Caramba! Eu queria mesmo fazer uma festa pelos meus 60 anos! “Sexagenário” é uma palavra que começa bem e acaba mal, mas que nos oferece um título garantido do “Correio da Manhã” em caso de distração urbana: “Sexagenário atropelado...”. 60 anos era uma idade bonita, madura, quase clássica! Impunha-se uma festa “à maneira”, no Brasil, onde eu estava como embaixador.
Mas aquele dia 28 de janeiro de 2008 ia fugir ao meu controlo. É que o príncipe dom João (só seria dom João VI em 1813), dois séculos antes, havia decidido decretar a Abertura dos Portos da colónia, na sua inesperada paragem em Salvador da Bahia, precisamente no dia 28 de janeiro de 1808.
E não é que o brasileiros comemoravam essa data com oficial entusiasmo, tendo o embaixador de Portugal sido convidado a intervir na imensa cerimónia que teria lugar na Associação Comercial da Bahia, em cuja sede, numa parede, figura este imenso quadro de Portinari, retratando a corte recém-chegada de Lisboa? O dever estava antes do prazer!
Assim, “por mor de” dom João, a festa - porque alguma festa houve! - dos meus 60 anos acabou por ser em “petit comité”. Acabámos a jantar serenamente (lembro-me que bem!), com uma amiga e um amigo, no claustro do belo Hotel Convento do Carmo, em Salvador da Bahia. E acompanhados de uma viúva: a “Veuve Clicquot”...