terça-feira, 6 de outubro de 2015

O CDS ainda existe?

 Na negociação feita com o PSD para a constituição da coligação "Portugal à Frente", é reconhecido que o CDS terá feito um ótimo "negócio". O número de deputados elegíveis que lhe foram consignados correspondeu à projeção dos resultados de 2011, quando todas as avaliações sobre o equilíbrio objetivo com o seu parceiro de coligação indicavam que o seu valor relativo era bem inferior. Tudo aponta para que a "generosidade" do PSD se tivesse ficado a dever ao interesse em proteger o acordo existente entre as duas formações, preservando as vantagens decorrentes da sinergia do conjunto, que é proporcionada pelo método de Hondt. De facto, o recuo de ambos os partidos face ao resultado de 2011 teria sido bem maior se acaso tivessem concorrido isoladamente.

Não obstante esta majoração artificial, o resultado da eleição de domingo debilitou fortemente o CDS na Assembleia da República, colocando-o atrás do Bloco de Esquerda e apenas com um deputado mais que o PCP. Na Madeira e nos Açores, onde o CDS concorreu sozinho, o partido teve resultados catastróficos. Tudo isto legitima a pergunta: que aconteceria hoje ao CDS se acaso se apresentasse isoladamente a eleições? 

No passado, depois de muitos ziguezagues ideológicos, de que a questão europeia foi o caso mais notório, o CDS fixou o seu "fond de commerce" em alguns nichos do mercado polìtico, assentes em questões agrícolas (a "lavoura"), na defesa dos reformados e pensionistas, com um discurso "compationate" que rimava bem com as longínquas raízes democrata-cristãs do partido do Caldas, que também se faziam sentir numa resistência às temáticas mais "fraturantes" da contemporaneidade. Noutro tempo, recordo-me que uma certa reação contra os excessos de tributação ainda colheram a atenção do CDS. Onde tudo isso já vai! 

Hoje, pode dizer-se que a aculturação com a ideologia da "troika", de que o CDS passou de discreto crítico a zeloso executor, com a retórica anti "protetorado" a servir de toque patriótico, levou toda essa especificidade identitária à frente. Não se vislumbra nenhuma bandeira que, com nitidez, alguém possa ligar à imagem do CDS que não acabe por mobilizar, de idêntica forma, o PSD. Onde começa um partido e acaba o outro? 

O CDS, salvo como grupo de pressão para colocação em lugares no aparelho de Estado, ainda existe?

25 comentários:

Anónimo disse...

este post podia-se chamar "Ode ao método de Hondt"...

Anónimo disse...

O CDS a defender a Lavoura? Deixe-me rir! Comece por perguntar o que o CDS fez aos viticultores do Douro: "ARROTEOU-OS"! E não plantou nada!

Jose Martins disse...

Senhor Embaixador,
O CDS é como aquelas plantas (fungos), parasitas, que vivem sugando a seiva de outras.
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Eu tenho, no meu quintal, bonitas orquídias que vivem agarradas a uma mangueira. Depois de introduzidas e penduradas num pedaço de casca seca de coco, absorvem a humidade do ar, as raízes não tardam a colarem-se à casca da mangeira e por ali vegetam. Eu considero o partido de que é presidente o Paulo Portas parasita que só consegue sobreviver encostado a outro.
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Partido que não tem nenhuma identidade, eleitoral, nacional!
Saudações de Banguecoque
José Martins

opjj disse...

Não entendo V.Exª, onde está o mal se o PSD cresceu! Uns crescem outros não.
Sendo V-Exª um observador atento, admiro-me como ainda não reparou na rápida denegação dos seus próprios programas do PC e do Bloco. Numas horas rasgaram os seus compromissos com o seu eleitorado. Ainda ontem num debate, Mariana Mortágua (bloco)e João Oliveira(PC), mais pareciam uns garotos, umas crianças autênticas a chorar perante um João Soares inconsistente.
Que credibilidade tem esta gente que muda de programa numas horas!
Se o PS se alia a esta gente, está feito.
è tudo uma questão de fé.
Cumps.

Anónimo disse...

Do melhor, em análise, que tenho lido no âmbito destas eleições. Sorte, jeito, habilidade?... É isso que se passa com os dirigentes do CDS. E eles governam o País e vão dando as sua ordens a estes 10 milhões que votaram noutros partidos!

josé ricardo disse...

