É necessário um imenso esforço de imaginação para se chegar ao nome em que Santana Lopes estava a pensar quando hoje disse na rádio que o “Aliança” poderia vir a ter um candidato presidencial.
segunda-feira, fevereiro 10, 2020
domingo, fevereiro 09, 2020
O perigo das escutas
- Olá! Temos de falar.
- Também acho. Aquilo em Viana correu pior do que eu pensava.
- Bem se tentou agitar as águas, mas os tipos traziam as coisas bem oleadas.
- Assim não vamos lá!
- Não há que desesperar. Temos é que definir uma estratégia clara para o futuro.
- Acho importante que fique assente o que vamos fazer com o Ventura. Começamos a trabalhar noutro nome? É que eu vejo o pessoal muito hesitante, depois da crise com o tal Abel e as conversas que os “chuchas” terão tido com o Caldas.
- Queres ir almoçar ao Salsa e Coentros?
- (Gargalhada). Depois de hoje, temos de cortar nos custos. Vamos aos Courenses...
Bolachas?
Há dias, vi um lugar vago para estacionar numa lateral da avenida da República. Achei que era sorte demais. E era: a placa dizia “Aliança”. Lembrei-me das ”Bolachas Aliança” e, só depois, de um “partido” unipessoal que teve o destino que se viu.
Confissão impopular
Ainda não me decidi sobre se Rui Pinto deve ser louvado pelo facto de ter permitido o acesso a informações que podem ajudar a pôr a nu grandes traficâncias e trafulhices, pelo que deve ser solto e pode ajudar as autoridades no combate às redes criminosas ou se é, ele próprio, um simples criminoso que, movido por interesses pessoais, praticou delitos graves na área do crime informático, que devem levá-lo a passar uns bons anos na cadeia.
Verdade seja que o facto de eu não ser adepto do Benfica ou do Porto não favorece muito a minha tomada de decisão.
É uma chatice, não é?
Sei que não dá jeito a algumas agendas, sei que vai haver logo gente a relativizar e desvalorizar isto, mas as coisas são o que são! É uma chatice, não é?
Bolas
Estão criadas as condições para que os próximos meses sejam preenchidos pelas polémicas do futebol. Os panfletos clubistas, que por cá fazem o papel de imprensa “desportiva”, e as televisões - infelizmente, todas elas - vão servir de palco a intermináveis debates, teorias conspirativas e acirramento dos confrontos. Se o país se quer maniqueu, que havemos de fazer? Podia-lhe dar para pior. Assim, dá-lhe para a bola.
OVNIs e outras distrações
É minha impressão ou anda por aí uma nova mania dos OVNIs? É uma espécie de coisa cíclica.
À margem do Lima
A hostilidade do “Observador” à linha de Rui Rio é manifesta em toda a sua cobertura do Congresso do PSD. Fica a ideia de haver por ali uma certa orfandade...
sábado, fevereiro 08, 2020
Populismo
Populismo é procurar explorar os instintos medíocres de quantos, não sabendo fazer nada, não querem que nada se faça. Populismo é pôr o parlamento ao serviço do imobilismo, degradando a imagem da instituição. Populismo é procurar travar o metro de Lisboa, apenas "porque sim".
Eu, o João e a Lampreia
A revista “Sábado” desta semana, em três belas páginas, explica que onde se come uma bela lampreia é na “Imperial de Campo de Ourique”. Onde é? Na rua Correia Teles, 67.
Ora eu, para mal dos meus pecados (por muito poucos que eles sejam, como é sabido!), não aprecio por aí além o ciclóstomo. Por esta altura do ano, sou desafiado por vários grupos de amigos para jornadas de lampreia. E lá tenho eu de explicar que o bicho nunca fez o meu género, que por isso não posso alinhar nessas alegres almoçaradas, confissão que faz subliminarmente baixar a minha cotação de gastrónomo (criada por outros, que não por mim, que sempre só me achei “gastrófilo”) e ser olhado, de forma piedosa, por esse seleto grupo de eleitos do gosto.
