duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
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segunda-feira, março 09, 2026
Será?
Em França, o Rassemblement National é qualificado como sendo de "extrema-direita", com toda a naturalidade, por parte da imprensa. Em Portugal, onde o Chega está ideologicamente bastante mais à direita do que o RN, parece haver pudor (será medo?) em "chamar os bois pelos nomes".
domingo, março 08, 2026
Em Belém
sábado, março 07, 2026
Elevadores
Desculpem lá, mas alguém sabe se, com o acidente do elevador da Glória, "morreram" de vez os elevadores de Lisboa? Os restantes não deviam já estar a operar em pleno? Por que será que ninguém fala disto?
Golfo
Com a mania que Donald Trump tem de mudar a toponímia a seu bel-prazer, estou admirado que não tenha começado a chamar "Golfo Arábico" ao Golfo Pérsico, como os árabes gostam (e, já agora, alguns comentadores deviam aprender que os iranianos são muçulmanos mas não são árabes).
"A sombra de Passos"
É muito raro eu colocar por aqui um texto de que não seja autor. Hoje abro uma exceção para este artigo de José Pacheco Pereira.
"Seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo.
Passos Coelho deixou uma herança maldita no PSD, mais funda do que se pensa: o abandono da identidade social-democrata, que mal ou bem tinha sobrevivido até Cavaco Silva. O Governo Passos-Portas-troika foi mais do que um Governo de “necessidade” imposta, foi uma experiência de engenharia social que só não foi mais longe devido às limitações que o Tribunal Constitucional colocou à governação e ao falhanço da tentativa de mudar o programa do PSD que foi entregue à direita radical. Foi isso que significou “ir além da troika”.
Muitas das ideias que hoje estão encarnadas no Chega e na Iniciativa Liberal foram aplicadas pela governação de Passos, em particular a colocação como alvo da austeridade da classe média que tinha ascendido da pobreza pela acção do Estado. Este processo de elevador social era um elemento fundamental do pensamento de Sá Carneiro, e correspondia à tradição social-democrata e à doutrina social da Igreja, a de que o funcionamento do capitalismo e do mercado não eram eficazes no combate à exclusão e à injustiça social, que devia ser uma função garantida por um Estado com um programa que olhasse para a desigualdade e para as suas raízes. O último momento em que o PSD fez uma séria tentativa de aplicar este programa social-democrata foi o Plano de Erradicação das Barracas, com Cavaco Silva.
Mas, como sempre acontece, Passos deslocou o PSD para uma direita radical, atacando a função pública, colocando os “jovens” contra os seus pais e avós com a ideia de uma “justiça geracional”, atacando os sindicatos e retirando direitos aos trabalhadores, privatizando tudo o que pôde, parando apenas quando o travaram, como aconteceu com a Caixa Geral de Depósitos, e fazendo pagar a austeridade aos sectores da sociedade que tinham recentemente saído da pobreza, num processo que tenho classificado como o de “pai lavrador – filha professora primária – neto universitário”. O bloqueio do elevador social em Portugal, como noutros países da Europa, foi um dos factores do ascenso do populismo e da extrema-direita após a crise financeira da banca, que acabou por ser paga por aqueles que nenhuma culpa tinham da ganância que a motivou. Schäuble, um dos seus autores, reconheceu que errou e pediu desculpa, cá nada disso aconteceu.
Mas as políticas moldam os partidos e o PSD nunca mais foi igual. Os discípulos de Passos que não foram para o Chega nem para a Iniciativa Liberal – e muitos foram – estão hoje à frente do PSD, da direcção do partido ao grupo parlamentar. Mas são, de facto, menos “reformistas” no sentido de Passos (e, diga-se de passagem, do Chega), porque são mais tacticistas e perceberam o desgaste eleitoral do Governo Passos-Portas-troika na base eleitoral do PSD, perdendo a juventude para a Iniciativa Liberal e os mais velhos ou para a abstenção, ou para o Chega.
Porém, com ou sem “linhas vermelhas” e “não é não”, é à direita que hoje o PSD está confrontado com a diluição das suas fronteiras sociais-democratas. Essas fronteiras já tinham soçobrado em vários momentos, nas regiões autónomas e na competição com o Chega no mais perigoso tema da imigração. Embora a questão da imigração seja real e tenha havido muitos erros na governação socialista e na incapacidade de reconhecer que havia aqui um “problema”, o modo como Montenegro e o Governo a defrontaram significou um upgrade do discurso do Chega que, a partir daí, dominou a agenda política, e foi o melhor serviço que foi prestado ao Chega. A combinação de uma declaração solene do primeiro-ministro em horário nobre com a rusga hipermediática na Rua do Benformoso, o complemento da declaração dramática de Montenegro, foi sem dúvida o factor mais relevante na ascensão do Chega, que viu a sua visão estrutural da imigração impor-se pela acção do Governo.
Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA
A sombra e a motivação para o frenesim declaratório de Passos, que não tem outro sentido senão um regresso, não se sabe muito bem como, são o chamado “pacote laboral”, a “reforma” que está presente por detrás das suas declarações sobre o falhanço reformista do Governo. Não é por acaso que o “pacote laboral” é a motivação de Passos, embora o alcance da sua acção seja mais vasto. O primeiro passo de Passos é a pressão para um acordo parlamentar de fundo entre o PSD e o Chega e a Iniciativa Liberal, e qualquer acordo sobre a legislação laboral é sempre um acordo de fundo. Depois, esse acordo que daria a maioria às políticas da direita radical mostraria quem manda em Portugal, revelaria a irrelevância da esquerda, a começar pelo PS, e abriria caminho para outros acordos, a começar pelo Tribunal Constitucional e na revisão da própria Constituição. Passos está aqui em completa sintonia com a dinâmica do Chega, e o Portugal que daqui sairia seria o da direita radical, do Vox a Trump, uma espécie de institucionalização de uma guerra civil como a que já hoje se passa nos EUA.
Por isso, o pessimismo da inteligência deve ser nestes dias mais forte do que o optimismo da vontade. Se esse optimismo se dirigir para o combate duro a este caminho, será bem-vindo. É também por isso que seria bom que Passos desse passos para entrar a todo o vapor na política partidária de uma forma mais transparente do que o alimento cínico do sebastianismo."
Um texto aqui publicado há dez anos
Julgo que o conheço bem, mas quantos de nós não dirão o mesmo? É um homem inteligente, arguto, rápido, perspicaz. Por muito que o olhemos sempre no meio de muita gente, é um solitário. Confia imenso em si mesmo, porque a vida lhe tem dado razões para isso, porque a sorte também o tem bafejado, embora a sorte dê muito trabalho. Espera-se que, em Belém, saiba ouvir e seja capaz de refrear um estilo impulsivo que, por vezes, o fez cometer alguns erros. Erros que, no entanto, não foram suficientes para estragar o "percurso limpo" que, com maestria estratégica, o levou até à Presidência - verdade seja que também por falta de comparência de uns e por falta de jeito de outros.
Não vale a pena sublinhar o contraste que fará com a imagem de Cavaco Silva, que ele procurará tornar muito evidente, sem nunca o dizer. O seu modelo de presidente, também sem o dizer, é, na realidade, Mário Soares - no abraço, na afetividade, na simplicidade que, nem por ser ensaiada com coreografia de mestre, de uma forma tão natural que já faz parte de si mesmo, deixa de ter alguma coisa de genuíno. No fundo, estou certo de que, no dia que sair de Belém, também lhe não desagradaria ser comparado, em postura ética, a Jorge Sampaio. Mas também nunca o dirá. Será igual a si mesmo. Enfim, logo veremos!"
sexta-feira, março 06, 2026
O sinaleiro de Belém
Líderanças
Parece não se confirmar que esta afirmação de Trump tenha alguma coisa a ver com a liderança futura do PSD.
Perfilados de medo
quinta-feira, março 05, 2026
Gibert Jeune
Tive o privilégio de pertencer a uma geração, com pouco dinheiro mas muita sorte, que conseguia flanar algumas vezes por Paris, do final dos anos 60 em diante.
De início, chegávamos à boleia, outras vezes no Sud, à Gare de Austerlitz, mais tarde em viagens aéreas baratas e, depois, já nem por isso.
Recordo-me que, das primeiras vezes, um dos lugares tradicionais de encontro com amigos ou conhecidos, nessa época sem telemóveis, era a Place Saint-Michel, junto à fonte, ao final do dia.
Comprar livros novos, na Paris desse tempo, era um luxo. Nas Gibert Jeune ou nas Gibert Joseph, os saldos, de livros novos e usados, eram sempre magníficos. Só que, depois, era difícil transportá-los para cá. Alguns ainda por aí andam nas estantes, com poucas páginas lidas.
Leio que a Gibert Jeune da Place Saint Michel fechou portas. Pronto, que se há-de fazer!
