Ontem e hoje, na inspiradora arquitetura da Fundação Champalimaud, decorre mais um "seminário" diplomático, que junta as chefias políticas com os profissionais com mais altas responsabilidades na casa. O exercício começou por chamar-se, nos primeiros anos, encontro de "altos funcionários".
(Num desses anos, ao tempo em que as reuniões tinham lugar nos salões do Protocolo, nas Necessidades, numa larga roda de diplomatas que se juntou depois do almoço, alguém alertou para o facto de um porteiro estar a vedar a entrada a um determinado colega, no fundo da escadaria. "Porquê?", estranharam alguns. "É que, dado que isto é só para 'altos funcionários', dado o tamanho dele não o querem deixar entrar..." Houve uma sonora gargalhada geral. A risota prosseguia ainda quando, ladeado por um outro colega de talha precisamente idêntica, o tal diplomata minúsculo, empertigado como sempre anda, inquiriu, grave, qual era a grande piada que tanto estava a divertir o grupo. Nem se pode imaginar o ambiente que se gerou, misto de gozo e de embaraço, com o primeiro a prevalecer sobre o segundo, tanto mais que o visado estava longe de recolher unânimes simpatias na casa.)
Para o bem e para o mal, o "seminário" é uma grande montra. Para o bem, porque, numa carreira onde muitos vivemos distantes uns dos outros, essa "missa" anual é uma ótima oportunidade para conhecer colegas, de ouvi-los e de apreciá-los. Formei muito boas impressões de pessoas que só conhecia de nome, quando deles ouvi interessantes análises sobre a conjuntura que afetava países onde estavam colocados, judiciosas opiniões sobre temáticas postas à discussão no curso de debate.
Mas essa montra também funciona em sentido inverso. Uma intervenção mal colocada ou deficientemente formulada, uma pergunta pateta ou descabida ou, muito simplesmente, um tempo infeliz de pronunciamento público podem afetar, um tanto gratuitamente, aos olhos dos outros, uma imagem ou uma reputação criada em anos de dedicado trabalho. E isso pode ser profissionalmente cruel e injusto, razão que leva uma imensidão de colegas a guardarem, naquelas ocasiões, de Conrado o prudente silêncio. É que, para quem antes não conhecia o autor de um momento infeliz, e pode ser esse o caso das personalidades políticas de tutela, "não há uma segunda oportunidade para se criar uma primeira impressão". E, mesmo que essa nova oportunidade exista, é já só para o ano.
Mas essa montra também funciona em sentido inverso. Uma intervenção mal colocada ou deficientemente formulada, uma pergunta pateta ou descabida ou, muito simplesmente, um tempo infeliz de pronunciamento público podem afetar, um tanto gratuitamente, aos olhos dos outros, uma imagem ou uma reputação criada em anos de dedicado trabalho. E isso pode ser profissionalmente cruel e injusto, razão que leva uma imensidão de colegas a guardarem, naquelas ocasiões, de Conrado o prudente silêncio. É que, para quem antes não conhecia o autor de um momento infeliz, e pode ser esse o caso das personalidades políticas de tutela, "não há uma segunda oportunidade para se criar uma primeira impressão". E, mesmo que essa nova oportunidade exista, é já só para o ano.
