segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Marcelo ou Rebelo de Sousa?

Por que dizemos "Marcelo"? Por que não dizemos "Rebelo de Sousa"? O que é que criou esta designação, algo intimista, que se colou à imagem do novo presidente?

Se olharmos para a política portuguesa, apenas muito raros líderes masculinos com uma relação afetiva com os seus apoiantes conseguiram ser chamados, com naturalidade, pelos seus nomes próprios: Vasco (Gonçalves) e Otelo (Saraiva de Carvalho), goste-se ou não deles, foram disso exemplo. Dos restantes, de Sá Carneiro a Soares, de Eanes a a Cunhal, de Sampaio a Barroso, de Cavaco a Sócrates, nunca o nome próprio de um político relevante se impôs no imaginário público. Até Maria de Lurdes Pintasilgo ficou conhecida pelo seu apelido.

Posso estar enganado, mas creio que o verdadeiro "criador" desta designação, que "pegou" na linguagem comum do país, deve ter sido o primeiro locutor (da TSF? da TVI?) que o designou como "professor Marcelo" e não como "professor Rebelo de Sousa" - como se diz "professor Sampaio da Nóvoa" ou se disse, por muito tempo, "professor Cavaco Silva". É claro que, nos meios públicos, todos já dizíamos, há muito, "Marcelo" e isso não terá sido sem efeitos.

Com esta expressão nominativa simplificada, em que o "professor" nos remete para a escola, para o educador que avalia e "dá notas", Marcelo Rebelo de Sousa acabou por tornar mais próxima dos portugueses a sua figura. Só se chama pelo nome próprio quem nos está (ainda que virtualmente, como foi a televisão) próximo, mas também quem tem uma imagem de bonomia que seja compatível com essa designação. Ninguém está a ver Cavaco Silva ser apelidado de Aníbal... Ora Marcelo Rebelo de Sousa conseguiu isso por via mediática e, dessa forma, ganhou o "Marcelo" que lhe pode facilitar a ligação aos portugueses. Está nas mãos dele conseguir isso. Ou não.

15 comentários:

Anónimo disse...

Milagres de TVs. O sabonete transformado em Presidente.Emídio Rangel muito cedo percebeu o poder da caixa.E tinha razão.

Anónimo disse...

Bom e Sócrates? O individuo chama-se José Sócrates, qualquer coisa Pinto de Sousa e sempre foi conhecido por Sócrates. É certo que poderia ser o José, mas aí haveria muitos, já Marcelos há muito menos. Uma teoria.

Henrique Antunes Ferreira disse...

Chicamigo

E fomos nós deitar-nos às quatro e meia da matina (hora de Goa) para ouvermos via RTPI os resultados que nos deixaram muito chateados... O Marcelo Caetan,... oops, Sousa era um tanto como a pescada: antes de o ser já o era...

Entretanto deixo-te aqui um

Nunesamigo

Cinco anos de serviço militar obrigatório não é coisa que se faça; mas eu fiz, cheguei a tenente miliciano sem saber ler e escrever... Dos quais dois em Angola como oficial da PJM mas por determinação do ministro do Exército, general Luz unha, ONZE colunas ao mato. Coisas da política está bem de ver pois o gajo dizia que eu era comunista perante a minha ficha da PIDE que ainda não era "DGS". Um dia hei-de contar a estória...

Entretanto aqui fica um

AVISO

MAIS UMA VEZ ACONTECEU-ME UMA PORRA: O MEU IMEILE DA SAPO PIFOU!!!!!!!!!

MAS O BLOGUE http://atravessadoferreira.blogs.sapo.pt FICOU, POR ISSO PODES POSTAR COMENTÁRIOS NELE. MAS ESTOU SEM POSSIBILIDADES DE ENVIAR TEXTOS!!! ESTOU QUASE A FICAR DESANIMADO...

MAS VOU TENTAR ABRIR UM NOVO IMEILE NUMA PLATAFORMA INDIANA. DEPOIS ENVIAREI O SEU ENDEREÇO - SE O CONSEGUIR FAZER...


Abç do Leãozão

O nosso Sporting não nos desanima: ninguém nos para!!!!!

Anónimo disse...

No final dos anos 60 do século passado, falava-se do MARCELO, das Conversas em família do MARCELO, de que este, o actual, o afilhado, terá herdado a designação. Ambos fizeram Conversas em Família... Um chegou ao poder por via de uma queda de uma cadeira; o outro chegou lá via banha da cobra e por via de um bom povo português anestesiado. É o que temos e não nos queixemos...

Septuagenário disse...

Também o padrinho Marcelo nos deixou a primavera-marcelista, não caetanista.´

Também foi um lider com uma relação afectiva com os seus apoiantes.



Anónimo disse...

