domingo, 17 de janeiro de 2016

Comunicação social

Não aprecio muito as análises sobre a comunicação social que assentam na presunção mecanicista de que a orientação dos "media" depende quase exclusivamente das pessoas escolhidas para os dirigirem. Uma avaliação deste tipo pressupõe que o corpo redatorial desses jornais, rádios ou televisões não passa de meros "paus mandados", sem coluna vertebral deontológica, que se vergarão às determinantes que lhes vierem a ser impostas, sem um mínimo de resistência se acaso lhes vier a determinada uma inflexão enviesada na linha informativa. Também resisto a pensar que certos profissionais nomeados para lugares de chefia nesse órgãos, conhecidos pelas suas posições mais à esquerda ou à direita, tendem a que essa sua orientação ideológica se sobreponha em absoluto ao seu compromisso profissional com a verdade. 

Penso tudo o que escrevi. Mas a vida e a experiência também me ensinaram a já não ser excessivamente ingénuo neste tipo de questões, "if you know what I mean".

14 comentários:

Anónimo disse...

Ai TSF, TSF!

aamgvieira disse...

Verdade verdades, são sempre as escritas pelo autor do blog, brilhantes !

Comunicação social, tudo vergado a forças obscuras inimigas dos heróis "palavra dada, palavra honrada" e outras cigarras falantes.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro aamgvieira. Já experientou bicarbonato de sódio? Ou já é do tempo do Kompensan? Ou o mal da vesícula só lá vai à faca?

aamgvieira disse...

Transcrevo para ajuda da "sua" verdade, (com a devida vénia):

A maçada da CM-TV
por José Mendonça da Cruz, em 14.01.16

Considerável revés para os serventes do Rato que condicionam as redacções de jornais e televisões: a Correio da Manhã - TV passou a emitir hoje no canal 8 da NOS.
Quando Octávio Ribeiro anunciou, à altura da criação do canal, que o objectivo era a liderança no cabo, os serventes troçaram. É normal: o CM, núcleo do grupo, sempre teve informação e audiências, dois elementos que suscitam o nojo indisfarçável dos serventes.

Aguarda-se que, em breve, e na esteira do que o Público faz na imprensa escrita, também Sic e Tvi comecem a defender a urgência de «bolsas», «subsídios» e «apoios» que lhes permitam preserverar no habitual snobismo intoxicante dos vendidos com causas, aquilo a que eles chamam «informação».

aamgvieira disse...

Não preciso.

Francisco Seixas da Costa disse...

aamgvieira. Citar o JMC é de truz! Jornalista com uma conhecida independência. Este governo custa a digerir, não custa? Eu nunca fui um grande adepto da sua constituição, mas pela "coceira" que está a fazer à direita, já começo a converter-me, confesso!

aamgvieira disse...

A velha "dicotomia" direita/esquerda.

Anónimo disse...

Caro embaixador, concordo totalmente consigo, mas detectei uma gralha no seu texto, quando afirma "... conhecidos pelas suas posições mais à esquerda ou à direita,..." não quereria dizer "... conhecidos pelas suas posições à direita,..." Não conheço nenhum director de um OCS que seja de esquerda, basta atentar no seguinte, todos os "comentadeiros" da nossa TV, são ou foram directores de jornais, sejam económicos ou generalistas ou até desportivos.... nenhum deles se alinha à esquerda, se me indicar um director de jornal que seja de esquerda fico agradecido. Só uma única vez há muitos anos, o Luís Osório então director de A Capital apelou ao voto do PS e a celeuma que isso levantou. Permita-me um aparte : a "geringonça" está a funcionar ou não ? Claro que está.....

Saudações democráticas
Vicente Pereira

Anónimo disse...

Bem, a chacun o seu apreciamento, mas não é por se apreciar o cardápio da Mcdonalds que aquilo passa a fazer sentido gastronómico. Ou, em português, Se todos gostassem do amarelo...

Só que não é de apetites. Devagarinho e sem atalhar caminho, a ver se todos percebem.

O dono do jornal escolhe um director que aprecie, ou seja, escolhe um director que lhe faça uma linha editorial simpática. Por sua vez, o director escolhe chefias e editores que lhe acompanhem a simpatia. Está convencido de que será isso que vende, de que será essa a linha informativa justa, de que nao lhe darão trabalho a discutir critérios.

As chefias convivem com os índios da redacção, têm os que têm, ou tiveram os que tiveram.

Os mais velhos, mais bem pagos, podendo ser menos paus mandados, já foram todos - ou quase todos - avec des cochons.

Basta olhar para quem na rua faz reportagem televisiva ou directos para lhes topar a idade. O resto era caro, estava no quadro e custava caro a despedir por causa das indemnizações e por isso podia ter veleidades e presunções de não fazer o que se lhes dizia. Destes mais velhos, restam alguns por aí. Uns por que se calaram sempre, uns por que falaram sempre bem, uns por que são caros, outros por que calhou, outros por que tiveram sorte, outros - poucos - por que até são justamente lidos.

Um chefe quer ser chefe. Um chefe quer agradar ao director, que quer agradar ao dono do jornal. O chefe alinha e agenda para publicar aquilo com que se identifica. E como se identifica com o director, que se identifica com o patrão ou vice-versa agenda e alinha aquilo com que o patrão se identifica.

