Não, o senhor embaixador não está, só volta amanhã, explicou a secretária ao cavalheiro que estava do outro lado da linha. Diga-lhe que é um amigo dele, dos tempos de Roma, que estou por aqui dois dias e que gostava muito de o encontrar, disse o interlocutor.
A cena passou-se numa embaixada portuguesa no Norte da Europa, há muitos anos. A secretária ouviu o nome, tomou a devida nota e deixou um pequeno apontamento sobre a mesa do embaixador: "Telefonou um senhor italiano, o Dr. José Fireli". Na realidade, a pessoa que a contactara tinha dito "o Zé Fireli", mas a secretária entendeu por bem não usar o "petit nom", fruto seguramente da intimidade do cavalheiro com o embaixador. E, pelo sim pelo não, colocou o "Dr." atrás, porque os amigos do seu embaixador eram, quase sempre, gente com curso universitário.
No dia seguinte, o embaixador leu a nota, sorriu e lá pediu à sua colaboradora para lhe ligar para o seu amigo e realizador de cinema Franco Zeffirelli.
