segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Do liberalismo semântico

Há uns meses, num blogue de "neocons" caseiros, vi surgir uma proclamação enfática: "nunca mais escrevemos Estado com "E" maiúsculo!".
 
Essa subliminar consigna deve estar a fazer escola. Há dias, publiquei um artigo numa revista. E lá notei que, no meu texto, sempre que eu falava de Estado, foi feito o "downgrading" da maiúscula inicial. Devem pensar: "quanto mais não seja, vencêmo-los pela gramática!" 
 
Estejamos muito atentos a estes "copydesks" ideológicos! Um destes dias, se os deixarmos grimpar, República e Constituição passam a minúscula.

23 comentários:

Anónimo disse...

Tendo em conta a pequenez das pessoas em causa, devia passar a escrever-se com minúsculas cavaco, silva, passos, coelho, portas...entre outros maduros e brancos.

José Sousa e Silva disse...

Bem observado e muito oportuno. Aplaudo !

Isabel Seixas disse...

Hum... Preciosismos de linguagem...

Pode ser mais grave quando se troca uma maiúscula por minúscula e ser acusado e feito réu de quase um crime "literário" dada a ofensa à palavra...
De qualquer forma qualquer engano é um regozijo para os infalíveis da escrita, mais precisamente para os caça "erros".

Defreitas disse...

Sr. Embaixador : O principio mesmo da globalização ultraliberal é de reduzir o Estado à sua expressão mínima.
Quando os partidos de governo forem capazes de reivindicar a possibilidade de governar, recuperarão ao mesmo tempo o poder.
Infelizmente, foram os Estados eles mesmos que promoveram a evolução que modificou a hierarquia dos poderes entre o poder publico e o mundo económico e financeiro.
Recorda-se do " There is no alternative" de Margaret Thatcher que simbolizava o ultraliberalismo , essa doutrina que visa a redução das prerrogativas e domínios de intervenção do Estado.
Vejamos o panorama actual da Europa: o Estado abriu as suas fronteiras, perdeu o controlo da moeda e do câmbio, desregulou e privatizou "à outrance".
Pior ainda: Reduziu o seu poder e deu cabo do seu crédito, quando veio ao socorro dos malabaristas da finança e dos abandonados do sistema.
Quando Maastricht proíbe o BCE e os bancos centrais dos Estados de conceder créditos às instituições publicas da zona, o Estado faz triste figura.
Quando a troika desembarca num pais e o intima a desendividar-se, obrigando o Estado a ceder os seus activos, que são os da Nação, o Estado apresenta uma triste figura. E se os activos cedidos são estratégicos, como certos serviços, os utentes podem estar certos duma coisa : irão pagar mais caro estes serviços, porque a iniciativa privada não tem escrúpulos sociais. Porque a empresa privada, os seus accionistas, não estão lá para criar empregos nem condições de trabalho, mas para acumular lucros.

Ah, esses partenariados públicos/privados !(PPP) ! Os Ingleses, que os inventaram, constataram que o custo médio do capital dum PPP é o dobro das obrigações do Estado ! e que, a perímetro comparável a gestão pública é menos onerosa !

Para que o Estado possa recuperar o seu poder, e se possa escrever com um E maiúsculo, é preciso que os partidos ditos de governo se "revoltem" contra a tentação de não governar . Isto é o que se vê hoje, aquando da alternância democrática, onde um aceita a supremacia do mercado e o outro o contesta "só" levemente !
Verdade em Portugal, mas também em França, neste momento.

Anónimo disse...

Dados o estado das coisas, o estado de alma, o estado da nação, o Estado vai sendo despromovido a estado,igualado (Caixa Geral de Aposentações vs. Segurança Social). Sempre se poupa um pouco entre o E e o e. Há que poupar no tonner, já que Paulo Portas , no "Guião", não poupou nas vírgulas, semeou-as por tudo o que era sítio.E lá se nos foi a poupança...

Anónimo disse...

Tantas vezes me dirigi aqui ao Senhor Embaixador "agoirando" os dias do seu regresso a Portugal. Tem sido assim em alguns lugares aonde exercemos a nossa actividade laboral... Hoje (depois de muito tempo de inércia)volto aqui para o felicitar pela sua preciosa postura entre todos nos!Bem-ja!

Anónimo disse...

Tanto quanti eu aprendi, talvez mal, ministros, ministérios, títulos académicos, nobiliárquicos ou outros, é tudo corrido a letra pequena. Tal como presidente, director geral etc
Durante anos decidiu-se enfatizar a importância das coisas: doutor passou a Doutor etc
O jornal "O Público" numa das poucas coisas que ele fez bem resolveu publicar um "livro de estilo" e nele Presidente voltou a presidente, com excepção do Presidente da República embora rei, bispo, e penso que papa voltaram à letra pequena.
Estado no sentido de conjunto de organismos que gerem o país é com letra pequena, tal como o dito conjunto, ministério, ministérios etc Estado no sentido de Portugal será com letra grande.
Enfim: uma confusão que me parece útil esclarecer visto tratarem-se de convenções e não há nada mais ridículo que O Excelentíssimo Senhor Professor Doutor Engenheiro Reitor Licenciado José da Silva. Tudo com letra grande incluíndo o O que era reservado a Deus!
João Vieira

Anónimo disse...

República é com letra pequena no sentido de regime político e grande no sentido de nome: República Portuguesa. Será?
Constituição, constituições é com letra pequena e não sei se o texto jurídico constituição que é o nome de uma coisa, não uma pessoa, será com letra grande.
Há que comprar a nova gramática publicada pela Gulbenkian para esclarecer estas convenções. O vício de tudo politizar é que faz pensar que se trata de uma questão ideológica!
João Vieira

Anónimo disse...

