domingo, 3 de janeiro de 2016

Presidenciais

Tinha prometido a mim mesmo não ver debates televisivos nas eleições presidenciais. Mas "a carne é fraca" e, anteontem, não resisti a observar o anunciado espetáculo de Tino de Rans com Marcelo Rebelo de Sousa. O show foi antecedido do "número" de um senhor grave que, "à Santana Lopes", abandonou a cadeira. Havia ainda um outro senhor cujo nome (ainda) não decorei e cujo fascinante currículo vou pesquisar no LinkedIn, e que disse umas coisas notáveis. Um ponto comum a todos os candidatos foi terem proferido afirmações da maior "sensatez" - a acreditar em Marcelo Rebelo de Sousa, qualidade não acessível a todos os mortais.

Há pouco, noutra distração - apenas porque no "zapping" tinha achado graça ao "ticket" -, assisti ao debate entre Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa, "moderado" por Rodrigues dos Santos. Este pareceu possuído pela diabolização de Sócrates e, subitamente, deixou de tentar ser jornalista moderador e passou a atacar Sampaio da Nóvoa, como se a este não bastasse o facto de Henrique Neto já o ter tomado como alvo, nem que para tal tivesse sido obrigado a dizer bem de Passos Coelho. Nóvoa, coitado, correto mas claramente sem "killer instinct", fez de "punching bag" de ambos, acabando despedido secamente por um deliciado Rodrigues dos Santos, dono do gong.

José Rodrigues dos Santos, que em tempos longínquos estagiou na BBC, esforça-se há anos por fazer de Jeremy Paxman da paróquia, mas nem na qualidade das gravatas consegue aproximar-se. E - uma vez mais! - fez passar uma vergonha ao diretor de informação, Paulo Dentinho. Não foi "Serviço Público", foi "Serviço Correio da Manhã".

9 comentários:

