segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mario Draghi

É muito interessante observar a diferença de atitude, em termos de apresentação pública das coisas, entre o atual presidente do Banco Central Europeu, o italiano Mario Draghi, e o seu antecessor, o francês Jean-Claude Trichet. 

Há cerca de dois meses ouvi ambos falar em Paris, num seminário fechado à imprensa, e fiquei com a impressão (errada, pelos vistos) de que ambos seguiam um firme guião, que já pudera detetar numa conferência do vice-presidente do BCE, Vitor Constâncio. Hoje, ao ler a entrevista que Draghi dá ao "Financial Times", mudei essa ideia.

Draghi começa a afirmar uma linha pública que, não se afastando da proverbial prudência da instituição, analisa cenários que Trichet recusava, como é o caso da possibilidade do fim do euro. Mais do que na esfera política, eu habituei-me a ter em conta muito particular estas "nuances" de discurso deste tipo de banqueiros que, como é sabido, acarretam muitas vezes consigo (e eles sabem isso melhor que ninguém) consequências no comportamento dos mercados. Um governador de um banco central (e o BCE não é um qualquer banco central) nunca diz nada por acaso e Mario Draghi tem revelado ser um homem altamente qualificado e preparado. Só que - e o defeito é meu, com certeza -, eu ainda não entendi até onde Mario Graghi quer chegar com a adoção deste diferente discurso. Mas vou continuar a tentar perceber, até porque isto não é indiferente para um país como o nosso.

7 comentários:

Catinga disse...

Cada vez mais, a pergunta é: devo abrir uma conta em Dólares ou nem isso me safa?

Anónimo disse...

Quando Alan Greenspan, num célebre discurso, mencionou de passagem a "exuberância irracional dos mercados", causou de imediato um crash bolsista. As palavras de Draghi, no entanto, parecem não ser levadas muito a sério. Indicará isso talvez que os mercados sabem do desnorte que vai pela Europa e que o BCE não tem um real poder? Ou que já descontaram o eventual cenário de colapso do euro?

DL

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Está, definitivamente, o caldo entornado. Se o presidente do BCE diz o que sente - e tem de se acreditar que assim é - estamos metidos num imbróglio ainda maior do que se pensava. Nem a Senhora do Agrela...

Anónimo disse...

Caro Sr Embaixador ,

Sempre dentro de uma grande modestia, gostava de deixar-lhe este " copy paste" da wikipedia:

Draghi was then vice chairman and managing director of Goldman Sachs International and a member of the firm-wide management committee (2002–2005).[4] A controversy existed on his duties while employed at Goldman Sachs.[4] Pascal Canfin (MEP) asserted Draghi was involved in swaps for European governments, namely Greece, trying to disguise their countries' economic status. Draghi responded that the deals were "undertaken before my joining Goldman Sachs [and] I had nothing to do with" them, in the 2011 European Parliament nomination hearings.[5][6]


Como leu o Sr Mario Draghi é um "Goldman Sachs" boy . E depois? Dirá !
Pois é !

Também retirado da Wikipedia e sobre o CEO da Goldman Sachs e chefe directo de Mario Dragh, Sr Pulson :

It has been pointed out that Paulson's plan could potentially have some conflicts of interest, since Paulson was a former CEO of Goldman Sachs, a firm that may benefit largely from the plan. Economic columnists called for more scrutiny of his actions.[36] Questions remain about Paulson's interest, despite having no direct financial interest in Goldman, since he had sold his entire stake in the firm prior to becoming Treasury Secretary, pursuant to ethics law.[37] The Goldman Sachs benefit from AIG bailout was recently estimated as USD 12.9 billion and GS was the largest recipient of the public funds from AIG.[38] Creating the collateralized debt obligations (CDO's) forming the basis of the current crisis was an active part of Goldman Sach's business during Paulson's tenure as CEO. Opponents[who?] argued that Paulson remained a Wall Street insider who maintained close friendships with higher-ups of the bailout beneficiaries.[citation needed] If passed into law as originally written, the proposed bill would have given the United States Treasury Secretary unprecedented powers over the economic and financial life of the U.S. Section 8 of Paulson’s original plan stated: "Decisions by the Secretary pursuant to the authority of this Act are non-reviewable and committed to agency discretion, and may not be reviewed by any court of law or any administrative agency."[39] Some time after the passage of a rewritten bill, the press reported that the Treasury was now proposing to use these funds ($700 billion) in ways other than what was originally intended in the bill.[40]


Deu para perceber , não deu ?

Agora digo-lhe uma coisa em inglês que é para parecer "british" :

"Enought is not enought till something left "

Acho que deu para perceber !

OGman

Anónimo disse...

Respondendo aos comentadores do blog, direi que estamos num titanic que não vale a pena fugir de bom bordo para estibordo, senão o navio afunda mais depressa!

eles querem o nosso sangue e portanto o melhor é ficar quieto!

Encher a despensa com comida para 1 mês no minimo !

Ontem vi na Sic uma reportagem sobre um hipotetico plano britanico para resgatar os britanicos de portugal em caso de colapso do Euro!

Comentando a noticia, dizia um profano: Eles não têm problemas porque têm o dinheiro em Inglaterra!

Eu disse-lhes que o problema não era o dinheiro mas sim arranjar comida para comer !!!! Ai ele ficou a pensar e fugiu do pensamento !

OGman

Helena Sacadura Cabral disse...

Senhor Embaixador
O Banco Central Europeu não é um banco central no sentido estrito da palavra. Não possui os poderes que os nacionais tiveram antes do euro. O que retira força à instituição.
Acredito seriamente que a afirmação de Draghi foi voluntária e pretendeu constituir um aviso prévio, a uma solução que cada vez mais parece ser possível.
Apesar de hoje Vítor Constâncio ter vindo, outra vez, dizer o contrário e afirmar que o euro continuará.
Estes senhores nem parece que pertencem à UE!

Anónimo disse...

Podemos estar a caminho dos fins dos anos 1970 em Portugal quando havia dinheiro mas pouco para comprar. Agora pode ser que não haja dinheiro e também nada para comprar. Vai ser bonito.