Por isso, o jornalista médio é verdinho, muito verdinho. Anda quase todo abaixo da fasquia dos 30 anos, faz as peças que o mandam fazer. De quando em vez sugerirá outra coisa, outro tema, outros ângulos.

Mas se não acerta no gosto e entendimento do chefe, que tem um gosto muito semelhante ao do director que, por sua vez, tem um gosto muito semelhante ao do patrão, e vice-versa, o jornalista que não acertou no gosto e entendimento do editor fica fragilizado - que os jornais e televisões tê determinados critérios editoriais com que editor, director e patrão se identificam.

Ora, se um jornalista anda ao engano na redacção e falha os critérios editoriais, agenda e alinhamento definidos pelos editores, que agradam ao director, pois é ele que os escolhe, e que agradam ao patrão, pois é ele que nomeia o director, o que andará por lá a fazer o jornalista com topete?

Não está no quadro, é barato despedi-lo, que as indemnizações foram mexidas e até está lá há pouco tempo - viu-se supra como os os que estavam há muito na casa já a deixaram. E depois, repare-se no exército que anualmente sai das escolas pronto para a acção.

Se um novo não acerta no gosto, alinhamentos e apetidos de agenda do editor, é por falhar os superiores interesses editoriais, ou directoriais ou patronais. Uma, duas vezes, ainda passa, agora mais? E, depois, vive-se do quê?


Melhor apreciações em apetites futuros era o que se desejava. Mas também se desejava um mundo sem pobreza infantil e sem polícias - Btragança dixit - e o mundo é o que é.

Nuno de Magalhães

josé ricardo disse...

Eu continuo, ainda, suficientemente ingénuo nestas geringonças (a falta que Paulo Portas me vai fazer para estes tão irrevogáveis vocábulos) inerentes aos grupos de comunicação social. Todavia, o que me parece mais óbvio é que, de uma maneira geral, temos um jornalismo (e jornalistas) fraquinhos. Esta campanha eleitoral demonstra a minha ideia. Ao vê-la, parece que estou a seguir um reality show.
Quanto ao panorama governativo, confesso que estou a gostar muito da maturidade que a política portuguesa está a atingir. E é só disso que se trata, sem vírgulas (oh Paulo Portas, Paulo Portas...).
Um abraço,
José Ricardo

Anónimo disse...


Mas uma igual legítima presunção mecanicista pode também postular que a direcção dos media dependem de facto do grupo de accionistas de que emanam. Com ou sem coluna vertebral apensa.

Joaquim de Freitas disse...

Desde há muito que os médias e portanto os jornalistas, deixaram de ser um quarto poder com a missão de contrabalançar os três outros e de proteger o cidadão elucidando-o, esclarecendo-o.
Os grandes medias criam na realidade um problema real à democracia. Não contribuem em nada a alargar o campo democrático mas a restringi-lo, mesmo a substitui-lo. Os grandes grupos mediáticos transformaram-se em cão de guarda da desordem económica estabelecida. Estes grupos são agora os aparelhos ideológicos da mundialização. Não se comportam mais como médias mas como partidos políticos. Erigem-se mesmo em oposição ideológica. Na realidade têm a manteiga e o dinheiro da manteiga, como dizemos , o poder sem responsabilidade. As "montagens" indignas não cessaram de aumentar. A mais célebre foi a das armas de destruição maciça! Os jornalistas foram conscientemente levados ao colo!

Houve tempos em que os grandes jornalistas se concediam a missão de redigir análises muito argumentadas, ou de provar que Nixon utilizava "picheleiros"! Hoje preferem fascinar o o povo, fazendo parte dos "people" e colando de perto - quase carnalmente - aos homens e mulheres políticas. E isto não faz avançar a democracia.

Noutros tempos, os médias vendiam informação. Hoje, como a televisão para o Coca-Cola , vendem consumidores aos anunciadores. Quando certos média comentam um livro ou um CD, existem "links" entre o texto e o site de venda de Amazon! E a comissão entra no bolso!

Se quisermos analisar friamente o "métier" de jornalista actual, à hora de Internet, a informação não é preciso ir procurá-la, verificá-la, compará-la. Aparenta-se mais a um restaurante de "fast-food" : o sistema de produção da informação com as suas fast-infos enviada em sacos esterilizados , não precisam de ser cozinhadas, mas de ser complementadas com alguns ingredientes, formatadas em "mil-folhas'" indigestas e expedidas em expresso...

Claro que os jornalistas estão deitados em frente dos poderes e mesmo pior, estão sentados, constantemente sentados. Não são jornalistas, são técnicos da informação que se contentam de publicar "une dépêche" vinda da grande cozinha, juntam-lhe um titulo e a foto mais escandalosa ou estonteante possível .

Fazem-me pena, estes jornalistas. Quando o espaço não está preenchido, vão buscar um reforço às reacções sobre twitter, linhas e mais linhas, tantas como for necessário, e dão assim a impressão de ter realizado um autêntico trabalho jornalístico.

E o que é grave é que quando o patrão os manda "executar" um candidato do contra, o fazem com muita aplicação.... Eventualmente podem transformar-se em carrascos !

Anónimo disse...

Eu vieiro, tu observas, ele diniza, nós fernandesamos, vós freteis, eles fretam

EGR disse...

Senhor Embaixador: ainda tenho uma espererança, embora tenue, que o Dr. Paulo Rangel volte a insurgir-se contra a "asfixia democrática" e esse seu grito seja ouvido.