Oulman era filho de um industrial francês, mas nasceu em Portugal, em 1928. Apresentado a Amália por um diplomata português, musicou para ela textos de poetas como Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Pedro Homem de Melo ou Manuel Alegre.
Em 1966, envolvido na vida política portuguesa, Alain Oulman foi preso pela Pide, vindo a conseguir ser expulso para França, graças à intervenção de Amália junto do então embaixador português em Paris, Marcello Mathias. Após o 25 de Abril, quando Amália foi acusada de cumplicidade com o regime ditatorial português, Oulman surgiu a defendê-la na imprensa.
Ontem à noite, em Brunoy, perto de Paris, ao assistir a um belíssimo espectáculo de fado protagonizado por Kátia Guerreiro, que cantou uma sua canção, lembrei-me deste luso-francês a quem a música portuguesa tanto deve. Oulman morreu em Paris, em 1990.