Algumas vezes, nos anos 60 e 70, fui ver jogos do Sporting de Braga ao velho estádio "28 de Maio", nos tempos da preeminência e da proeminência da família Santos da Cunha na vida política e desportiva da cidade. As suas bancadas de pedra, que lembravam o Estádio Nacional, traziam-nos irresistivelmente à memória obras similares da arquitectura desportiva e monumentalista europeia da época da sua construção. Hoje em dia, o Braga abandonou esse seu campo de matriz "estado-novista" e é servido por um novo e belo estádio (imagem), que é talvez a mais criativa solução arquitectónica que nos resta do Euro 2004.Mas esta nota serve apenas para registar quanto me impressiona o facto do Sporting de Braga ter vindo a demonstrar uma maturidade desportiva europeia muito pouco comum, um comportamento sem complexos perante equipas que, à partida, estariam num "campeonato" diferente do seu.
Ontem, ao ganhar folgadamente ao consagrado Standard de Liège, consagrando-se como a única equipa portuguesa que nos resta na taça UEFA, o Braga deu uma magnífica demonstração de classe e de cosmopolitismo futebolísticos, consagrando-se, uma vez mais, como um dos clubes portugueses com maior afirmação internacional. É muito bom para o futebol português não ficar eternamente restringido ao Porto, Benfica e Sporting, agora que o Boavista entrou num triste ocaso.