sábado, 3 de outubro de 2015

Os inimigos do Barão Vermelho


Ferreira Fernandes elabora hoje no DN sobre Corto Maltese. Tudo bem! Nada me move contra esse aventureiro de cepa maltesa, saído do traço do genial Hugo Pratt, cujas deambulações também tentei seguir, por aqui ou por ali, embora sem o empenho das que FF nos descreve. 

Verifico mesmo que cruzámos algumas esquinas e mares comuns, à sombra das memórias de Corto. Imagino que também ele tenha procurado, nos arredores de Buenos Aires, as míticas "duas luas". Uma noite, convenci quem me acompanhava a fazer essa aventura e acabei por ser brindado com uma lua nova. Ou seriam duas? Nunca se sabe, com uma lua nova...

Como é sabido, Corto Maltese encontrou nos seus caminhos essa figura histórica que foi Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho alemão, que atazanou as tropas aliadas na primeira Guerra Mundial. Na crónica, Ferreira Fernandes não alude, creio que deliberadamente, a esse episódio da imensa saga do seu herói de estimação. Pressinto que sei por que o faz. E perdoo-lhe isso. 

É que Ferreira Fernandes sabia que seria indelicado, e até menorizante, fazê-lo no dia de hoje. É que faz hoje precisamente 65 anos que nasceu uma figura cujo imaginário viria a ter combates épicos com Von Richthofen, documentados pela pena de Charles Schultz nos "Peanuts". O Corto, caro Ferreira Fernandes, pode ter criado alguns engulhos ao Barão, personagem cuja cor nos afasta e aproxima. Mas Snoopy, esse herói silencioso, viria a inflingir ao aristocrata alado de Berlim alguns banhos imemoriais de luta, por céus de glória infinda. Não há comparação! Você sabe...

Agora que vamos entrar num tempo em que a paciência de cão vai ser mais necessária do que nunca, e reconhecendo embora que pode ser de valia a "expertise" de Corto com a pirataria que por aí anda, agora ainda mais à solta, devo dizer que anseio ver o Snoopy a morder as canelas dos piratas do pote. Connosco a atiçá-lo, claro!

2 comentários:

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
Ferreira Fernandes faz parte dos meus amigos que atendi em Banguecoque. Por duas vezes que estive com ele aprendi algo. Um grande jornalista!
Saudações de Banguecoque.

Segue, a seguir, um texto referente a mim e a Ferreira Fernandes
.
“No fim do dia de 22 de Maio (1992) recebi uma chamada telefónica em minhas casa.
Era o jornalista Ferreira Fernandes do jornal "Diário Notícias" do aeroporto a pedir-me colaboração na reportagem que vinha, de Lisboa, incumbido de relatar os acontecimentos.
Respondi-lhe: "Você está com azar... a guerra terminou hoje"!
No dias 21 de Junho de 1992 o matutino "Bangkok Post", inseria uma lista com o número das casualidades:
46 mortes confirmadas (com nomes e idade designados, todos, jovens, do sexo masculino e apenas uma mulher. O mais novo abatido tinha 15 anos)
699 desaparecidos (com os nomes e idades designados)
Nunca foram apuradas as responsabilidades e os autores, parte deles já morreram e os que ainda vivem, velhos miltares, estão reformados.
O Chamlong Srimuang continua activo na política (cerca de 72 anos) e teria sido um dos autores que deu aso ao "Golpe de Estado" de 19 de Setembro de 2006 que viria a depôr o Primeiro Ministro Thaksin Shinawatra, acusado de corrupção.”
José Martins/22 de Maio 2007 (15 anos depois dos acontecimentos)
Retirado do http://aquitailandia.blogspot.com/2007/05/memrias-de-banguecoque-maio-negro.html

Anónimo disse...

Curioso!

Ainda hoje no canal história, num daqueles programas de leilões, foi encontrada e depois vendida a arma que acompanhava o asa direita do Barão Vermelho. € 50.000 por sinal.

Coincidências.