António Lobo Antunes
Morreu António Lobo Antunes, um dos escritores maiores da língua portuguesa. Fui seu leitor desde o primeiro livro, embora não tenha lido toda a sua obra. Só o vim a conhecer pessoalmente quando vivi em Paris, capital de um país onde ele era admirado, estudado e muito divulgado. Tive-o por diversas vezes em eventos na embaixada que chefiava, jantámos em algumas ocasiões, charlámos em público outras. Tal como eu, ele admirava Melo Antunes, que cruzara na guerra colonial e de que fora um amigo muito próximo. Na relação social, António Lobo Antunes tinha, em permanência, a atitude que os franceses qualificam de "nonchalant", que desarmava os interlocutores e os deixava na dúvida sobre a importância que realmente dava às conversas. Era um homem brilhante, com tiradas magníficas, como luminosa era a sua escrita, da crónica ao romance, através da qual mantinha uma espécie de eterna guerrilha virtual com José Saramago, que se lhe terá adiantado no Nobel da Literatura por que visivelmente ansiava, embora o não quisesse admitir. A última vez que falámos foi, já há anos, na tarde de um sábado, na livraria Ler, em Campo de Ourique. Felicitei-o então pelo anúncio de que a Gallimard tinha decidido incluir a sua obra na prestigiada coleção Pléiade, ideia infelizmente ainda não concretizada. Disse-lhe que era uma extraordinária consagração; notei que ele estava compreensivelmente feliz com a notícia. O Nobel veio à nossa conversa, que por ora prefiro guardar. Deixo um abraço de muito pesar aos meus amigos e seus irmãos Miguel e Manuel.
Eles à bulha
Desde que o PSD (ainda PPD) existe, sempre achei muita graça aos seus dissídios internos. Era sempre um gosto ver aquela gente "à bulha", porque pressentia que isso ia ser bom "para nós". Nos dias de hoje, por que será que quase (só quase, claro) sinto pena de Montenegro?
quarta-feira, março 04, 2026
"Olhe que não, olhe que não"
A minha conversa semanal com Jaime Nogueira Pinto, desta vez falando de jornais.
terça-feira, março 03, 2026
segunda-feira, março 02, 2026
"Livros!"
Duas amigas
Regozijo-me ao ver duas amigas, com profissões muito diferentes, assumirem agora posições que representam óbvios passos em frente no seu percurso, como reconhecimento do seu mérito e como oportunidade para porem em prática a experiência entretanto adquirida.
Falo de Helena Carreiras, eleita reitora do ISCTE, e de Valentina Marcelino, que vai assessorar politicamente o novo ministro da Administração Interna.
Conheço Helena Carreiras do tempo em que ambos integrámos a direção do Clube de Lisboa e, depois, ao acompanhar e pontualmente colaborar com a sua ação como ministra da Defesa.
Trabalhei de perto com Valentina Marcelino no MNE, há mais de 30 anos, tendo observado depois, em Londres, o seu percurso na BBC, bem com a sua posterior especialização, como jornalista, na área onde agora vai operar.
A ambas desejo muitas felicidades.
domingo, março 01, 2026
sábado, fevereiro 28, 2026
Teste
Quando alguém acha que a necessidade de observância das regras do Direito Internacional depende da simpatia ou da antipatia que um determinado país ou regime lhe merece, fica tudo dito sobre a ética e a moralidade dessa pessoa.
Ah! Pois é!
Em França, nos últimos dias, há uma polémica sobre se uma certa maneira de pronunciar a palavra Epstein tem ou não conotações anti-semitas.
"Conta lá"
Tenho uma imensa simpatia pelo canal televisivo "Conta lá".
Falar sobre o país positivo, sobre gente que se destaca, sobre tarefas e profissões que não andam nas parangonas, sobre localidades que muita gente não conhece, é um grande serviço público.
Parabéns, "Conta lá".
sexta-feira, fevereiro 27, 2026
Britannia
O PM btitânico Keir Starmer conseguiu há semanas apoio dos seus colegas trabalhistas perante aquela que foi a primeira ameaça interna à sua liderança. A história pode, contudo, não ir ficar por ali, em especial depois da derrota na “by-election” de hoje. Se as eleições municipais de maio lhe correrem mal, Starmer - embora dispondo de uma maioria histórica que ele próprio titulou - pode vir a ter os seus dias contados.
