quinta-feira, 19 de março de 2015

"Provedor do Povo"


A revista "Visão" publica hoje o perfil desejável do futuro Presidente da República, pela pena de seis convidados. Eis o que eu escrevi, deixando entre parêntesis as partes do texto enviado e que a revista entendeu, no seu legítimo critério editorial, não aproveitar:
 
(Desde há muitos anos que nunca foi tão "fácil" escolher um Presidente. A última década ensinou bem o país). O futuro presidente, num tempo que se sabe que será muito exigente, deverá ser capaz de utilizar a legitimidade única que lhe advém do sufrágio universal para funcionar como um referente do interesse coletivo, uma espécie de um "provedor do povo", aglutinador, respeitador dos partidos mas claramente independente deles. Deve ser alguém que, no caminho para Belém, leve a ambição de ser um potenciador das reformas da modernidade do país, ligadas às funções de soberania: uma remodelação profunda do sistema de justiça, a modernização e adequação das forças armadas e de segurança às novas exigências, uma requalificação profunda da nossa máquina de representação e negociação externa. Deve ser alguém que consiga congregar vontades para os compromissos, para além dos ciclos políticos (tendentes à neutralidade absoluta da Administração Pública, para a fixação de uma agenda nacional destinada a favorecer o investimento produtivo, para uma estabilidade temporal dos critérios funcionais da Educação). No plano externo, sem duplicar as funções do governo, deve ser alguém de cuja imagem e postura o país se orgulhe, pela sua cultura, pelo seu prestígio, pelo seu rigor e pela experiência que se impõe aos seus pares. Deve ser também alguém isento de quaisquer "trapalhadas" sobre o seu passado, sobre as suas contas, com uma imagem de seriedade à prova de bala, não porque o diz mas porque todos o reconhecem assim. Será esse o meu presidente. O nome é apenas um detalhe.

10 comentários:

Bartolomeu disse...

Em minha opinião, a revista Visão não aptoveitou aquilo que escreveu entre parentesis porque, ao contrário do que afirma e com base na experiência dos últimos 10 anos, nunca foi tão difícil escolher um Presidente. Mas não só pela experiência da última década, como também pelo conteúdo que a Constituição atribui ao cargo. A presidência durante os últimos 10 anos, tirando as trapalhadas, e a proteção ao governo, foi nula. E, qualquer presidência que venha a ser eleita, que não tenha o cariz de Mário Soares ou de Ramalho Eanes, será um novo "Melhoral" que nem faz bem, nem faz mal. Então, qualquer português mais atento ou interessado em que o seu voto venha a produzir utilidade, portanto, consciente do seu papel social e cívico, terá a maior dificuldade em escolher de entre os candidatos, um, que, além de chefe supremo das forças armadas (que quer dizer, nada) de supremo magistrado da nação (que quer dizer, nada) de garante da democracia (que quer dizer, nada) seja interventivo nas decisões a tomar pelo governo eleito, visando a estabilidade do país e o bem estar dos cidadãos, seja esse governo ou não, da sua cor política. Os mesmos portugueses com sentido de cidadania, terão dificuldade de votar um candidato que se afirme defensor dos princípios republicanos e vá exercer o seu mandato num palácio real, rodeado dos protocolos, dos tiques e repiques da monarquia. Fácil seria, fazer eleger um candidato que se apresentasse lavado de todos esses achaques que de tão putrefactos, tresandam à distância. Eu sei que para um embaixador, habituado a flanar sobre tapeçarias persas, rodeado de dourados e cristais, de gente engalanada e pronta para a vénia cínica, o soriso sarcástico e a fleumática expressão despresiva, aquilo que acabo de escrever lhe parecerá um despautério sem medida. Mas garanto-lhe que para a massa popular, não é! No nosso país, as classes mais próximas do poder ainda não perderam o habito de relacionar dignidade dos cargos com os veludos de que se revestem.

Anónimo disse...

Honestamente, redondinho. Demasiado redondinho. A frase decisiva é a primeira, cortada pela revista.

opjj disse...

QQ UM SE PODE CANDIDATAR, DEPOIS O POVO ESCOLHE.SE TIVER A MAIORIA, É O ELEITO.TEM SIDO ASSIM.


Cumps.

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caríssimo Chico

Esse seria (será?) também o meu Presidente. Nem vale a pena acrescentar mais comentário porque seria despiciendo...

Abç

PS (como sabes sou, mas aqui é Post Scriptum) Quanto aos cortes, vá lá entendê-los... Corta quem pode e está tudo dito. Neste caso a visão da... Visão

Anónimo disse...

Fico apenas boquiaberto por existir já uma lista VIP de proto-candidatos a correr por aí.

Quem será o funcionário culpado?

Anónimo disse...

Concordo consigo, Francisco. O que desejamos é exactamente o contrário do actual Presidente.
JPGarcia

Joaquim de Freitas disse...

Uma proposição para tornar a nossa sociedade mais equitativa, experimentando uma terceira via entre o capitalismo selvagem que esmaga os mais fracos e o igualitarismo integral que desencoraja o desenvolvimento individual.


Limitação do direito de herança , equitativa e redistributiva, permitindo de repor o contador a "zero" ou quase, em cada geração , libertando os recursos para desenvolver uma verdadeira política de igualdade das "chances". A progressividade dos direitos de sucessão e um teto judiciosamente escolhido de só penalizar a fatia mais rica da população.


Estabelecer um comércio ético e equitativo, permitindo de acabar com o "dumping" social que está a dissolver mais de dois séculos de vantagens sociais adquiridas.


Uma fiscalidade , alavanca para a justiça social.

Aumentar sensivelmente os impostos progressivos afim de favorecer o emprego e a habitação e baixar outros impostos injustos, como o IVA, que pesa mais sobre os fracos proventos.


Reforma fiscal e partilha do trabalho para salvar o regime das reformas.


Uma verdadeira democracia. Justa repartição na Assembleia Nacional afim que todas as correntes sejam representadas.

Interdição de se candidatar a dois mandatos sucessivos, (Presidente da Republica, deputado, senador, presidente da câmara, etc). Bom para acabar com o clientelismo.


Candidatura à Presidência da Republica : Não ter sido ministro ou Primeiro ministro nos três anos precedentes. Bom para acabar com o clientelismo.

Anónimo disse...

Enquanto houver candidatos com conotações políticas será mais do mesmo. Venha quem vier, se for de algum partido será igual ao tivemos até aqui.

ARPires disse...

Para mim qualquer um me serve, menos algo de parecido com o actual.
Só vê de um olho e mesmo desse vê somente o que lhe convém.
Por mais gritantes que sejam as denúncias do cidadão comum, fingi que não vê, não ouve, logo nada existe e os casos são muitos, mesmo que tudo lhe cheire a pré-campanha.
O olfacto pelos visto ainda é o sentido que mantém!... Vá lá, ainda, não perdeu tudo.

Manuel do Edmundo-Filho disse...

Acho absolutamente inacreditável que a Visão tenha censurado – não encontro outro termo tão apropriado como este – as primeiras e lapidares frases do seu artigo de opinião. São a pedra angular do seu artigo.

A cerimónia da tomada de posse dos Presidentes da República deveria ter, como no EUA, um dia certo para a sua realização. Desse modo, poderíamos, agora, contar os dias, as horas, os minutos e os segundos que faltam para o efeito... Assim, falta uma eternidade...