Foi ontem anunciada a "decisão do Governo da República de Cabo Verde em não traduzir o nome do país, Cabo Verde, para outras línguas". Assim se pretende acabar com o francês "Cap-Vert", o anglo-saxónico "Cape Verte", o italiano "Capo Verde" ou o germânico "Kap Verde".
Veremos o efeito prático desta iniciativa, que só terá devido sucesso e eficácia se, de forma persistente e continuada, os serviços oficiais de Cabo Verde no estrangeiro tiverem a coragem de devolver toda e qualquer correspondência que não obedeça ao preceito ora instituído. O que, por vezes, por revelar-se dedicado.
Um dia recordei aqui um episódio a que assisti, relacionado com o nome Costa do Marfim. Mas poderia igualmente referir uma tentativa, com escasso sucesso, protagonizada nos anos 90 pela Bielorrússia, que informou o mundo que queria passar a ser designada por "Belarus".
Um país como Portugal (tal como Angola), não tende a ter o seu nome mudado em línguas estrangeiras, salvo no italiano, onde nos tratam por "Portogallo".
A experiência diz-me que é muito difícil fazer com que os outros nos tratem apenas da forma que desejamos. Mas não deixa de ser totalmente legítimo que isso seja tentado.