sábado, 24 de outubro de 2015

Memória


Em 1976, numa viagem de trabalho de alguns dias à Líbia, decidi regressar por Atenas, via Benghazi. Parei dois dias naquela que era a segunda cidade líbia, depois de Tripoli.

Foi aí que me dei conta que essa região oriental, a Cirenaica, era algo diferente da Tripolitânia. Os tempos não eram muito brilhantes nessa Líbia de Kadhafi, cuja imagem no imaginário internacional estava, à época, muito longe de ser aquilo em que viria a transformar-se. Mas a vida era calma, o país era rico, se bem que o peso da ditadura estivesse presente um pouco por todo o lado.

Ao ver hoje no New York Times esta triste imagem da zona marítima de Benghazi, por onde me passeei em horas descontraídas de belos fins de tarde mediterrânicos, vi como o mundo é capaz de mudar tanto, em pouco tempo, para bem pior.

4 comentários:

Manuel Tomaz disse...

A imagem é realmente aterradora. Mas há um pormenor à esquerda: Aquela ave marítima, símbolo da liberdade, é insensível ao drama daquele povo...

Antonio Cristovao disse...

E o mais ironico é que os obreiros ou facilitadores de tais desmandos, se passeiam pelo mundo, como grandes defensores da liberdade.

Eduardo Saraiva disse...

Vou "roubar"

José Sousa e Silva disse...

Discorrendo sobre a SÍRIA
A família Assad pertence ao Islão tolerante da orientação Alawid.
As mulheres sírias têm os mesmos direitos que os homens ao estudo, à saúde e à educação.
Na Síria as mulheres não são obrigadas a usar burca. A Chária (lei Islâmica) é inconstitucional.
A Síria é o único país árabe com uma constituição laica e não tolera os movimentos extremistas islâmicos.
Cerca de 10% da população síria pertence a alguma das muitas confissões cristãs. presentes desde sempre na vida política e social.
Noutros países árabes a população cristã não chega a 1% devido à hostilidade sofrida.
A Síria é o único país do Mediterrâneo que continua proprietário da sua empresa petrolífera, que não quis privatizar.
A Síria tem uma abertura à sociedade e cultura ocidentais como nenhum outro país árabe.
Ao longo da história houve cinco Papas de origem síria. A tolerância religiosa é única na zona.
Antes da guerra civil era o único país pacífico da zona, sem guerras nem conflitos internos.
A Síria é o único país árabe sem dívidas ao Fundo Monetário Internacional.
A Síria foi o único país do mundo que admitiu refugiados iraquianos sem nenhuma discriminação social, política ou religiosa.
Bashar Al Assad tem um suporte popular extremamente elevado.
Sabia que a Síria possui uma reserva de petróleo de 2500 milhões de barris, cuja exploração está reservada a empresas estatais?
Talvez agora consiga compreender melhor a razão de tanto interesse da guerra civil na Síria e de quem a patrocina ...
18-10-2015
José Sousa e Silva
(Publicado na página "Ciências Políticas e Sociais, Antropologia Cultural")