"Deteta-se nas curvas um ligeiro excesso de acontecimentos que sao talvez o sinal da sua presenca, mas tambem nao se pode excluir que se possa tratar, simplesmente, de flutuacoes estatisticas emergentes por azar do ruido de fundo".
Uma algo longa hospitalizacao, com imobilizacao, da-nos tempo para ler sobre tudo. Ao passar ontem os olhos pelo "Le Figaro", dei-me conta de uma pagina dedicada, em exclusivo, ao bosao de Higgs, a famosa particula cuja (possivel) descoberta excita os especialistas, como o demonstra a descricao inspirada de um deles no jornal, que o paragrafo anterior reproduz.
Quando era jovem, havia as vezes la por casa uma revista chamada "Science & Vie", que complementava, julgo que com bastante mais rigor, as novidades cientificas que as "Selecoes do Reader's Digest" tambem nos traziam. Era um tempo em que as maravilhas da ciencia tinham grande popularidade. Nessa fase da vida em que os meus interesses nao estavam estabilizados nem muito priorizados, o tropismo para um conhecimento mais ou menos "renascentista" era frequente. Lia, entao, sobre quase tudo. O que, como vim a aprender a minha custa, foi uma perda de tempo.
As vezes, ainda sinto essa curiosidade residual sobre coisas muito diversas. E o vazio de tarefas, numa cama de hospital, pode criar essa tentacao. Mas so momentanea. O meu interesse por este e outros temas da ciencia (desculpa la, Jose Mariano) e' muito limitado e, decididamente, o bosao de Higgs, por mais importante que seja ou venha a ser (e se acaso existir mesmo), nao mobiliza a minha atencao.
Por isso, passei para a pagina seguinte do "Le Figaro", para a seccao de educacao, onde uma materia se destacava (tal como ja observara no "Le Monde"): as novas regras nos concursos de admissao a Sciences-Po. Ja e' azar! Outro assunto de "sciences" que nao me interessa nada e sobre o qual tambem nada sei.
Sendo assim, afinal vou "'a bola". A tempo de rever, na televisao, a bela vitoria do Chelsea de Villas Boas com um magnifico golo de Raul Meireles.
E mais nao escrevo porque fazer posts por iPhone, sem acentos nem cedilhas, provoca-me dores. De alma, claro.