

Congratulações anónimo 2018 às 20:30. Foi essa a posição que chegaram os juízes que condenaram esse quadrilheiro pilhador, responsável pela essa desordem brasileira. O boi tem nome e sobrenome e profissão. Luiz Inácio Lula da $ilva.

Joaquim de Freitas disse...

Alhos com bugalhos ? Caro Senhor NG : A sua resposta é a de todo cristão que recusa a evidência, que todos esses dramas medievais e contemporâneos – Inquisição, Guerras de Religião, Holocausto, Hiroshima e Nagasaki, Goulags, Duas Guerras Mundiais, centenas de milhões de mortos foram perpetrados sempre pelos mesmos povos, impregnados dos valores civilizacionais do Cristianismo e outras religiões.

Anónimo disse...

Anónimos,

O quadrilheiro mor que espatifou a credibilidade das instituições brasileiras, o que defende amigos de evidencias de corrupção, apanhados a vender sentenças, tem nome mas não é esse. É Sérgio Moro.

Anónimo disse...

Se isto não é um escândalo, o que é um escândalo?

https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-de-como-o-trf4-desmoralizou-a-justica-brasileira-por-luis-nassif#.Wm_YfGD87U8.twitter

Anónimo disse...

Anónimo 29/01/2018 das 23:19
Diz isso, porque não reside no Brasil!