quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ainda a solidão

A tragédia do cidadão português cujo cadáver foi descoberto, aqui em França, apenas dois anos após a sua morte, foi objecto de um artigo que hoje publico no "Correio da Manhã".

Pode ser lido aqui.

6 comentários:

Helena Oneto disse...

Realidade dolorosa da vida de muitos que foram (ou não)obrigados a deixar família e pátria para uma vida melhor(?)...

Este alerta publicado no "Correio da Manhã" podera, espero, "salvar" outros que se encontrem em situações semelhantes.

Bien à vous Senhor Embaixador !

Filipe Pereira disse...

triste e muito triste. e caso que, de facto, nao corresponde muito à mitologia do emigrante português. contudo, aqui està um caso que muito diz, nao propriamente da comunidade portuguesa de França, mas sim da sociedade em que vivemos, onde quer que estejamos e donde quer que venhamos. por nao distinguir origens, esta solidao igual à de muitos franceses, argelinos, noruegueses, senegaleses (...) que por vezes desandaram, paradoxalmente também exprime uma forma singular de integraçao ou, em clin d'oeil aos nossos amigos franceses, de assimiliçao. triste e muito triste sociedade que tanto integra quanto desintegra.
é importante, serà necessario repeti-lo, o Senhor Embaixador lembrar a quem esquece, que a emigraçao portuguesa também é feita, por parte, de dor e tristeza.
Filipe Pereira

José Barros disse...

Durante a minha carreira profissional com responsabilidades no sector social não encontrei muitos casos de tão elevada miséria em cidadãos portugueses. É verdade que muitos milhares dos nossos cidadãos em França entraram precisamente no período onde o isolamento pode atingir o auge e será preciso uma renovada atenção dos organismos vocacionados para os assuntos sociais e uma maior implementação da parte oficial. Porque para muitos, a única ligação com o exterior passava pelo trabalho e com a sua perda perdeu-se também o pouco contacto social com o patrão e com os colegas de trabalho e pode-se conhecer numa insuportável solidão.
Tive oportunidade de constatar esta triste realidade quando em 1992 o governo francês implementou a criação do “Appui Social Individualisé” (ASI) que consistia em ir procurar entre “o Stock” dos desempregados inscritos no fundo de desemprego aqueles que por ventura encontrassem maiores dificuldades de reinserção. Delegaram para isso agentes sociais dos vários ramos para levarem junto daquelas pessoas um apoio psicológico; uma ajuda nas “démarches” administrativas; um apoio para a procura de soluções a eventuais dificuldades financeiras; problemas de saúde; problemas de alojamento... Não encontrei nestas situações, na minha região, cidadãos portugueses. Mas o quadro das situações que encontrei junto de cidadãos franceses era consternador. Havia gente que nem sabia que podia pedir ajuda!
Alentei o sentimento da importância do sector associativo português e nunca compreendi aquela falta de carinho, se não falta de apoios, da parte oficial portuguesa e francesa.
Sempre apontei as associações portuguesas, com o seu “maillage” em todo o território francês, como elo de sociabilização para todas as idades onde os seus frequentadores vivem momentos de emoção fortes, momentos de entreajuda e momentos de solidariedade.

Anónimo disse...

Hum!...

Assunto grave, a solidão.

Com a sociedade cada vez mais complexa e desumanizada, esta questão é alarmante e de actualidade.


Que dizer da solidão das pessoas idosas com o alongamento da duração da vida, que alonga também, os períodos de viuvez.

Que dizer de aspectos particulares da vida na sociedade de hoje, como a solitude nos adolescentes, o recuo da vida de casal, casamento e concubinagem, monoparentalidade.

Ai dos vencidos e dos fracos! Porque nenhuma estrutura agora vira suportar todo aquele que deixou desintegrar o seu tecido de relações. Estarão fora de jogo!...

Fraqueza do "lien" interpessoal, de "lien" social?

Carlos Falcão

Adelo disse...

O Ti Zé Matos, alentejano de Barrancos, que aos seus 75 anos vive num lar da mairie em Amiens, sonhando todas as noites com a volta ao seu Alentejo, talvez ainda concretize o seu sonho.
Uma assistente social de lá contactou uma associação portuguesa que já a pôs em contacto directo com a assistência social do municipio de Barrancos.
Que o Ti Zé Matos volte á sua terra... e que os consulados portugueses em França também ajudem mais nisto, são os nossos votos
Adelo da Silva

Anónimo disse...

Quando a solidão veste a solidão da indiferença atinge o anonimato.
Gostei imenso do artigo,sucinto, mas expressivo do retrato de solidão.
Isabel Seixas