sábado, 3 de dezembro de 2011

A questão iraniana

Na vida internacional, as relações entre os Estados processam-se sempre no quadro de certas expetativas de comportamento, pela sua previsível reação face ao posicionamento dos outros atores, que possa vir a ser afirmado bilateralmente ou no quadro multilateral. Se bem que algumas surpresas sempre possam surgir, na grande maioria dos casos é possível, com algum realismo, antecipar atitudes e, dessa forma, medir as condições necessárias para os compromissos ou as probabilidades de rutura. É assim que se procuram evitar guerras e conflitos, cabendo aos diplomatas um papel central no domínio desta diplomacia preventiva.

O grande problema que se coloca à comunidade internacional é o pontual surgimento, no comportamento de certos Estados, de atitudes que, não apenas não era possível prever, mas que igualmente se tornam difíceis de interpretar, em todas as suas possíveis motivações. Esta circunstância cria dificuldades de "leitura", induz interrogações e pode levar a reações diferenciadas por parte de outros Estados.

O comportamento recente do Irão, com o saque às instalações diplomáticas britânicas em Teerão, claramente feito sob a aparente complacência das autoridades policiais, na sequência de sanções bilaterais determinadas pelas mais que legítimas preocupações face à evolução do programa nuclear do país, é um exemplo desses comportamentos de difícil interpretação e de elevado risco. E suscita questões que somos chamados a colocar, nãso tendo para elas uma resposta clara.

Que pretende o Irão com este tipo de atitudes, onde se inclui o seu desafio à AIEA? Que mais riscos está o regime iraniano disposto a correr, nesta linha de comportamento? Até onde estará disposto a avançar? Que avaliação faz Teerão dá utilização do petróleo no seu "jogo" internacional? Como estarão as autoridades iranianas a medir o grau de probabilidade da ameaça de um ataque israelita às suas instalações nucleares?

A persistência destas interrogações nada ajuda à descoberta de soluções para a estabilidade e para a paz na região. E Teerão sabe, com certeza, que assim é, o que torna tudo mais preocupante.

10 comentários:

gherkin disse...

Caro embaixador e amigo. No contexto que sabemos, de um Irão autoproclamado democrático, mas controlado pelos “Mulas”, um regime completamente diferente da nossa noção de democracia, como muito bem aponta, obviamente levanta várias questões de interpretação e de “leitura”, pelo que pode induzir em “interrogações e pode levar a reações diferenciadas por parte de outros Estados”. São sobejamente conhecidas as posições em relação ao Irão tanto dos EUA, e de Israel,como do Reino Unido, este um país, aliás cuja diplomacia externa geralmente segue a peugada daquele, gerando os consequentes e atuais graves acontecimentos, que obviamente têm de ser condenados. Porém, e colocando-nos na posição do Irão, um país soberano, com uma notável história imperial, que se julga assolado por ataques externos, particularmente agravado devido ao seu projeto nuclear, o que, tal como Israel, este que ironicamenteo nega possuír!, tem todo o direito. A questão, como também muito bem aponta, “como estarão as autoridades iranianas a medir o grau de probabilidade de um ataque israelita às suas instalações nucleares?” Julgo que aqui, embora insistentemente neguem construír um projeto nuclear bélico - sem muita credibilidade – uma vez que a AIEA afirma o contrário, o Irão, faz o seu jogo, batendo o pé como país independente e soberano, mas que, naturalmente, faz aumentar a tensão na que já é conturbada região. O habitual abraço.

Fada do bosque disse...

Blair fez o que fez com o Iraque e ainda aí anda, depois de ter ido a tribunal, que não passou de uma fantochada para inglês ver. Afirmava nesta reportagem
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=9K5ewqqrBXE
(que como muito convém foi removida, tanto da Vímeo como do youtube e que eu há tempos tinha aqui deixado) à BBC, que a NATO tinha de atacar o Irão. Ora se isto está há tanto tempo na agenda de um criminoso de guerra e de outros compinchas que a Amnistia Internacional quer ver capturados, como se pode ver aqui:
«A Amnistia Internacional apelou hoje a três estados africanos para deterem George W. Bush durante uma visita do antigo presidente norte-americano, acusando-o de "crimes" e de "tortura"». http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=2161627&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas&page=-1
É claro que a guerra contra o Irão está no menu.
Está-se mesmo a ver, que o Irão como Estado Soberano e berço dos Persas, tem mesmo de reagir e caso o não faça, estes neocons arranjarão motivo para satisfazer os interesses de Israel e os seus próprios.
Haja democracia! Se não for a bem, vai a mal!
Gostava de os ver com a mesma determinação com Mianmar ou Birmânia, por exemplo e porque não com a China?