Majo disse...

~~~
~ Sabe que no dia em que faleceu a irmã Lúcia,
eu que nem acredito em santos milagreiros, tive
a atitude mais paciente dos meus últimos tempos.

Telefonei para a TV e registei a minha indignada
reclamação, porque JRS estava a fazer o trabalho
noticioso especial, com um trapo que ainda tinha
o formato dum ''papillon'' de bolinhas vermelhas!

~ Fui de tal modo incisiva, que no dia seguinte,
chegaram novas gravatas à RTP que ainda estão
no ativo. O horroroso laço nunca mais me repugnou.

JRS tem uma forma bastante pirosa de assumir-se
como independente, como deveriam ser, realmente,
os funcionários da televisão pública.

~ Quanto aos violinos(sssrs)
Viva o Slimani e o resto é paisagem...
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Joaquim de Freitas disse...

Nunca tinha assistido a este género de espectáculo na televisão portuguesa. O Senhor Embaixador disse tudo , e muito bem, neste parágrafo:

""moderado" por Rodrigues dos Santos. Este pareceu possuído pela diabolização de Sócrates e, subitamente, deixou de tentar ser jornalista moderador e passou a atacar Sampaio da Nóvoa, como se a este não bastasse o facto de Henrique Neto já o ter tomado como alvo, nem que para tal tivesse sido obrigado a dizer bem de Passos Coelho. Nóvoa, coitado, correto mas claramente sem "killer instinct", fez de "punching bag" de ambos, acabando despedido secamente por um deliciado Rodrigues dos Santos, dono do gong."

Mas que miséria de jornalismo! O indivíduo aparece todo "inchado" do poder que lhe dá o "gong"! Deve já ter "escolhido" o "seu candidato" algures... Proteger o futuro, o seu futuro, deve ser a sua preocupação essencial! Ajudar os telespectadores a fazer uma escolha acertada em função dos interesses da Nação, não está na sua divisa! Faz-me pensar a certos jornalistas do " Le Figaro" na TV francesa!

Quanto a Sampaio da Novoa, não é , realmente, "killer" quem quer! Há princípios básicos na personalidade de cada indivíduo que vêm sempre à superfície e imperam nas discussões deste género. Para ganhar, é preciso abandonar os princípios e visar só, só, os objectivos. A democracia não é para "enfants de coeur".

Helena Sacadura Cabral disse...

"Quanto a Sampaio da Novoa, não é , realmente, "killer" quem quer! Há princípios básicos na personalidade de cada indivíduo que vêm sempre à superfície e imperam nas discussões deste género. Para ganhar, é preciso abandonar os princípios e visar só, só, os objectivos. A democracia não é para "enfants de coeur"."

Não posso estar mais de acordo com esta frase de Joaquim de Freitas!
Na política se não houver um Killer instinct está-se feito ao bife como agora se diz!

Anónimo disse...

Rodrigues dos Santos tornou-se uma estrela e há muito deixou de ser jornalista . As suas entoações e expressões contorcidas faz com que não nos de notícias , mas a opinião dele sobre as notícias, o que é levar o jornalismo ao mais baixo nível e isto num canal público. O seu ataque a Sócrates no que nem uma entrevista era, e do ponto de vista deontológico, inadmissível e o partidarismo que abertamente ao dar notícias durnte as eleições , lamentável.
Fernando Neves

Anónimo disse...

Tomei devida nota do que para Helena Sacadura Cabral importou nesse debate. Não foi a atitude de jornalismo reles de José Rodrigues dos Santos, mas o taç killer instinct de Sampaio da Nóvoa, um grande Senhor (e intelectualmente beilhante). HSC satisfaz-se com este tipo de episódios, já que, ao que li em tempos no blogue Fio de Prumo, Sampaio da Nóvoa está longe de ser o seu candidato, ou não tivesse ele o apoio da esquerda do PS e outros eleitores de esquerda. No que se passou no debate que aqui é referido, impõe-se distância, ou seja, aquilo que interessa é reconhecer o que se passou. O comportamento de mau jornalismo da parte de JRD.No final, quem saiu dali a ganhar foi Samapaio da Nóvoa. Com dignidade. Mesmo que tal tenha divertido pessoas como HSC.
Manuel Rezende

aamgvieira disse...

Força camaradas !

Helena Sacadura Cabral disse...

Manuel Rezende
Sampaio da Novoa não é de facto o meu candidato. Mas aconselho-o a ler bem a transcrição que fiz e o comentário meu que se lhe seguiu. Que está longe de levar à sua conclusão.
Na política quem não tenha o tal Killer instinct terá muita dificuldade face aqueles que o têm. E não foi só Henrique Neto que o manifestou nos debates que vi até agora.
Apenas lhe lembro que Sampaio da Novoa não é o único candidato de esquerda. Nesse campo tenho bastante por onde escolher.
Quanto aos comentários que faz sobre José Rodrigues dos Santos e aquilo que me satisfaz, não vou, como é evidente, responder-lhe.


EGR disse...

Senhor Embaixador: José Rodrigues dos Santos vem refinando aquilo que sempre foi em termos profiisonais: um sujeito execravel que vá lá saber-se por que razão, se transformou numa vedeta, a quem tudo se permite; desde o recurso a tons de quase histeria, passando pelo gesticular desenfreado, as expressões faciais-incluido aquele inacreditavel piscar de olho- de variada especie, até a sua escandalosa falta de isenção, é possivel encontrar no dito, de tudo um pouco; e só não entendo porque motivo até hoje nenhuma direcção de informação da RTP o tenha posto na ordem parecendo-me até que nos últimos tempos ele ganhou protagonismo.
As vezes lembro-me de que qundo o Dr. Almerindo Marques foi presidente do CA da RTP e mandou instaurar um processo disciplinar foi uma pena não o ter despedido.
Tinha-nos feito um grande favor!

Anónimo disse...

Gostaria de ver alguém a pôr o JRS no lugar dele - talvez começando por perguntar-lhe se ele era moderador ou estava ali na qualidade de candidato a PR a debater com os outros; e recordar-lhe ainda que as normas da boa educação determinam que quando se convida alguém para nossa casa não se ataca o convidado. Mas "tadinho", temos de perceber que o JRS ficou traumatizado porque Sócrates lhe chamou papagaio e advogado do diabo, e desde então resolveu cilindrar quem não jure a pés juntos abominar Sócrates.
Acontece que traumas desse género se tratam no recato do consultório do psiquiatra e não no local de trabalho.
MPDAguiar