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terça-feira, fevereiro 24, 2009

Bom senso

Detecto muito de hipocrisia e de oportunismo em algumas das indignações, de cariz quase libertário, que por aí emergiram em face da decisão de mandar recolher, da venda indiscriminada ao público, exemplares de uma obra que, ao que li na imprensa, se apresentava na capa com uma famosa, bela e impúdica pintura de Courbet (coloquem a palavra "Courbet" no Google Images e logo a verão).

A esses espíritos tão sensíveis à preservação, sem limites, do direito de expor em todas as dimensões públicas e privadas, independentemente da idade dos que a elas têm acesso, todo o tipo de obras de arte, eu gostaria de perguntar se acaso têm sobre a mesa da sua sala, à vista das crianças da casa, os albuns desse fotógrafo de eleição que é Mapplehorpe. Ou se considerariam natural se certos poemas conhecidos de Bocage ou de António Botto fizessem parte das leituras postas à disposição dos seus jovens filhos.

Por princípio, não é muito saudável ver os poderes públicos arvorarem-se em juízes do que alguém pode ou não ver. Em regra, tudo deve estar acessível a todos e também começa a ser óbvio que o conceito daquilo que possa ser uma imagem chocante tem vindo a variar ao longo dos anos - com impacto nos critérios do seu acesso a determinadas faixas etárias.
Mas sejamos honestos: neste caso do quadro de Courbet, a questão não é do domínio da censura, mas apenas de mero bom-senso.

(Em tempo: acabo de me dar conta que o livro em causa é editado por um velho amigo meu. Como é evidente, nada do que eu penso muda, só por essa circunstância.)

(Em tempo - II: ainda a propósito de Braga, onde o episódio do livro se passou, um outro amigo sugere-me ironicamente, que faça uma referência ao magnífico "O libertino passeia por Braga, a idolátrica, o seu esplendor", um belo texto, com quase 40 anos, do Luiz Pacheco. Ela aí fica, "à toutes fins utiles"...)

(Em tempo - III: "a liberdade de atirar o nu explícito de Courbet à cara de quem passa e o não procurou, de um pai indefeso que passeia uma criança pela mão numa inocente feira de livros, é uma falsa liberdade" , escreve hoje no Expresso Miguel de Sousa Tavares no seu artigo "Somos tão modernos!")

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