O Sr. HAF, continua vaidoso como sempre e sempre tentando obrigar a ler o seu blog publicitando-o no blog dos outros.
Desculpe Sr. Embaixador este meu comentário!

Luís Lavoura disse...

Há uma explicação muito prosaica: Marcelo é um nome raro, enquanto que a maior parte dos nomes masculinos em Portugal são altamente frequentes.

Henrique Antunes Ferreira disse...

Chicamigo

Perdoa-me a inserção do texto que enviei ao Nunesamigo. Com certeza que compreendeste a burrice. É a PDI...

Quanto ao "Anónimo" das 20:38 quero dizer-lhe que No que toco não há maestro. Cada um toca o que sabe

E agora o HAF comunica:

Já tá!!!!!!

INFORMAÇÃO

ALELUIA! GLORIA IN EXCELSIS DEO!!!!

JÁ TENHO UM NOVO IMEILE DESTA FEITA INDIANÍSSIMO PARA O QUAL PODEM ENVIAR O QUE QUISEREM. É O

henrique20091941@rediffmail.com

AGORA POR FAVOR REENVIA-ME O TEU IMEILE POIS PERDI-OS TODOS. Muitíssimo obrigadérrimo


Abç do Leãozão


Anónimo disse...

O senhor continua a ser um chato com este assunto. Isso é inveja? Algo mal resolvido? O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa esteve estes anos todos na televisão, como comentador, porque isso gerava audiências. Gerava audiências porque os portugueses gostavam de o ver e ouvir. Nada foi imposto, nada foi fabricado - foi um comentador que resultou e que esteve "no ar" todos esses anos porque os portugueses quiseram. Muitos outros tiveram a mesma oportunidade mas não foram tão do agrado dos portugueses. Consegue entender isso, ou precisa de um desenho? Pegando num exemplo de uma outra pessoa do mesmo partido, Pacheco Pereira. Caso contabilizemos, talvez tenha mais horas de presença na televisão que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Caso ele vá a votos, será uma tremenda derrota. A presença na tv, só por si, não é garantia de uma campanha eleitoral de sucesso, é preciso muito mais que estar meramente presente a comentar. Esse "mais", o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tem. A presença na tv pode funcionar até no sentido oposto. Uma exposição demasiada poderá ter um efeito negativo no momento da eleição. Coloque o seu amigo António Guterres a fazer comentários todas as semanas na tv....vai ver as audiências e o efeito que isso poderá ter no momento de umas eventuais eleições em que ele seja candidato....

Manuel Tomaz disse...

Teria sido por influência do seu padrinho Marcelo, que então circulava nos mídia, já que o apelido "Rebelo de Sousa", Salazarista de má memória... não era o apropriado para um jovem democrata de então.

Francisco Seixas da Costa disse...

A obsessão marcelista do comentador das 11.25 não o deixou ver, coitado!, que eu me referia apenS à possível razão pela qual o nome ficou na memória pública com facilidade. Aliás, o consenso começa a fazer-se: é a raridade do nome que deve ter contribuído para tal. Fica por explicar o que pode ter levado os locutores televisivos a dizer, pela primeira vez e depois de forma continuada, "professor Marcelo" em lugar de "professor Rebelo de Sousa". "Aníbal" também não é (felizmente!) muito comum, mas ninguém está a ver CS a ser chamado por "professor Aníbal"...

Septuagenário disse...

Marcelo podia morrer às 19 horas do dia 24 de Janeiro de 2016, que já tinha cumprido o seu destino.

Anónimo disse...

Uma correcção. Marcelo Caetano não foi o padrinho de Marcelo Rebelo de Sousa.

Guilherme Sanches disse...

Tive no Liceu um colega que também era assim.
Um dia em inócua conversa de recreio, referi-me a qualquer pretexto à "Simone", e foi mais ou menos o sermão que aqui está escrito: mas tu conhece-la de algum lado? É assim? Simone de Oliveira! que falta de respeito! Não me lembrei então de me referir à "Rodrigues" (Amália), só para ver qual seria a reação.
Foi em Vila Real, há mais de cinquenta anos. Isto já não é de agora, não mudou nada...
Um abraço

Anónimo disse...

Sempre que alguém, como 6 de janeiro de 2016 às 11:25, elogia o método do favorecimento dado por causa de audiências, já se sabe que temos um fascista pela proa.

Isso de fazer jornalismo, em modo de pluralismo, separando ideias e dissociando-as da imagem, trabalho que obriga a ter trabalho e a seguir uma deontologia e uma ética jornalística, vai sempre cair aos amigalhaços de todas as ditaduras.

Gostam de um jornalismo que não é jornalismo, e que não serve os portugueses, mas apenas quem manda, e gostam de um travestimento de jornalismo que, em vez de se estabelecer civic e informativamente opta antes por uma coisa que na gíria profissional tem o nome chão dos alfinetes que algumas senhoras usam ao peito.