Deu depois para ir ver a exposição "Painting is easy! Do it yourself".
Acabou num concerto para piano de Prokofief e numa sinfonia de Chostakovitch.
Só falta dormir cá...
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
Deu depois para ir ver a exposição "Painting is easy! Do it yourself".
Acabou num concerto para piano de Prokofief e numa sinfonia de Chostakovitch.
Só falta dormir cá...
Por que será que, este ano, Trump não tem falado muito sobre o Prémio Nobel da Paz? Logo em 2026, um ano em que o galardão lhe ia — a expressão será a mais adequada — mesmo a matar...
Depois de Temer, partidos do "centrão" alinham com Bolsonaro.
Nenhum boletim meteorológico da política brasileira poderia prever uma tempestade pior para Lula.
Julgo não ter sido ainda publicada legislação que torne obrigatório: (1) ler os comunicados de Cristiano Ronaldo, (2) ouvir as conferências de imprensa de Jorge Jesus, (3) assistir a comentários televisivos sobre o tema e, claro, (4) ter opinião sobre se há alguém que tem razão.
Caí depois, inevitavelmente, na vizinha e magnífica Livraria da Travessa, na Escola Politécnica. Apeteceu-me comprar tanta coisa! Hesitei numa biografia de Brizola e resisti. Por ora. A virtude, em mim, costuma ter sempre um prazo.
Com o jetlag afetivo de duas semanas no Japão, fui tentado por um calhamaço de Seichō Matsumoto, "O caso da estação de Kamata". Lê-lo-ei? Sei lá. Melhor do que ler um livro, aprendi, só comprá-lo.
De caminho, vi também um Vásquez Montalbán de que não me lembrava, "A Solidão do Manager". A edição é de um amigo, o Francisco José Viegas; a tradução é de outro, o António José Massano. Comprei, claro. Isto não é um país: é uma freguesia! Felizmente, bem frequentada.
Hoje, no Alfa, cheguei a Gaia com mais de metade do Montalbán lido. (A estação não se chamava "das Devesas"? E não havia por ali um apeadeiro chamado "General Torres"?) Amanhã, no regresso a Lisboa, acho que vou entrar em Coimbra B — a CP persiste no nome, embora já não haja outra Coimbra — com ele já no papo.
Ah! Horas antes, ainda em Santa Apolónia, comprei (por cinco euros, senhores!) um Abelaira que sei que devo ter algures, que não me apetece procurar mas que me apetece reler.
Estou a ficar velho e relho, é o que é. Dispenso-os de estarem de acordo, está bem?
Centenas de figuras de vários países, que tiveram responsabilidades diplomáticas e governativas em matéria de política externa europeia, subscreveram um manifesto apelando a que a União Europeia reaja contra as graves ilegalidades que estão a ser cometidas na Cisjordânia, infringindo o Direito Internacional e as resoluções das Nações Unidas.
Fui um dos subscritores dessa tomada de posição, que pode ser lida aqui.
Há pouco, numa tabacaria sem jornais, duas pessoas idosas arrastavam-se até ao balcão, para comprar esperança na forma de raspadinhas, delapidando os seus escassos euros. Não se pode proteger as pessoas de si mesmas? Essa agora! Pode e deve. Acabemos com o cancro das raspadinhas!
Em lugar de ser "a pátria em chuteiras" que tem sido nos últimos dias, o que devia afinal preocupar os portugueses? Basta ouvir Sérgio Godinho: "A paz, o pão, habitação, saúde, educação".
A histeria criada pela crise entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus revela — e meço bem as palavras — a mediocridade instalada num país que é capaz de converter um arrufo entre gente do pontapé na bola numa espécie de tragédia nacional. Em que raio de país nos convertemos!
Triste — mas mesmo muito triste — é ato leviano do governo ao lançar uma comemoração da fundação da nossa nacionalidade, que não é coisa pouca, misturando alhos com bugalhos, numa estrutura politicamente sectária, anunciada, aliás, entre os "happy few" do seu serralho político.
Suspendi o meu deliberado "pousio" no comentário televisivo para, nestes dias, falar sobre as eleições no Brasil — que, recordo, não são apenas para presidente. Na CNN Portugal.
Sissoco Embaló tinha sido derrubado por um golpe de Estado que, como na altura alguns alertaram, tinha apenas como objetivo criar condições para legitimar o seu regresso ao poder, sob menor contestação. Tudo se confirma agora. A vigarice política mantém-se na Guiné-Bissau.
