sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eduardo Lourenço

Foi ontem anunciado que o prémio Pessoa deste ano distinguiu Eduardo Lourenço. Já por aqui falei, por várias vezes, deste português exemplar, residente em França, que a todos nos tem ajudado a pensar o nosso lugar no mundo e. muito em especial, na Europa. Pode aliás dizer-se, sem grande receio que alguém nos desminta, que Lourenço é o único intelectual português com um discurso coerente e estruturado sobre Portugal e a sua inserção no continente europeu. O que, sendo para ele um elogio, não deixa de ser inquietante para o país.

Por tudo isso, não vou, nesta data em que apenas envio um forte abraço ao professor Eduardo Lourenço, deter-me muito sobre a sua figura. O que penso dele e do muito que lhe devemos disse-lho numa simples homenagem que, há semanas, organizei em sua honra na embaixada.

Mas vou contar uma história, passada com ele antes desse jantar, de que foram testemunhas Vasco Graça Moura e Guilherme Oliveira Martins. Espero que ele não leve a mal que a conte, porque ela apenas revela a juventude saudável de um homem sem idade.

Lourenço chegou já sobre a hora do jantar, depois dos restantes convidados. Pediu-nos desculpa pelo atraso (que, na realidade, não existia) e explicou que acabava de chegar de Saint-Denis, nos arredores de Paris, onde fora encontrar Manoel de Oliveira, que aí filmava num estúdio onde se reproduzia uma rua do Porto (!). 

Um de nós perguntou-lhe a razão da deslocação. Curiosidade de ver Oliveira a filmar? Eduardo Lourenço deu uma daquelas gargalhadas contidas que lhe são típicas e, com uma jovialidade que só se ganha com a idade, revelou: "A verdade é que me tinham dito que o Oliveira estava, hoje, a filmar com a Jeanne Moreau e a Claudia Cardinale. E eu tinha curiosidade de ver, ao vivo, as duas senhoras". E viu ?, perguntámos. "Não, já tinham ido embora e acabei por pagar uma conta calada de taxi..." 

8 comentários:

Isabel Seixas disse...

Oh, se as Senhoras soubessem claro que tinham esperado.

Um Jeito Manso disse...

Tem graça a história que conta sobre Eduardo Lourenço, Embaixador.

Ilustra mesmo bem a introdução que escrevi há pouco sobre este mesmo tema: http://umjeitomanso.blogspot.com/2011/12/eduardo-lourenco-premio-pessoa-2011-o.html

E concordo integralmente com o que escreveu sobre ele - uma voz lúcida, límpida e, infelizmente, tão rara.

the revolution of not-yet disse...

A jovialidade e o sentido crítico perdem-se, só se ganha é um falso senso de ter construido verdades e os Alpes da côte d'Azur são a parte menos francesa de França (corsos e germanos alsacianos assimilados excluídos)

the revolution of not-yet disse...

Esse ritual de reconhecimento dos velhos mestres é próprio daqueles que não aceitam a sua mortalidade próxima e falam em jovialidade senil

e o espírito aos 88 ou aos 90 de adriano moreira ou de Ribeiro Telles ou de Miguel Mota
estão muito embotadinhos

este não é o Eduardo Lourenço do Labirinto da Saudade

nem lhe chega aos joelhos....
mas a cada um os seus mythos

patricio branco disse...

homem com muito humor e simpatia, na verdade. Empregando um lugar comum, um grande intelectual e pensador, um ensaista do mais fino que há num país onde o ensaio não é cultivado por muitos

Maria Climénia Rodrigues disse...

Morreu uma grande senhora....
"Uns partem e outros ficam,mas todos todos se vão........"


Cesaria Evora - Sodade (HD,16:9)
www.youtube.com

Helena Oneto disse...

Tenho uma admiração incondicional por Eduardo Lourenço desde a primeira vez que o ouvi, na Gulbenkian ha mais de duas décadas, pelas mesmas razões que o Senhor evocou neste e em outros postes que lhe dedicou.
Eduardo Lourenço é um historiador honesto e isento de parti-pris. Comprova-o a analise implacavel que fez em Março à TSF: http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1811816

Do grande professor, cito duas frases que dizem o que dizem:
“Os Portugueses vivem em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo.”
“A Saudade é a sensível existência humana, a si mesma inacessível e próxima. Inacessível porque próxima.”

Anónimo disse...

A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol III
A injustiça, a hipocrisia, a maldade cada vez são mais frequentes no nosso dia a dia. Mas porque é que essas pessoas que se dedicam a prejudicar os outros não tentam fazer alguma coisa de bom?
No caso da farsa do despedimento coletivo do Casino Estoril,passam já quatro anos e meio sem fim à vista por atraso da justiça a maior parte das pessoas estão na miséria e vão inevitavelmente por falta de ordem económica entrar em pobreza profunda este é o maior espectáculo de drama deste Casino Estoril o maior da Europa.
http://revelaraverdadesemcensura.blogspot.pt/63