sábado, 21 de março de 2009

Lavadeiras de Portugal

"Les Lavandières du Portugal", de que pode ver e ouvir aqui um extracto, foi, em 1955, o grande êxito da vida musical da cantora Jacqueline François, que acaba de morrer aqui em Paris.

É um Portugal de improváveis lavadeiras de Setúbal, que o autor da letra põe a beber "manzanilla" ou "xerez", o que dá bem nota de confusão ibérica, que, sobre o nosso país, ainda pairava na mentalidade francesa de então.

Dois anos mais tarde, o exotismo passa ao cinema, com uma comédia com o mesmo título da canção, desta vez ligada à procura de uma lavadeira portuguesa para fazer publicidade de uma máquina de lavar. Com o nome de Paquita Rico no elenco, segue-se idêntica linha de rigor étnico-geográfico. E, pelo cartaz junto, pode logo perceber-se que se trata, de facto, de uma lavadeira portuguesa-tipo, nos idos de 1957...

8 comentários:

Anónimo disse...

Hum, essa lavadeira de mini-saia, dentes alvos,ar fino, hum, pois.
António Roupa-Suja.

Jorge C. Reis disse...

Nem sei bem como vim aqui parar, mas o facto é que gostei muito do que vi. Voltarei

Anónimo disse...

Oh! Percebe-se perfeitamente, até pela tonicidade muscular visivel e diga-se invejável.

Questiono-me seriamente quem com esse exemplo de referência e esses resultados quer ter uma máquina de lavar, ou não ser Lavadeira.

Mas, não será uma aula de fitness... Claramente temática?
Isabel Seixas

Francisco disse...

Creio que à época houve até um vereador da CM de Setúbal que comentou, ironicamente, que a água do estuário do Sado, frente a Setúbal, é demasiado salgada para permitir lavar roupa. Tal só seria possível bem mais longe, lá para os lados de Alcácer do Sal.

Anónimo disse...

Esta questão da lavandeira e de um ou outro comentário a propósito, sobretudo entre ter uma (bela) lavandeira, ou uma máquina de lavar roupa, fez-me recuar algum tempo e recordar um pequeno episódio passado comigo, em tempos.
Vivia então numa bela capital da Europa Central (sorte a minha) e tendo ido “à frente”, coube-me a missão, “instruído” por minha mulher, para contratar uma empregada, uma vez encontrada casa. A sua função seria, entre outras coisas, substituir a máquina de lavar pratos (aparelhos, na altura, difíceis de encontrar, visto serem caras, pois o país acabar de sair de um relativamente longo período de regime comunista) e dar um jeito na roupa.
Assim procedi. Com o auxilio simpático de uma secretária que tinha à minha disposição, pedi-lhe que me procurasse potenciais candidatas. Recomendei-lhe apenas que, na medida do possível, me evitasse “pessoas mais velhas, pois teriam menos energia para trabalhar, cansavam-se mais, etc e tal. De preferência gente nova!”.
Algum tempo depois, fez-me desfilar, durante uma semana, um conjunto de modelos, candidatas a substituir a dita máquina de lavar loiça. Como não me costumo atrapalhar nestas coisas, lá escolhi uma.
Esqueci-me, todavia, de indagar sobre as suas capacidades, experiência e conhecimentos requeridos para a correspondente tarefa. Nem tal me passou pela cabeça, confesso. Possuía duas qualidades que me levaram logo a contrata-la e me pareceram suficientes, na altura: boa vontade e “apresentação” (aqui, numa escala de 0 a 20, dar-lhe-ia uns 18,5). Para minha atrapalhação, constatei, só depois, que a pequena era apenas fluente na sua língua natal, sendo apenas capaz de debitar umas 3 ou 4 palavras de outros idiomas estrangeiros (entre as quais o alemão, que eu não compreendia).
Durante um mês, até minha mulher chegar, recorri ao “o gesto é tudo” para comunicar com aquele belo exemplar de máquina de lavar louça. Estava algo exausto quando se completou esse dito mês, admito. Mas muito bem disposto também. Nada como uma mulher bonita para nos aliviar do “stress” do trabalho!
Não me recordo lá muito bem se a pequena era muito eficiente, a verdade é que as coisas lá iam aparecendo feitas. Nunca tive muita razão de queixa. E era de uma atenção para comigo absolutamente comovente.
Porém, com a vinda da minha mulher, os critérios de avaliação mudaram radicalmente. Eram muito mais exigentes do que os meus. E esse crivo de exigência foi fatal à “bela máquina”. Foram detectados diversos defeitos e 1 semana depois no lugar dela estava alguém que bem poderia quase ser a avó da pobre bela.
Em resumo, o que perdi em beleza, ganhei em eficiência. E ficámos amigos da substituta, até hoje. Era uma mulher cultivada, falava vários idiomas, educada e excelente pessoa. Reconheço.
Enfim, ás vezes não se pode ter tudo!
Daí que, se calhar quem sabe se a rapariga da fotografia até nem era grande lavadeira e talvez uma máquina, ou a avó dela fariam melhor? Vá lá saber-se!

Dulce Dias disse...

Não resisti a "plagiar" a sua estória das lavadeiras lá no Esquissos! Com a devida referência e o link respectivo, pois claro!
:-)

Abraços luso-gauleses
DD

Anónimo disse...

Por associação de ideias continuo a achar interessante a imagem, embora desfasada do sofrimento do nosso Povo que Lavas no Rio,que alimenta com maior frequência os nossos estados de espirito históricos, acho que podia ser o mote para a revitalização dos tanques comunitários não no intuito de lavar roupa suja que no respeito pela autonomia e privacidade pode lavar-se em casa...Mas, para ajudar a lavar Almas, nomeadamente do tédio e solidão.

Estou em crer que os franceses quiseram deixar alguma mensagem relacionada com a sua desejada fantasia "Do pede o guloso para o desejoso"a Lavadeira/ Feiticeira da Nossa Florbela Espanca.

Aconselho vivamente a audição do poema nas vozes e na canção, versão Interpretada por Luis Represas e Pablo Milanés.
Isabel Seixas

Helena Sacadura Cabral disse...

Muito sábia a escolha da máquina de lavar loiça, versão avó. Pena que nem sempre haja no mercado modelos disponíveis. Daí que, nos dias que correm, se estrague tanta roupa!
Às vezes o detergente também não ajuda...