duas ou três coisas
notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
segunda-feira, janeiro 12, 2026
América. Afinal havia outra?
domingo, janeiro 11, 2026
"A Arte da Guerra"
Pode ver aqui.
sábado, janeiro 10, 2026
"Fear or values - we must choose"
Não é preciso alguém desistir
Anda por aí um mito em torno da necessidade de desistência de algum dos candidatos da esquerda, antes da primeira volta, para evitar uma vitória da direita pura e dura na segunda volta das presidenciais.
"O medo ou os valores - escolham!"
Artigo que escrevi a convite da revista "Visão", na sua edição desta semana, sob o título em epígrafe
Clima
Esquina do Excelsior (café que já não existe), em Vila Real.
Comentário, à passagem: "Que frio que está!".
Resposta ouvida, bem vila-realense: "É do tempo..." (sendo que, em Vila Real, a palavra soa a "tâimpo").
Será que La Palice alguma vez calcorreou a rua Direita até ao Cabo da Vila (que ali se diz "bila")? Não diria algo de muito diferente.
sexta-feira, janeiro 09, 2026
Bruxelles
Críticas boas
Quinta-feira e outros dias
Os leitores desacordistas do "Público" aguardaram a sacrossanta coluna monotemática das quintas. Como se esperava, ela lá veio ontem (curiosamente, algo contida). Logo, de enxurrada, chegaram as cartas a zurzir o novo provedor do leitor. "Bon courage", João Garcia!
Hardware
Não sei se lhes acontece. Comigo, é o pão nosso de cada dia. Vou a uma loja de computadores ou mesmo de telefones sofististicados e, ainda com pouco tempo de conversa com quem me atende, logo constato uma crescente dificuldade de expressar o que pretendo, porque não domino o léxico. Tudo se agrava perante as perguntas que me fazem. Então, se a conversa é pelo telefone, sinto que tudo se torna ainda pior. A minha forçada modéstia leva-me quase sempre a assumir um "disclaimer", uma auto-confissão de nabice. Na realidade, era desnecessário: eles já tinham percebido.
Ontem, numa dessas lojas, onde levei um computador que achava que estava lento, a conversa foi mais curiosa e mais fácil de seguir. O técnico, que me pareceu extremamente competente, lá conseguiu encontrar um vocabulário à altura da minha própria incompetência. O que me disse ele: que o "hardware" tinha um idade apreciável e que já não comportava "software" atualizado, pelo que a lentidão operativa que eu notava era algo inelutável e que só se iria agravar. Ainda temi que, para tornar a explicação mais fácil para o leigo que sou, ele fosse tentado a acrescentar: "É como as pessoas. Com a passagem dos anos, já não conseguem processar toda a informação, tornam-se mais lentas nas reações e a memória sofre com isso". Mas não: teve a delicadeza de não me amesquinhar com uma metáfora dessas.
E lá regressei a casa com o meu "desktop" debaixo do braço, sem saber bem se vale a pena adquirir, para o meu poiso em Vila Real, material mais recente, ou se este iPad em que escrevo chega e sobra para as encomendas, que o tal tempo também tenderá a que sejam cada vez menos, como cá por casa veementemente se deseja. É que desconfio que, um destes dias, sou eu quem não vai estar, definitivamente, à altura desse novo "hardware". Tenho de pensar nisto. Com calma. Ou será com lentidão?
quinta-feira, janeiro 08, 2026
Exfiltrar
Em português, é comum a palavra "infiltração". Curiosamente, o conceito contrário - "exfiltração", para designar a retirada de algo ou alguém, de dentro para fora - raramente é utilizado na nossa língua.
A Venezuela foi palco recente de duas exfiltrações: Corina Machado e Nicolás Maduro.
100 anos
Isso veio a acontecer hoje, numa cerimónia privada que a Câmara Municipal de Vila Real teve a amabilidade de organizar para mim. O novo presidente da autarquia da minha terra, Alexandre Favaios, na presença da vereação do município, fez-me entrega da medalha e do respetivo diploma.
Apreciei muito o gesto, que agradeço com grande sinceridade.
Falar
Quando lerem que a conversa telefónica ou presencial entre líderes de dois países durou, por exemplo, uma hora, convém lembrar que, em regra, ela passa por um intérprete, o que faz com que, na prática, seja meia hora de interlocução útil. A menos que eles falem uma língua comum.
quarta-feira, janeiro 07, 2026
"O medo ou os valores - escolham!"
A "Visão", uma revista semanal feita de profissionalismo e de coragem, é um milagre do jornalismo português. Esta edição, crismada de "Não fechem os olhos", promete.
