sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Muito lá de casa...

Há umas semanas, publiquei este artigo. Revisito-o agora porque, creio, dele fica evidente o nome de um candidato presidencial em quem não votarei...

Um dos candidatos que estas eleições presidenciais oferecem à escolha dos portugueses é uma figura que, durante anos, entrou na nossa casa com grande frequência. Não tocou à porta, mas esteve connosco na sala, conversando sobre tudo e sobre todos, de futebol a política, de “faits divers” às finanças, da justiça aos espetáculos, da lombada de livros às questões de saúde, etc, etc.

Sobre tudo tinha ideias, de tudo parecia que sabia um pouco, num modelo a que os italianos chamam de “tudólogo”. Diz coisas certas? Claro que sim, a par de outras que são tão discutíveis como as que qualquer um de nós costuma ter. Educado, inteligente, informado, às vezes um tanto “pela rama”, outras um pouco mais profundo, o tal candidato provou que quase nada do mundo lhe era alheio. Ou parecia ser. A sua melhor definição foi-me dada um dia por um amigo: “estou quase sempre de acordo com ele, exceto quando conheço bem os assuntos!”

No cenário de fundo da vida da esmagadora maioria dos portugueses adultos, o tal candidato é uma figura que nunca esteve distante. Os mais velhos lembram-no como jornalista, outros como político ou como jornalista político, muitos outros simplesmente como professor – e nós sabemos como ser “professor” sempre por cá funciona subliminarmente como um fator de prestígio para credibilizar o que se diz. A maioria dos contemporâneos recordá-lo-á como opinador, primeiro na rádio, depois nas televisões, nestas tendo vogado entre canais. No desporto, não é do Benfica nem do Sporting, antes pelo contrário, não sendo também do Porto. Todos o identificam com um partido mas também já o ouviram criticar, sem exceção, os líderes desse mesmo partido. Todos? Todos! Mesmo que ele próprio tenha também cumprido um dia essa função…

Para muitos dos portugueses, esse candidato sugere a intimidade que temos com um primo distante, daqueles que irrompe nos casamentos ou nos batizados. Não o conhecemos bem, mas é insinuante, simpático e dialogante. Conta anedotas, é espirituoso, desenha uma presença agradável, sai-se com tiradas inteligentes, às vezes iconoclastas, as mais das vezes jogando no “mainstream” do senso comum. Algumas mulheres acham-lhe piada, alguns homens apreciam-no como divertido e eternamente bem humorado. Todos o tratamos pelo primeiro nome, claro. É muito lá de casa…

Há uma década, quando Cavaco Silva foi candidato a presidente, recordo-me do modo complacente como alguns, mesmo nele não votando, encararam com resignada aceitação a sua eleição, não obstante ser “do outro lado”. Dizia-se que era um homem “rigoroso”, “austero”, uma figura "em quem se podia confiar”. Depois, foi eleito e saiu-nos na rifa o que temos visto!

Imaginem agora que outro alguém, também “do outro lado”, mas a quem ninguém se atreverá a colar os qualificativos sossegantes que ingenuamente concedíamos ao presidente cessante, volta a ocupar Belém! Ah! “Mas este tem muito mais graça, é divertido! Vai ser um tempo interessante!” Pois, pois! Esperem pelas crises, pelos dias em que as coisas não estejam a correr bem! Depois não me venham dizer que não avisei!    

8 comentários:

opjj disse...

V.Exª faz inversão de valores. Não será melhor avisar António Costa? Um aviso avisado.Parece-me ser bem mais perigoso que Marcelo que connheço há 36 anos e e garanto-lhe que dentro das escolhas eu não exito.
Se reparar nenhum partido no governo cumpriu com o que prometeu ao eleitorado. Temos uma miséria de aumento de 25€ após várias reuniões com 30 comparsas.Por esta produção iremos lá.
Gostava tb de saber as contas do homem da CIP ao dizer que os 530€ com impostos o patrão paga 780€. A minha matemática não chega lá.
Cumps.

diogo disse...

um só mandato .
no primeiro navegam para a reeleição , no segundo mostram as garras .
políticos são como os Espanhóis ...

Anónimo disse...

Oh opjj, nãochega a matemática, nem a gramáticao, pois não "exito"!!!

Reaça disse...

Será que o além existe?

Anónimo disse...

opjj, a sua "exitação" ficará nos anais deste blog :)
Quanto ao marcelinho, espero que se for eleito não se lembre de mandar servir vichyssoise no palácio belenenses.


Anónimo disse...

O opjj não hesiste. LOL

opjj disse...

Obrigado aos anónimos, de facto é hesito e não exito. É raro mas acontece. O principal é que os anónimos muito inteligentes afinal até perceberam e ficaram preocupados com a palavra.
Cumps

Jaime Santos disse...

Será assim tão raro, para quem também escreve 'que os 530€ com impostos o patrão paga 780€'? Que raio quer isto dizer? Todos nos enganamos e até por isso mais vale cair em graça e ficar calado do que tentar ser engraçado e meter pela terceira vez a pata na poça (ora leia lá a sua resposta)...