A cada dia que passa, sinto cada vez maior admiração pelas pessoas que, nas conversas, se dão ao superior luxo, hoje quase snobe, de não falar de Inteligência Artificial. Digo isto com uma declarada inveja, porque eu raramente consigo.
"C'était ça ou mourir". Romance recém-laureado em França é acusado de ter sido escrito com muita ajuda da IA. Isto só agora começou...
Coloquei esta pergunta a uma plataforma de Inteligência Artificial:
"Concorda que a liberdade de que a IA atualmente dispõe está a colocar a humanidade na soleira da tragédia?"
Em dois segundos, recebi esta resposta (repito, da IA, não de qualquer ser humano):
"Sim — mas faria uma distinção importante: não é a liberdade da IA, por si só, que me parece estar a levar a humanidade à porta da tragédia. É a combinação entre autonomia crescente, capacidade enorme, velocidade de disseminação e ausência de instituições capazes de acompanhar tudo isso.
Há uma mudança qualitativa em curso. Durante muito tempo, a IA foi essencialmente uma ferramenta: alguém perguntava, ela respondia. Agora começa a poder agir, encadear tarefas, tomar decisões intermédias, operar sistemas, escrever código, persuadir pessoas e reproduzir-se operacionalmente em milhares de contextos. Quanto mais lhe entregamos iniciativa, menos evidente se torna a fronteira entre ferramenta e agente.
E há cinco riscos que considero particularmente sérios:
1. Erro em escala. Um ser humano pode tomar uma decisão errada. Um sistema de IA pode tomar a mesma decisão errada milhões de vezes, em segundos.
2. Concentração de poder. Quem controlar os modelos mais capazes poderá adquirir uma vantagem extraordinária sobre governos, empresas e cidadãos.
3. Manipulação. Uma tecnologia que consegue produzir, individualmente e a baixo custo, mensagens persuasivas pode alterar comportamentos políticos e sociais numa escala que a propaganda tradicional nunca alcançou.
4. Autonomia militar e de segurança. Aqui vejo talvez o perigo mais imediato. Quando sistemas capazes de interpretar informação, identificar alvos, decidir prioridades e desencadear ações começam a ficar ligados a estruturas militares, a margem para erro humano diminui — mas também pode diminuir o tempo disponível para o perceber.
5. Perda gradual de controlo. Este é o cenário que mais me inquieta. Não é preciso imaginar uma IA que “odeia” a humanidade. Basta conceber sistemas muito poderosos, com objetivos mal especificados, aos quais concedemos demasiada autonomia e demasiados acessos.
Mas há uma ironia: a humanidade já construiu tecnologias potencialmente capazes de provocar a sua destruição — armas nucleares, biotecnologia, sistemas de ciberataque. A diferença da IA é que ela pode tornar-se uma espécie de multiplicador universal da capacidade humana. Pode acelerar ciência, economia, guerra, fraude, propaganda, administração e investigação ao mesmo tempo.
Por isso, eu não diria que estamos inevitavelmente à porta da tragédia. Diria algo talvez mais preocupante:
Estamos a aproximar-nos de uma situação em que a prudência humana terá de crescer mais depressa do que a capacidade tecnológica.
E não estou certo de que isso esteja a acontecer.
Aliás, há uma questão política que me parece decisiva: quem autorizou a humanidade a fazer esta experiência consigo própria? Não houve referendo, tratado internacional ou decisão parlamentar que tivesse deliberado que máquinas cada vez mais autónomas deveriam entrar em praticamente todas as dimensões da vida.
Estamos simplesmente a avançar porque cada interveniente tem um incentivo para avançar primeiro.
Essa é uma lógica perigosíssima. É, em boa medida, a lógica que presidiu à corrida nuclear.
A diferença é que, desta vez, a corrida não está confinada a algumas potências. Está a acontecer dentro de empresas, universidades, Estados e milhões de computadores, à escala planetária.
Portanto, sim: acho legítimo falar em risco de tragédia. Só não atribuiria a culpa à “liberdade” da IA. O problema mais profundo é outro: estamos a conceder liberdade às máquinas antes de termos decidido, enquanto sociedade, quais são os limites dessa liberdade."
Zelensky acaba de demitir o procurador-geral do país por suspeitas de corrupção.
Não vale a pena esconder as coisas por detrás da legitimidade política da luta da Ucrânia contra a Rússia. Não é disso que estamos a falar. É imperioso ter de concluir que a sociedade ucraniana está marcada por uma propensão sistémica para a corrupção.