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
O termo democracia começa a ter interpretações muito vastas e diversas.
Mas creio que não é difícil descortinar o que são as "primaveras árabes" nem o que o Islão pretenderá.
Penso eu de que...

Anónimo disse...

da mesma maneira poderao muitos muculmanos dizer que sabem muito bem o que é a democracia e o que é que o ocidente quer...


mas bora lá bombardear mais uns...


relembro so que o irao é o pais que mais bombardeamentos sofreu com armas quimicas vendidas ao amigo saddam por quem sera...

nao quero dizer que sejam anjos, mas se forem demonios nao sao com certeza os unicos...


bh

Anónimo disse...

É mais que sabido que a 3 guerra mundial irá estalar entre Israel e o mundo árabe, fomentada por impulsos religiosos.

A fada , referiu e muito bem que essa guerra está no menu há muito tempo. Só falta a ignição acontecer!

Em 1980, Irão tomou a embaixada dos EUA e fez todos os funcionários reféns. Este acontecimento foi determinante para a eleição de Reagan, dentro de um ambiente a que os americanos chamam o October surprise.
Como o Sr embaixador sabe os reféns foram libertados depois de um negocio que no caderno de encargos envolvia Lisboa e Telaviv.

À semelhança deste acontecimento , muitos outros são promovidos pelas "inteligências" de cada pais e que muitas vez não dependem dos chefes de estado e actuam na dependência de outras forças ocultas. Os embaixadores muitas vez são vitimas de determinados acontecimentos e acabam por estar no local errado à altura errada!
Noutras vezes nem tanto!

OGman

Anónimo disse...

Engraçado, o tratado de não proliferação de armas atómicas veta a grande maioria dos países de terem seu arsenal nuclear, enquanto mantém um punhado de privilegiados. Injusto!
Mas... a bem da democracia funciona assim mesmo.

M. Oliveira

Fada do bosque disse...

Aqui está a "democracia" que os neocons querem implementar:

O senado americano votou e o presidente Obama ratificou o extinção da Bill of Rights – aquilo que fazia a America ser o país mais “livre” do mundo. Na maior jogada da Nova Ordem Mundial no momento, o significado disso é que tanto estrangeiros quanto os próprios americanos agora podem ser capturados, presos, torturados e mortos pela FEMA, NSA e militares, sem que estes prestem quaisquer esclarecimentos ou apresentem justificativas.

http://www.youtube.com/watch?v=8mPZlysCAm0&feature=player_embedded#!

http://www.youtube.com/watch?v=Z-mqHOWP6yM&feature=player_embedded#!

A jornalista americana, de forma muito perspicaz, traduziu o discurso feito por Obama onde ele falava sobre o ocorrido e a implantação da prisão preventiva por tempo indefinido. O video abaixo conta os detalhes. Infelizmente disponível somente em inglês.

Aqui está a razão porque o governo português ilegalmente, cedeu os dados biométricos dos portugueses aos USA... e claro, já deu os seus frutos.

Anónimo disse...

Gosto de a ler Fada do Bosque. Continue a manter essa sua atitude.
Abraço!
P.Rufino

Fada do bosque disse...

Obrigada Rufino.
Um abraço para si também. :)

OGman,
Tenho esta página de um jornal online israelita, guardada há mais de 4 anos.
Estou a ver quando se realiza a "profecia"! Lá está o Irão metido ao barulho.

Entretanto a engenharia social da Nova Ordem Mundial vai de vento em popa, infelizmente.
Quero ver quando de um lado estiver Putin e do outro os neocons...

Anónimo disse...

Enquanto os israelitas e os indianos continuarem a mandar no Pentágono e nas Empresas de Guerra... só podemos é esperar Guerras... E como, quer o Irão quer o Paquistão, são fortes ameaças a estes dois "povos", já se está a ver o que daqui vai sair! Não é à toa que a Síria está a sofrer o que está a sofrer, pois o seu território está pejado de "rebeldes não-sírios"... sai da Síria um fedor a déjá vu que até se sente nas Flores!!!