Há dias, encontrei na biblioteca da embaixada um livro com uma dedicatória de Christine Garnier, dedicado ao embaixador Marcello Mathias.
Christine Garnier, como é sabido, era uma jornalista francesa que terá tido um "affaire" com Oliveira Salazar, ao tempo que sobre ele escreveu um livro apologético, intitulado "Vacances avec Salazar". As versões sobre a dimensão desse envolvimento romântico do ditador são diversas, mas o livro que Marcello Mathias publicou, onde insere parte da sua correspondência com Salazar, dá-nos muito mais pistas que certas versões romanceadas que entretanto apareceram.
Do trabalho que Christine Garnier elaborou sobre Salazar constam algumas belas fotografias em que ambos figuram, uma das quais reproduzo acima. A curiosidade é que delas é autor Rosa Casaco, um sinistro agente da polícia política, que chefiou a brigada responsável pelo assassinato de Humberto Delgado, em Villanueva del Fresno. A boa arte de Casaco ia, assim, da fotografia à mais sórdida criminalidade política.
Porque refiro isto, aqui e agora? Porque, há minutos, numa livraria, deparei com um livro sobre alguns ditadores e as suas amantes. E, devo dizê-lo, ao folhear o índice, senti uma certa "pena" por nele nada encontrar sobre os amores de Salazar com a bela jornalista francesa. É muito curioso ter este tipo de reação, algo "nacionalista", como que a protestar intimamente: então os ditadores dos outros têm direito a uma descrição e os "nossos" não?
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