Pois é, tem toda a razão. Mas não há muitos dias V.Exª escreveu, lado a lado, as palavras República e monarquia? "Lapsus calami" ou diferenciação intencional?

Anónimo disse...

Não terei escrito república com letra grande no princípio de um parágrafo? Mas, para esclarecimento, mais depressa escreveria monarquia com letra grande do que república. Como digo, há que estudar a nova gramática, coisa que ainda não fiz, pelo que tudo o que disse está dependente da correcção da nova convenção sobre letras grandes e pequenas.
João Vieira

Anónimo disse...

P.S. vossa excelência, tudo com letra pequena, V. exa. : v com letra grande porque é uma contracção com uma única letra e exa com letra pequena por ser uma contracção com mais de uma letra. Será assim?
João Vieira

Anónimo disse...

São "neoestupídos", infelizmente !


Alexandre

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Anónimo das 11.24: Oficialmente diz-se "Republica francesa", mss o nome do Estado dinamarquês não é "Monarquia dinamarquesa". Nunca me encontrará a escrever "Reino Unido" com um "r" minúsculo. Por isso, República é com maiúscula e monarquia com minúscula. E, no distante passado, o "Reino de Portugal" era, e muito brm, com maiúscula. Não queiramos ver problemas onde eles não existem.

Anónimo disse...

“O Governo tem, desde há algum tempo a esta parte, um projecto para reformar este estado, pelo que é urgente, acima de tudo, a revisão desta constituição. A economia da república Portuguesa está estagnada, em grande parte devido à constituição que ainda temos. Sem uma Reforma do estado, o país não se desenvolverá. Tenho dito e dou o dito por não dito!”
- O Ministro Primeiro entre os seus Pares,
a) Léguas Lebre,

Anónimo disse...

O liberalisnmo semântico ainda suporto, desde que fique nas palavras, o que não suporto é o liberalismo da palavra dada ...

N371111

Anónimo disse...

Quando o meu pai entrava na nossa sala e perguntava: mas isto aqui é alguma REPÚBLICA?
Podia ser escrito com minúsculas mas “soava-me” a que todas as letras eram maiúsculas… (daí associar o mau (bom para nós) estado das coisas à situação do Estado…)
(para desanuviar) antonio pa

patricio branco disse...

o nao eliminou várias maiusculas, os meses p ex, estado pode perfeitamente escrever se com minuscula na maioria das ocasiões parece me, assim como país, republica, monasrquia e como tantas outras palavras que por qualquer sinal de respeito tendemos a iniciar com maiuscula, senhor engenheiro/sr. eng. como está? caro administrador, desde julho que não o via, o ministro que ali vai é o melhor de todos;
um dos usos de maiuscula que nenhuma obrigatoriedade tem é nos endereços, Rua da, porque não rua, ou praça, embora se use normalmente, porquê?
as maiusculas podem ser belas graficamente tambem,um Q é mais belo que um q, mas já um I é menos que um i pois lhe falta a graciosa pinta, não percebo a razão de não ter;
presidente da republica está bem, sobretudo se usado em geral, os presidentes da republica gostam de morar em Belem, aqui sim, o nome da casa deles deve ser em maiusculas, é próprio, não comum, mas os presidentes simplesmente pode ser e está correcto em minusculas, tudo caso por caso, mas essa atitude do irrevogavel, nunca mais escrevo estado com... cuidado, nem todos os propósitos irrevogáveis são Irrevogaveis, enfim, assunto curioso que dá para levar a sério ou nem tanto, tema divertido que dá pano para mangas independentemente de usos, etc

Anónimo disse...

Maiúsculo so El Rei!

a) Henrique de Menezes Vasconcellos (Vinhais)

Anónimo disse...

Reforma e governo é com letra pequena!
João Vieira

Anónimo disse...

Senhor Embaixador
Só agora pude ler a sua explicação das 14,50. Mas não é bem como diz.
Se está a referir-se a um país está bem escrever República. Mas se está a referir-se à forma como se reveste o regime ou sistema que vigora num Estado deverá escrever república e monarquia da mesma maneira, ambas com minúsculas. Como seria também o caso de império, ditadura, etc.

Anónimo disse...

Senhor Embaixador
Desculpe se me repito mas não tenho a certeza de que enviei correctamente o comentário que acabei de fazer.
Só agora pude ler a sua explioação das 14,50. Mas não é bem assim. Se estiver a referir-se ao nome de um país é claro que deverá escrever República, mas se estiver a referir-se à forma de que se reveste um Estado deverá escrever república e monarquia com minúsculas, como também império, ditadura, etc. Por exemplo:
Portugal era até 1910 uma monarquia e passou a ser uma república, tendo em 1926 sido estabelecida uma ditadura.

Anónimo disse...

Para o falso Vinhais: rei e el-rei - letra pequena mesmo com todo o respeito.
João Vieira

Anónimo disse...

Meus caros senhores: Vai por aqui uma grande bagunça de ignorância e de confusionismo (deixemos o Confúcio para as viagens à China). Com um pouco de estudo e de instrumentos fiáveis de trabalho, evitava-se isso. Se me pagarem, posso dar umas explicações,. O pagamento deverá ser em notas, não em cheque nem por transferência bancária. Não quero que o Fisco me morda... e me obrigue a declarar que não tenho dívidas às Finanças nem à Segurança Social. Perito, perito em língua é, agora, o Dr. Relvas, segundo rezaram os jornais, por terras de Vera Cruz (Veracruz), a pretexto de Olímpicos e Futebolísticos.