Mas voltemos à “Imperial”. Se fosse só pela lampreia desta época, o meu amigo João, um simpático minhoto da Barca que é dono da casa, nunca me apanhava por lá. Mas a “Imperial” tem muito mais coisas, que rodam ao longo da semana, saídas das mãos da serena dona Adelaide, trazidas às mesas pelo João e pelo filho Nuno. Ah! Quem espere luxos por ali, desengane-se: a “Imperial” é a simplicidade feita lugar.
É pelas várias propostas de cozinha tradicional portuguesa que por ali se servem, mas muito também pela amizade que, ao longo de anos, criámos com aquela simpática família, que, quase sempre uma vez por semana, por lá vamos parando para almoço (A “Imperial” só abre para jantares por encomenda, para quem esteja interessado). Jamais lá iria pela lampreia! Já agora, um aviso: se perguntarem ao João como está um qualquer prato, preparem-se para ouvir, invariavelmente, a sua expressão já clássica: “Um espetáculo!”
sexta-feira, fevereiro 07, 2020
Clima e mentalidades
Há não muitos meses, ouvi alguém com grandes responsabilidades dizer mais ou menos isto: a crise climática apresenta-se hoje já tão grave que, daqui por uns tempos, como única forma de salvar o planeta, pode vir a ser necessário impor medidas muito drásticas, que terão como consequência alterar radicalmente os nossos padrões de vida, criando muitos incómodos e suscitando fortes reações. A grande questão estará então em saber se os governos nacionais terão condições políticas para, em regime democrático, conseguirem levar à prática essas medidas, alegando “estado de necessidade”. E o meu interlocutor interrogou-se: e se os cidadãos - repito, em pleno exercício das regras da democracia - não aceitarem essas imposições, seja por egoísmo seja por não estarem convencidos de que essas soluções drásticas são, de facto, necessárias? O plano B, para salvar o planeta, terá então de passar à margem da democracia? Como? Manu militari? Ou, em alternativa, para respeitar a democracia, deixa-se o planeta “afundar”? Fiquei a pensar nisto.
Desabafos
Hoje, ao perder a paciência com o funcionamento do meu computador, dei comigo a resmungar: “Quem me dera ter aqui o Rui Pinto!”
Um país que não existe (2)
Ainda hei-de viver num país em que possa criticar abertamente o comportamento político e a atitude pública de uma mulher, com a mesma força verbal com que critico um homem, sem que ninguém me venha lembrar que essa pessoa é mulher. Mas esse país ainda não existe.
Um país que não existe (1)
Ainda hei-de viver num país em que possa criticar abertamente o comportamento político e a atitude pública de uma pessoa negra, com a mesma força verbal com que critico um branco, sem que ninguém me venha lembrar que essa pessoa é negra. Mas esse país ainda não existe.
Com que Europa?
Todos nos lembramos daquele período, após o colapso da União Soviética, durante o qual se criou, no mundo ocidental, a ilusão de que uma espécie de onda democrática se iria abater inevitavelmente sobre o planeta, num “template” de bem-estar, cooperação e respeito coletivo por uma ordem pactuada e dialogada. Era o “fim da História”, uma espécie de “amanhãs que cantam” liberais.
A ilusão foi breve, como são sempre todas as ilusões. A desaparição de alguns fatores constrangentes que a Guerra Fria tinha imposto ao mundo viria, afinal, a trazer ao de cima certas tensões abafadas, revelando feridas que não estavam fechadas, potenciando mesmo novos conflitos. Desde logo, no próprio continente europeu, como foi o caso da antiga Jugoslávia.
Por algum tempo, a Europa – ou quem falava em nome dela – achou que o seu projeto económico integrador, de inegável sucesso nos seus “trinta anos gloriosos”, estava à altura de todos esses desafios e podia finalmente transmutá-la, no novo circunstancialismo, numa potência política, não poupemos nas palavras, num grande poder mundial.