É uma boa questão, a da validade do CDS (não esquecer o PP, porque CDS já há muito que não existe) no nosso espetro político. No entanto, tendo em conta o perfil do eleitorado português, fortemente resiliente e não adepto de grandes alterações parlamentares, a minha opinião, ainda que não totalmente creditada, é que o partido de Paulo Portas lá se aguentaria como sempre se tem aguentado. Aliás, não me admiraria nada que emergisse, ainda nesta legislatura, uma junção PS-CDS, catastrófico para o primeiro, como é evidente (mas o PS tem-nos habituado a um lento suicídio político, o qual espero ter ainda um atempado retrocesso).

Um abraço,

José Ricardo

Anónimo disse...

Receio bem que não exista. Os resultados em que surgiu sózinho deram uma ideia do que é o CDS de hoje. O PSD fez, nesse sentido, um péssimo negócio, mas, como diz, conseguiu com isso segurar uma pequena maioria relativa, que, de outro modo, nunca teria tido. Portas e o seu CDS devem valer hoje uns 2% a 3%, pouco mais do que o PAN. Daqui a 2 anos, quando voltarmos a ter eleições, devido à "vitimização" da Coligação, com o apoio maquiavélico de Marcelo PR, o CDS deverá desaparecer, ou quase. E com ele, essa "patética" figura política, Paulo Portas.
Quanto ao comentário de OPJJ sobre Mariana Mortágua e João Oliveira, do BE e PCP, se calhar esteve a ver outro canal, ou então usa umas lentes diferentes das minhas. Quem ali esteve mal, metia pena, para não dizer outra coisa, foi o Rangel do PSD, que se atizanou com a Mariana Mortágoa, insistindo em que a interromperia sempre que quisesse. Rangel é uma figura ridícula, desacreditada e incapaz. Esteve bem toda a Esquerda, de J.Soares a J.Oliveira e M.Mortágoa. Estiveram muito mal Mota Soares, cuja política praticada sobretudo na Segurança Social, não tem defesa possível, assim como Rangel, cuja voz até esteve mais estridente, vá lá saber-se porquê.
Júlio Tavares

Anónimo disse...

Embaixador, não sou do CDS, sou claramente de esquerda, votei CDU, não tenho qualquer problema em o afirmar, não sou daqueles que tem medo de dizer que vota Comunista. Pergunto, mas o PS e PSD desde que foram fundados acha que eles também tem alguma coisa a ver com o que propagavam? responda-me com sinceridade acha normal tanto o PS como o PSD se auto designarem nos seus nomes de socialistas e social democratas? não acha isso uma aut~entica vigarisse para enganar alguns otários? pois eu lhe digo que tanto o PS como o PSD não tem ética nem moral para continuarem a existir como forças legalizadas, olhe para além de serem vigaristas ao fazerem propaganda enganosa de ideologias que não tem ainda rebentaram e roubaram Portugal e a generalidade dos portugueses. Todos os que apoiam esses partidos na minha ótica se dividem em otários e criminosos.

Anónimo disse...

O PP ainda existe para satisfazer o ego do seu responsável. Se concorresse sozinho teria levado uma cabazada de todo o tamanho.

Contudo, foi inteligente. Aliou-se a um dos partidos do arco da governação e conseguiu levar a água ao seu moinho. Portas estará mais uns tempos no poder, como tanto gosta.

O mesmo deveria ter feito o PS. Apesar de não ser um Partido de esquerda (não sei como ainda mantém a mesma designação), deveria ter-se aliado ao BE ou à CDU. Eventualmente ao dois.

Mas do que precisamos mesmo é que acabem de vez com os dinossauros da política. Os carreiristas das jotas. Isso é o que Portugal precisa.

Bmonteiro disse...

E Paulo Portas, com um Vice PM no currículo, bem preocupado com a futuro do CDS.
Quanto à associação PSD-CDS, bem poderia ser consumada em definitivo, num Partido Conservador (GB) ou Republicano (USA).
E do outro lado, não fosse um PCP cristalizado no tempo do glorioso Estaline, porque não um Partido Democrata (tipo USA)?
Demasiado, para a inteligência tuga.

Anónimo disse...

Esse Bmonteiro, por certo queria que o PC fosse tipo o PC Italiano ou mesmo o Franc~es, que se arvoraram em virar sociais democratas de meia tigela e práticamente já ninguém dá por eles. O mesmo vai acontecer ao PS, que tanto teimou virar neoliberal que as pessoas neoliberal por neoliberal votam nos que sempre o foram.

Fernando Correia de Oliveira disse...

