11.1.13

Newsweek

Há alguns dias, num quiosque de aeroporto, deparei-me com o último número da "Newsweek" em papel. Ao lado, estava a sua eterna concorrente, a "Time", com uma foto soberba do Obama na capa. Comprei e passei uma rápida vista de olhos pelas duas. "For the sake of old times".

Terá sido no final dos anos 60 que comecei a ler, de forma intermitente, estas duas revistas americanas. Recordo-me que, por essa altura, com algumas semanas de atraso, elas eram disponibilizadas gratuitamente no Centro cultural americano, na avenida Duque de Loulé, onde eu frequentava um curso de inglês. 

Com o tempo, tornei-me assinante da "Time", talvez (confesso) porque era tida por mais "liberal" que a "Newsweek" - no sentido americano e não europeu do termo, isto é, mais "democrática" e menos "republicana". Depois, por necessidade de informação, passei a assinar as duas. Lia-as muito na Noruega, em Angola e em Portugal, na década de 80. Fiz entretanto uma longa pausa. Durante os meus mais de quatro anos em Londres, lia o "The Spectator", "The New Statesman" e o "Private Eye" (além, claro, dos diários "The Times" e "The Evening Standard" e dos semanários "The Observer" e "The Sunday Times"). E, para o futuro, em matéria de revistas anglo-saxónicas, fixei-me, definitivamente, no "The Economist", este sim, bem "liberal", mas já no sentido europeu (isto é, direita liberal). A sua escrita, porém, seduzia-me, como hoje ainda me seduz, o que me leva à situação bizarra de continuar a ser assinante de uma publicação em cuja linha doutrinária estou muito longe de me rever. É que convém que fique bem claro: não sou liberal (na aceção europeia), muito longe disso!

Com alguma regularidade, só voltei a ler a "Newsweek" (tal como a "Time"), no pouco tempo em que vivi em Nova Iorque. Depois, mantive a assinatura da revista (muito barata) durante a minha estada em Viena, mas sempre foi, claramente, uma leitura secundária. Desde então, vai para uma década, apenas a encontrava nos aviões e nas salas de espera. Folheava-a, lia um ou outro artigo, nada mais. Não sei bem porquê, a sua consulta regular (bem como a da "Time") deixou de me interessar, talvez por alguma excessiva "leveza" na abordagem dos temas, ou talvez por uma leitura excessivamente americana das coisas, para o meu gosto.

O mundo deixa agora de ter a "Newsweek" em formato de papel. Com o meu regresso a Lisboa, daqui a duas semanas, será que vou ter tempo e apetência para ler a "Time"? Duvido. Da imprensa americana contemporânea, e não podendo dar-me ao luxo do excelente "New Yorker", resta-me sempre o "The Herald Tribune", hoje um "genérico" para consumo internacional do "The New York Times", perdidas que foram as excelentes colaborações do "The Washington Post" e, já antes, do "Los Angeles Times".

Porém, para um "angustiado" da informação como eu continuo a ser, nem um dia de 72 horas chegaria para ler tudo quanto potencialmente me interessa. A prova provada é a pilha de papelada que tenho aqui ao lado: "Financial Times", "Le Figaro", "Libération", "Le Parisien", "Le Monde", "Les Échos", "L'Express", "Le Point", "Marianne", "Le Nouvel Observateur", "Challenges", "Le Canard Enchainé" e os portugueses "Expresso", "Sol" (ambos da semana passada, para acabar de ler), a "Visão" e a "Sábado" (de ontem) e, claro, o "The Economist", que acaba de chegar. Assim não dá! Para a semana, por mala diplomática, lá chegarão "A Voz de Trás-os-Montes", o "Notícias de Vila Real" e o vianense "A Aurora do Lima". Ao pé de tudo isto, que falta faz a "Newsweek"?

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