Custa-me muito ver uma classe tão prestigiada e respeitada como sempre foram os enfermeiros, que em toda a vida nos habituámos a ver como nossos “aliados” em momentos difíceis, terem-se deixado conduzir por uma luta venal extrema, com laivos de crueldade, muito à revelia do sentimento profissional de solidariedade com o sofrimento do próximo que tinham sabido cultivar, e que agora os aliena do público utente e projeta deles uma imagem muito negativa. As lutas sindicais são legítimas e insubstituíveis em democracia, mas a esta faltou o bom-senso e a afirmação permanente do primado do sentido de serviço público, até para preservação do bom nome da classe, que se liga intimamente ao respeito que, com certeza, quererá conservar na sociedade. Este é um triste momento para a imagem dos enfermeiros portugueses - é preciso dizê-lo. E estranho muito que, talvez por temor corporativo, alguns enfermeiros com maior sentido de responsabilidade não tenham tido a coragem de vir a terreiro dizer aos seus colegas que o que é demais é erro.