Pavlov
Há muito que prevalece, em alguma diplomacia e forças armadas portuguesas, a atitude de estar do lado dos americanos, façam eles o que fizerem, porque são "do nosso lado" e "eles lá sabem". Curioso - e significativo - é essa atitude pavloviana persistir mesmo em tempos de Trump.
Irão
O pessoal diplomático americano não essencial em Israel foi aconselhado pelo embaixador a deixar de imediato o país. Isto pode prenunciar estar iminente um ataque americano ao Irão, a que poderia seguir-se uma retaliação iraniana sobre Israel, provavel parceiro nesse ataque.
quinta-feira, fevereiro 26, 2026
"Da Guerra e da Paz"
Bento de Jesus Caraça morreu poucos meses depois de eu nascer - e eu já nasci há bastante tempo. Foi um cientista que combateu a ditadura salazarista, a quem o fascismo não perdoou e perseguiu. A Associação com o seu nome convidou-me hoje para um colóquio onde, com o professor Pedro Bacelar de Vasconcelos, falei "Da Guerra e da Paz". Com abordagens diferentes, desenvolvemos o tema e fomos depois interpelados pela assistência. Foi uma bela sessão. Amanhã colocarei aqui um link para o que ali se disse, não vá dar-se o caso de haver gente interessada em ler.
quarta-feira, fevereiro 25, 2026
São todos iguais?
Lembram-se?
Conferência de Munique
No "Olhe que não, olhe que não" desta semana, Jaime Nogueira Pinto e eu fazemos um balanço à Conferência de Segurança de Munique.
Pode ver aqui. https://youtu.be/_8M9VotkXLc
terça-feira, fevereiro 24, 2026
"Taberna Albricoque"
Serei?
Será?
Quando a esmola é grande...
Mandelson
O que vou dizer vai soar como corporativo. E é. Mas ouvir insistentemente que o detido Peter Mandelson era "embaixador" (foi-o apenas meia dúzia de meses, de nomeação política, fora da carreira regular), quando antes havia sido lorde, deputado, ministro, comissário europeu, etc, irrita-me.
segunda-feira, fevereiro 23, 2026
Jaime Ramos
domingo, fevereiro 22, 2026
Nuremberga
sábado, fevereiro 21, 2026
O novo esperanto
Anda por aí uma polémica sobre o lugar da língua inglesa nas universidades portuguesas. Não vou entrar nela - em especial no que toca à questão da designação das escolas de economia e gestão. Neste debate, sinto que há, por vezes, um certo deslumbre provinciano, travestido de elitismo snobe. Mas existe também uma realidade incontornável, da qual me fui apercebendo ao longo dos anos: as universidades portuguesas não conseguem atrair alunos estrangeiros - que em alguns casos são essenciais à sua própria sobrevivência - se não ministrarem grande parte dos cursos em inglês. Tão simples como isto. Tem inconvenientes? Claro. Mas é a vida.
The Doctrine of Preemptive Subordination
A doutrina da subordinação preventiva
Donald Trump inventou um dia aquilo a que chamou o Conselho da Paz, inicialmente centrado na sua proposta para uma solução final da questão palestina. Para tal, juntou uns quantos parceiros, cada um dos quais passou um gordo cheque para ganhar a sua boa vontade. E logo anunciou ao mundo ter feito mais uma "paz", a caminho de um futuro Nobel. O grupo tinha gente pouco recomendável, mas não seria isso que o iria distinguir do nível ético do seu promotor.
Finalmente!
Uma bela escolha para a Administração Interna. Até que enfim que sinto vontade de elogiar uma escolha de Luís Montenegro.
"A doutrina da subordinação preventiva"
sexta-feira, fevereiro 20, 2026
Embaixadores políticos
O algoritmo humano
Um dos efeitos mais vulgares dos algoritmos é a experiência que todos já tivemos de nos ser sugerida a aquisição de produtos ou serviços, à luz daquilo que adquirimos no passado. Tenho essa prática, com regularidade, nas compras de livros que faço na Amazon, onde "eles" já sabem das minhas tendências e procuram mostrar-me aquilo em que presumem que eu possa estar interessado. E algumas vezes estou.
Mas há "algoritmos humanos". Eu explico. Um dia, no Brasil, entrei numa livraria Saraiva, um cadeia que desapareceu já há uns anos. Como acontece no comércio naquele país, quando entramos numa loja "cola-se-nos" frequentemente um empregado, que procura saber o nosso nome e tenta ser útil, embora em regra só consiga ser chato. A ideia parece ser de que uma eventual compra da nossa parte lhe possa vir a ser atribuída, para seu crédito profissional. Nada de novo. No meu caso, por regra, enxoto-os com a possível delicadeza.