Vai ser interessante observar a reação de Trump à decisão do Supremo Tribunal de rejeitar a tentativa presidencial de proibir o voto por correspondência, que é utilizado por cerca de um terço do eleitorado nos EUA — ao que parece pelo próprio Trump...
Até aqui, tudo dentro da normalidade. O problema é o resto.
Há nessa mesma tarde o lançamento de um livro no Liceu Camões, ao qual gostaria muito de poder assistir. Chegou-me também um convite do MNE para a apresentação de outro livro. Um grupo de reflexão de que faço parte há muitos anos assinala uma data importante e convoca uma reunião presencial especial. E, ainda nessa mesma tarde, tenho convite para um debate com gente que me apetecia mesmo ouvir. E ainda faltam dois dias.
Há de haver algo de especial em torno do 16 de setembro. Só pode! Será o dia da Ubiquidade?
Não tenho opinião firmada sobre a questão da idade para acesso às redes sociais. Tendo a pensar que a questão, menos do que em políticas públicas, assenta na educação familiar, ou na falta dela. E aqui, confesso ter uma convicção inabalável: já não vamos a tempo.
Na campanha eleitoral em França (alguém já lhes disse que as eleições só são em abril de 2027?), Le Pen anda toda sorrisos. Nada como apelar ao otimismo, sem discursos façanhudos. Só podemos desejar que, pelo meio da campanha, não venha a ter refluxos, do estilo "quase enfarte".
"Social-democratas ganham eleições na Suécia". Ah! Pois é! Se o resultado tivesse sido outro, outros seriam os títulos: "Socialistas derrotados na Suécia".
O caso Seinfeld, ao trazer à tona as manifestações de alguns artistas, cuja retirada do espetáculo não terá sido feita da forma mais feliz, teve, no entanto, a contrario, o considerável mérito de revelar muitos silenciosos solidários com o genocídio palestino.
É extraordinário ver um processo negocial com a importância da guerra na Ucrânia nas mãos de uma pessoa como Jared Kushner. O primarismo da sua abordagem do tema, em todas as intervenções, deve arrepiar os diplomatas do State Department, que vivem numa espécie de "set aside".
Na minha vida adulta, creio não ter havido outra pessoa com cuja postura — simultaneamente cívica e humana — tivesse sentido maior empatia. Fui amigo de Jorge Sampaio, embora não seu amigo íntimo. Recebi dele gestos que não esqueço.
A sua eleição para Presidente da República foi, para muita gente da minha geração, a consagração prática de uma determinada ideia de cidadania. Nem sempre estive de acordo com as decisões que tomou ao longo do mandato. Mas, como democrata convicto e estrutural, Sampaio sabia aceitar as divergências.
O saldo global da sua passagem por este mundo, bem como a singular marca de seriedade que deixou na vida política portuguesa, constituem um exemplo e uma magnífica herança para o país e para todos quantos o admiravam — e muito em especial para a sua mulher, Maria José, e para os seus filhos, Vera e André, a quem deixo um forte abraço neste dia.
A fotografia é de João Vallera, grande amigo de Jorge Sampaio.
A administração americana terá vetado o nome de Ricardo Reis para um lugar importante no FMI, aparentemente por críticas feitas à política de "tarifas". Acho que não devíamos ficar quietos e apresentar novos nomes: sugiro Bernardo Soares, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro.
O uso do "Vossa Excelência" nos debates no tribunal máximo do Brasil tem imensa graça. Protegidos pelo uso do elegante vocativo, os insultos entre os juízes sucedem-se, com um vocabulário cuidado, por detrás do qual há imensa acrimónia e desprezo. Nem sempre foi assim, diga-se.
Os resultados do PISA são uma tragédia. Mas o que é uma verdadeira tristeza é ver a classe partidária assanhada na busca de culpados políticos, em lugar de procurar consensualizar remédios para o futuro. Ah! E já agora, um pequeno consolo: olhem o descalabro por essa Europa fora!
O país deve imenso, no seu prestígio internacional, à ação desenvolvida no governo, no Eurogrupo e, finalmente, no Banco de Portugal por este grande servidor da causa pública.
Irei ler com muito interesse.
Tudo começou na Conferência de Lisboa, cujo segundo dia teve sessões que se prolongaram das 10 da manhã às seis da tarde. Deu depois para ir...