sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Eduardo Lourenço no Conselho de Estado

Foi agora anunciado que Marcelo Rebelo de Sousa tenciona nomear Eduardo Lourenço para o Conselho de Estado. Isto hoje está complicado: lá vou eu ter de elogiar mais uma decisão do presidente "to be"! 

É que, para além da grande elegância do gesto, o nome do meu querido amigo Eduardo Lourenço é a garantia de poder vir a ouvir-se naquele órgão a palavra serena de alguém que há muito nos pensa, radiografa os nossos sentimentos coletivos e bussoliza o nosso futuro. Só tenho pena que a regra do segredo que faz parte da liturgia do cenáculo nos não venha a permitir usufruir das palavras sábias que Lourenço por lá irá deixar.

Acabo com algo que já contei por aqui. Uma tarde, em Paris, há cerca de sete anos, Eduardo Lourenço apresentava Marcelo, a abrir uma conferência que este iria fazer na delegação da Fundação Gulbenkian. E saiu-lhe esta tirada lapidar: "O Marcelo é uma figura que, desde há vários anos, está como que numa janela a fazer comentários sobre o país que passa na rua, lá em baixo, E, por vezes, nessa mesma rua passa também o próprio Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o qual, com naturalidade, ele também se pronuncia".  

9 comentários:

Anónimo disse...

Boa noticia. Há muito que leio e ouço o que este senhor diz. De facto é dos poucos que sabe analisar este País, sem palas politiqueiras e sem interesses partidários. Ele está acima dessas coisas.

Anónimo disse...

É verdade, caro Francisco. Foi uma sessāo inesquecivel, essa que menciona. Ficou na Historia, como se vê.

JPGarcia

Anónimo disse...

Nunca ouvi falar. Quem é?

Anónimo disse...

E mais se surpreenderá sr Embaixador. Marcelo tem a inteligência para ser um Presidente para a história. E a independência bastante.
Com consideração.
P.

José Martins disse...

Senhor embaixador,
O ditado: "chega-te aos bons que serás como eles, chega-te aos maus serás pior que eles"
Bato palmas a Marcelo.
Saudaões de Banguecoque

Anónimo disse...

Quem será o ignorante anónimo das 17:41?!

ignatz disse...

"Quem será o ignorante anónimo das 17:41?!"

deve ser da tua família, têm o mesmo apelido.

Isabel Seixas disse...

Será com muito gosto e porque gosto, que darei também a bem da Nação a mão à palmatória.
Embora o meu presidente dos candidatos seria por opção o Professor Sampaio "Seixas" da Nóvoa...
Em tempos sugeri-O a Si sr. Embaixador e à Doutora Helena Sacadura Cabral , não quiseram,olhe paciência.

Agora Eduardo Lourenço ó se gosto

Eduardo Lourenço
5 Citações


Cultura

A Cultura não é o lugar de revelação alguma, é apenas o lugar onde todas as revelações são examinadas e discutidas sem fim. Para que cada um de nós possa viver dessa discussão infinita do mundo e de si mesmo.

Público

Sociedade

A televisão é um instrumento permanente do 'divertissement'. (...) É uma cultura do esquecimento e uma criação do esquecimento sobre o esquecimento

DNa (DN)

Sociedade

Passámos do trágico para uma espécie de carnavalização de todas as experiências, todas as atitudes humanas. Hoje não é dúvida de que o espaço próprio da civilização a que pertencemos se chama televisão



Politica

A Europa real é uma colecção de identidades que já não têm a capacidade de se viver plenamente como nações, nem a força de querer e de imaginar a futura Europa como uma nova espécie de nação

Público

Povo

Nação pequena que foi maior do que os deuses em geral o permitem, Portugal precisa dessa espécie de delírio manso, desse sonho acordado que, às vezes, se assemelha ao dos videntes (Voyants no sentido de Rimbaud) e, outras, à pura inconsciência, para estar à altura de si mesmo. Poucos povos serão como o nosso tão intimamente quixotescos, quer dizer, tão indistintamente Quixote e Sancho. Quando se sonharam sonhos maiores do que nós, mesmo a parte de Sancho que nos enraíza na realidade está sempre pronta a tomar os moinhos por gigantes. A nossa última aventura quixotesca tirou-nos a venda dos olhos, e a nossa imagem é hoje mais serena e mais harmoniosa que noutras épocas de desvairo o pôde ser. Mas não nos muda os sonhos

Jornal das Letras, mas tendo como fonte "Portugal - identidade e imagem" in "Nós e a Europa ou as duas razões", por Eduardo Lourenço (1988)
Jornal de Letras


JC disse...

"Bussolizar" se permite que diga, não existe. Admite-se "bussolar".