Nesse dia, como é meu hábito, cirandei por todo o espaço da loja, até que me fixei numa mesa ou numa estante, da qual fui avaliando alguns livros. A certo passo, o meu "seguidor" aproximou-se com um livro na mão e perguntou: "Já viu este livro?" Já não sei que obra era, mas disse-lhe que não estava interessado. Minutos depois, apareceu-me com outro livro, que também não me despertava a atenção. Comecei a ficar intrigado e perguntei: "Por que é que me está a mostrar esses livros?"
Aquele homem, recordo bem, era uma pessoa muito simples, que manifestamente não fazia a menor ideia do conteúdo dos livros que por ali estavam. O belo tempo dos livreiros conhecedores, que nos ajudam a descobrir obras que nos interessam, já não abençoava aquelas lojas de massificação de papel.
E foi então que me explicou, em voz baixa, que fora instruído a seguir o cliente, a observar as mesas em que este mais se concentrava e, a partir daí, a propor-lhe os últimos livros dessas áreas temáticas que tivessem chegado à livraria.
Eu imagino que devia andar pelos "current issues", pelas memórias, pela política e pela história - é esse o meu habitual "fond de commerce" - e o homem tinha tentado impingir-me coisas que achava deverem corresponder ao meu perfil de comprador. Não teve sorte.
O algoritmo da Amazon é bom, bem melhor do que aquele empregado da Saraiva, mas eu continuo a preferir os bons livreiros.
quarta-feira, fevereiro 18, 2026
Júlio Isidro
Não sou íntimo de Júlio Isidro, longe disso!, mas conheço-o desde sempre. Da televisão pré-Abril, claro, onde me recordo de o ver fardado e em programas de aeromodelismo, até ao Rádio Clube Português, na Sampaio e Pina, onde conversámos nas noites "sem sono" de 1974. Bebemos depois copos com amigos comuns num bar da Infante Santo e estivemos na primeira Festa do Avante, na FIL, também nesses outros belos tempos. E, pelos anos adiante, fomo-nos cruzando, pelos acasos da sorte, aqui e ali, como aconteceu na Avenida da Liberdade, no dia em que, ambos de cravo ao peito, comemorávamos os 50 anos dela.
Bom nome?
Acho lindamente que os dirigentes dos clubes de futebol se insultem entre si, que "cortem relações" com a imprensa e coisas assim. Contudo, podiam evitar uma expressão que roça sempre o ridículo: dizerem que foi atacado o seu "bom nome". Bom nome?!
terça-feira, fevereiro 17, 2026
À mesa no Alentejo
Começo por um "disclaimer": o que vão ler está longe de ser uma crónica gastronómica. Trata-se apenas de notas despretensiosas sobre algumas "escassas" refeições, em restaurantes, num fim de semana alargado no Alentejo, aproveitando o Carnaval e a "aberta" climática.
Para chegar ao Tintos e Petiscos, indo de Estremoz, são trinta e tal quilómetros até Vaiamonte. Comecei por conhecer a casa num outro espaço, já num outro tempo. A qualidade da oferta, numa lista 100% alentejana, foi sempre boa. Vale a pena ir à arrecadação para escolher os vinhos, embora em regra nada baratos. Fui por um Douro, ainda a preço razoável. Saímos satisfeitos, como sempre por ali tem acontecido.
Deixámos Estremoz sem rever o restaurante da Pousada (só dá jantares), bem como o surpreendente Larau e, uma vez mais, sem testar como se comporta a velha Adega do Isaías, desde há uns tempos com nova gerência. E sem repetir o Alecrim, uma aposta de difícil afirmação numa terra com tão boa oferta. As obras no Águias de Ouro continuam.
Embora Estremoz seja, cada vez mais, "um caso sério" da gastronomia no Alentejo, Évora é a grande "Meca".
Quando estou em Évora, arrependo-me sempre de não regressar à Tasquinha do Oliveira, ao Dom Joaquim, ao Moinho do Cu Torto, ao Origens, ao Tua Madre, ao Quarta-Feira - e sei lá a quantos outros excelentes lugares que por lá há, para além dos que se criaram fama e se deitaram na cama.
Será?
Em França, o Rassemblement National é qualificado como sendo de "extrema-direita", com toda a naturalidade, por parte da imprensa....















