Acrescia que, do lado de lá do Atlântico estava um parceiro que, com ela, partilhava os mesmos valores civilizacionais, embora não deixasse de ser um forte concorrente económico. Mas a globalização, isto é, o capitalismo feito projeto mundial, aí estava para potenciar, quase sem limites de ambição, as vantagens da liberdade das trocas de tudo, numa fórmula em que “todos ganhavam” - desde o mundo desenvolvido àquele que procurava desenvolver-se. Além disso, surgia uma interessante janela de oportunidade estratégica: a Rússia estava em óbvia fragilidade, podendo mesmo ser objeto de alguma “cooptação” pontual e, lá longe, a China aparecia como um formidável mercado, cheio de oportunidades, com o ligeiro “senão” do seu intratável regime. Mas a Europa, e muito mais os EUA, já tinham dado amplas mostras de que, por “realpolitik”, os princípios não lhe atrapalhavam os negócios – das ditaduras petrolíferas do Golfo à África, da América Latina a alguma Ásia.
A ambição da Europa era legítima: aproveitar o declínio de Moscovo para fazer coincidir, cada vez mais, o seu projeto integrador com a sua geografia. Isso levou aos alargamentos – que se pensava irem ser uma espécie de “colonização” política do centro e leste do continente, mas que acabariam por ser, como quase todos os anteriores alargamentos tinham afinal sido, a importação de diversidades idiossincráticas que iriam influir na unidade funcional do projeto. E essa ambição fez mesmo caminhar os mais ousados para um aprofundamento com uma moeda comum no seu centro. Tocava-se assim já o “core” das soberanias e isso, para alguns, foi “a bridge too far”.
O mundo, contudo, não teve a gentileza de parar para deixar maturar o projeto europeu. Uma crise financeira mostrou as suas insuficiências estruturais, as vantagens distribuíam-se de forma não equilibrada, o gigantismo conduziu à emergência de crescentes clivagens internas. Medos vários, perceções diferentes sobre regras, vizinhanças próximas vistas de forma diversa, lutas pelo poder decisório, tudo isso abalou o projeto – o qual, repita-se, era magnífico. Enfim, nada de novo face a um passado, feito da prevalência de poderes nacionais, que alguns ingenuamente pensavam remetidos para o caixote do lixo da História, para usar a fórmula de Marx.
Com outros cenários a entrarem em convulsão, do Magreb ao Machrek, neste caso por evidente irresponsabilidade americana, com ondas terroristas, tensões migratórias, crises de refugiados e pulsões identitárias, a Europa acabou por ser fortemente sacudida. Um dia, Londres decidiu fazer o último dos “opt-outs” que sempre tinham deliciado os britânicos. Os EUA elegeram um líder que favorecia abertamente a desunião europeia, desprezava a aliança transatlântica e punha em causa o sistema multilateral. A Rússia torna-se mais agressiva e ameaça ser mais intrusiva. E, cereja no bolo da crise, as lideranças da França e Alemanha fragilizam-se. Com que Europa pode a Europa vir a contar?
quinta-feira, fevereiro 06, 2020
Copianço
O país dá-se conta de que prevalece por cá um jornalismo “encavalitado” nos seus pares, vivendo de “furos” ou títulos alheios, explorando o trabalho dos outros, num “copianço” mais do que descarado? Algumas televisões, então, passam o tempo a citar jornais e revistas. Trabalhem!
Governo
Tenho uma plena solidariedade com este governo, que apoio e ao qual desejo uma longa vida. Acho que António Costa é, a uma distância abissal, a pessoa melhor preparada para ser e continuar a ser primeiro-ministro deste país. Dito isto, que fique bem claro: não me coibirei nunca de dizer, aberta e frontalmente, o que em cada momento pense sobre os rumos da governação e a ação dos nossos governantes. Está entendido?
Caridade
No dia de hoje, vou praticar um ato de caridade: não vou falar sobre o texto da Joacine Katar Moreira àcerca do “mulherio”. Apenas notarei, como disse Miguel Lobo Antunes, que a senhora perdeu a cabeça e ainda a não encontrou
O peso das palavras
A ministra da Agricultura pode pensar, em tese, que a epidemia acabe por ter efeitos colaterais positivos na nossa economia. Mas a sensatez recomendaria que evitasse dizê-lo. É como se, perante um atentado terrorista em Espanha, alguém dissesse: “Mais turistas vêm para cá!”
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