Concordo interiamente com a análise, caro Embaixador. O CDS/PP está para o PPD/PSD como Os Verdes para o PCP. Cada vez mais. Uma espécie de flor na lapela para enganar uns poucos de tolos. Já o PS, com esta derrota, pode ter iniciado o caminho do desboroamento, processo semelhante ao italiano ou ao grego - o digladiar entre as várias alas do partido vai durar por uns tempos e, a culminar, as Presidenciais serão um processo difícil de (di)gerir.

Fernando Correia de Oliveira disse...

E, já agora, se me é permitido, uma sugestão de leitura - um lúcido artigo fazendo o paralelo entre as eleições britânicas e portuguesas e a vitória dos partidos no poder. http://blogs.lse.ac.uk/europpblog/2015/10/06/how-portugals-election-resembled-the-uks-general-election-and-what-both-contests-indicate-about-european-politics/

Anónimo disse...

Pois, Portugal não precisa de esqueletos, dinossauros, luvas brancas(?) da maçonaria nem dos gourmets rosas & companhias bem aboletadas $$$$ .....

Ai que bom era o o bar "Amoreiras" , tão quentinho e rosado....

Anónimo disse...

Comparar o CDS com os Verdes?!
Mas... quem é que os Verdes teriam para por à frente da Economia, Agricultura, Segurança Social...? Quem?

Anónimo disse...

Resumindo, aquilo que a esfinge de Belém disse foi que quer o arco burgUÊS( PS, PSD E CDS) a entenderem-se. Existe também quem apelide estes 3 partidos de arco dos labregos(ao que parece na sua esmagadora maioria de apoiantes estão seres dessa natureza).

Reaça disse...

É o momento próprio para dar uma chance, nem que fosse só por um ano, ao PCP de 1917, de Jerónimo, em coligação com o partido das raparigas.

Agora ou nunca, para saber quem melhor se aguenta à bronca!

Anónimo disse...

O Aguiar Branco está a ver-se ás aranhas para ser MENE, pois o Portas quer lá voltar, nessa mesma posição. Quem vai vencer? Só Passos saberá!

EGR disse...

Senhor Embaixador: é bem revelador do que por aí vai nos "media" que ainda ninguém tenha referido o sucedido ao Dr. Portas.
Andam todos entretidos com o Dr. Alvaro Beleza e com o Dr. António Costa.

Anónimo disse...

Se o PS, PSD e CDS é o arco dos labregos, o PCP e BE é o largo do estrume

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Caríssimo Chico

Portugal é, cada vez mais, paroquial. Não falando em Belém onde vive (felizmente por pouco tempo) um papa-açorda, chegamos ao famoso "arco de governação" que, parolice minha, ainda não sei bem o que é - e o que será?

Neste jeito eclesiástico, o Dr. Portas é apenas o sacristão, para não dizer o apaga-velas; mas, ai de que o tente encostar à parede; é o mais habilidoso e equilibrista (na corda bamba) do tal "arco de governação" que continuo, militante, a não saber o que é...

O Dr. Portas faz parte - todos ou quase todos o sabem - de uma força de pressão que vai engrossando (honny soit) em Portugal. Os seus membros (mais um honny soit) são dia-a-dia mais numerosos, mais perigosos e mais poderosos; ao pé dele (dele, grupo) a maçonaria e a opus dei são peanuts. Até já se dão ao luxo de se proclamar outra opus...

Por via disso a sobrevivência do PP é uma questão de culigação (não é gralha); se o PSD lhe tirar o tapete o CDS fica como algumas espécimes no planeta Terra:em vias de extinção.

Uma última nota, pedindo desculpa ao meu Amigo Seixas da Costa pelo comprimento deste comentário: um destes dias o blogue corre o risco de deixar de ser duas ou rês coisas para passar a chamar-se Assembleia-Geral dos "anónimos"...

Abç do Leãozão

Anónimo disse...

Antes "AGa" do que AGPa( Assembleia Geral de Pedreiros anónimos). )

Anónimo disse...

Com a devida vénia do blog "Delito de Opinião":

"E Deus sabe como os motoristas têm sido importantes na história recente do PS
por Rui Rocha, em 06.10.15

A Renascença sabe que também Rui Prudêncio, antigo líder da Federação do Oeste do PS, e também próximo de António José Seguro (foi seu motorista durante as primárias do partido), pondera avançar mas para já ainda não há confirmação."

Anónimo disse...

Henrique Antunes da Silva teve graça com aquela da força de pressão do Portas. É bem verdade, sobretudo num certo Ministério...

Catinga disse...

Ah... esta coisa de proteger os amigos e não os deixar ouvir umas...
É o chamado "tique da liberdade".