quinta-feira, 25 de julho de 2013

Eduardo Fortunato de Almeida

As ocasiões fazem os homens. Um dia de 1968, Mário Soares foi deportado para S. Tomé pela ditadura, já no estertor salazarista. Um jovem oficial do Exército, Eduardo Fortunato de Almeida, em serviço na colónia, procurou o político e afirmou-lhe a sua solidariedade. Mário Soares não esqueceu o gesto e registou-o. Anos mais tarde, na primeira vez que conheci Fortunato de Almeida, expressei-lhe a minha admiração por essa atitude de grande dignidade e algum risco. Falámos algumas vezes, a partir de então, nomeadamente no quadro de iniciativas que envolviam publicações a que esteve ligado.

Já o não via há mais de uma década. Acabo de saber que Eduardo Fortunato de Almeida morreu. Com justiça, das notas necrológicas a seu respeito faz parte o episódio atrás referido. É que certas ocasiões definem um homem.

5 comentários:

Anónimo disse...

Sem dúvida! Descanse em Paz.

Isabel BP

Isabel I disse...

Infelizmente ficou mais conhecido por ser pai de uma dondoca.

Anónimo disse...

Cara Isabel "I",

Discordo completamente da sua opinião porque ainda a filha não era, supostamente, "dondoca" e já o Eduardo Fortunato de Almeida editava publicações de referência.

Sou de outra geração e, no entanto, o meu gosto pela decoração advém da leitura da "Casa & Jardim", uma das melhores publicações que se fez em Portugal sobre a matéria.

E deixe-me que lhe diga, mas mesmo as "dondocas" têm sentimenos e é triste se a filha ler esta frase sobre o pai...

Isabel BP

Anónimo disse...

Cara IsabelBP que escreveu o que segue"E deixe-me que lhe diga, mas mesmo as "dondocas" têm sentimenos e é triste se a filha ler esta frase sobre o pai..." Deixe-mos a hipócrisis de lado, a Isabel I não põe em causa o Homem/pai e cidadão
Helena/Cascais
PS.desculpem se o texto for repetido

Anónimo disse...

Eduardo Fortunato de Almeida, para além de ter sido um homem bom e que gostava de ajudar o próximo, foi fundador e director de publicações de alta qualidade, inovadoras no nosso País, muito apreciadas por empresários, intelectuais, políticos, enfim, pelo o que se considera a sociedade. A sua prolongada doença foi conhecida, mas já não era proprietário das revistas, que deixaram de existir pouco após a sua saída da empresa editora. Enquanto existiram, Fortunato de Almeida era procurado para "fazer capas", entrevistas, reportagens sobre magníficas casas ou sobre festas e recepções, etc. Era também convidado para todos os eventos mais significativos, oficiais e particulares. Na hora da sua partida deste mundo, poucos foram os que se lembraram ou puderam estar presentes. Na missa do funeral e no cemitério contavam-se por umas escassas dezenas, incluindo os familiares. Honra seja feita à família Soares que marcou presença no velório e no funeral.
Mais um caso em que a célebre chamada de atenção que fazia parte do ritual da coroação dos Papas (antes do Concílio Vaticano II) se aplica no presente. Nessa ocasião, no cortejo a caminho do altar de S. Pedro, um diácono levantava, por 3 vezes, uma tocha com estopa a arder à frente da sédia gestatória em que o Papa era transportado e ouvia-se o coro cantar "sic transit gloria mundi".
Estou certo de que o seu sentido de humor apurado o levará a fazer comentários bem jocosos, se deste mundo puder ter notícia, pois na sua Fé, que nunca o abandonou, acreditava firmemente em que iria estar, em breve, junto de familiares e amigos que partiram à sua frente.
Paz à sua alma!
José Honorato Ferreira