Segunda aposta
Faço uma segunda aposta em como a questão da Gronelândia não vai passar de um arrufo que, claro, se irá resolver a contento dos EUA, com a Dinamarca a não perder completamente a face. Dado que os EUA já são, nos dias de hoje, a maior presença militar na região, a Gronelândia pode vir a tornar-se, no plano militar, numa espécie de "território NATO", com acrescida presença americana, com Copenhague a fingir que manda e que "deixou", com alguns europeus a porem por lá bandeirinhas para fingir que são potências.
Primeira aposta
Faço uma primeira aposta: nunca haverá "boots on the ground" de tropas francesas, britânicas ou da "coalition of the willing" em território ucraniano. O que não significa que não possa haver uma monitorização nesse mesmo terreno feita por tropas americanas.
Comentários
Desde o início do ano, são acolhidos neste blogue alguns comentários. Relembro que os comentários devem referir-se ao assunto referido no post. Estimulam-se comentários críticos e contraditórios, desde que sejam redigidos em linguagem não agressiva e marcada pela urbanidade. Não serão publicados comentários que insiram links ou transcrições de textos. Este é um espaço que se pretende sereno, pelo que também não será transformado num "ring" de picardias entre comentadores. Sei que as redes sociais não costumam ter estas limitações, mas estas são as regras por aqui, desculpem lá!
D'accord?
Demissões
Uma dúvida sempre me assaltou: os responsáveis por serviços nos hospitais que, com estrondo mediático, e provavelmente por respeitáveis razões, regularmente anunciam a sua demissão, depois voltam? É que, se assim não for, deve haver uma legião de diretores à lareira.
terça-feira, janeiro 06, 2026
Se Lisboa diz...
"Portugal diz que o vencedor das últimas eleições, Edmundo González, tem de fazer parte do novo governo da Venezuela".
Depois de ouvir isto, tenho a certeza de que Trump vai pensar duas vezes.
Ortographico
Estou muito curioso em perceber o que se vai passar dentro do "Público", depois da desassombrada tomada de posição do seu novo "provedor do leitor", denunciando o caráter retrógrado da não utilização do "Acordo Ortographico" pelo jornal.
Triste
É simplesmente patética a reação europeia perante as ameaças de Trump. Agora, a propósito da Gronelândia, um grupinho (a Europa passou a funcionar por grupinhos) veio a terreiro fazer peito verbal com um comunicado. Coragem era defender a ordem multilateral, convocando o CSNU.
Ainda respiram?
Não sei se me surpreenda ou se me assuste por não ver o "establishment" democrático americano dissociar-se abertamente da narrativa imperial de Trump sobre os recursos do hemisfério ocidental. No passado, essas pessoas projetavam uma outra América. Desistiram ou concordam?
Será?
Trump já esclareceu que não está numa "guerra" com a Venezuela. Existe assim uma crescente curiosidade em saber se, em face da ação desencadeada, se está perante uma "operação militar especial"... É que, às vezes, "les beaux esprits se rencontrent".
Amorim
Para o bem e para o mal, não somos ingleses. Nada melhor o prova do que a forma como um grande clube como o Manchester United se comportou com Rúben Amorim. Qualquer clube português ter- lhe-ia dado com os pés há muito, sob pressão dos resultados. Dito isto, Amorim é um senhor!
segunda-feira, janeiro 05, 2026
Trump em Piscais
Aqui chegámos
Usar a regular colocação de uma muito qualificada funcionária diplomática - sei bem do que falo, como outras pessoas no MNE sabem - como arma de chicana no meio da campanha presidencial é um gesto baixo, bem revelador do estado do país em que nos deixámos cair.
Por que não te Kallas?!
A justa causa deveria poder ser usada pela UE para pôr com dono uma das mais incompetentes personalidades - e já por lá houve outras bem incompetentes - que alguma vez chegou a um posto de responsabilidade europeia: Kaja Kallas. Ao ouvi-la, apetece-me citar o rei espanhol: por que não te Kallas?
Venezuela
domingo, janeiro 04, 2026
"O regresso de Monroe"
Coragem e decência
Coragem e decência é ser capaz de caraterizar a ação americana da Venezuela como uma grosseira violação do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas, sem ter a tentação desculpabilizante de logo acrescentar um "mas..."
sábado, janeiro 03, 2026
O legítimo
Tenho cá uma desconfiança sobre quem poderá ser o ditador "legítimo" de quem, implicitamente, a atual direção do CDS terá saudades...
O regresso do bilateralismo
Pena do Maduro?
Depende
O Zé era um comerciante bastante atípico. Na sua loja de antiguidades e velharias, nem sempre era fácil comprar alguma coisa. Tinha mau feitio e, se embirrava com o potencial comprador, ou se estava relutante em desfazer-se de uma peça, começava com circunlóquios que logo afastavam a clientela. Assisti a algunas cenas dessas.
Terá sido esta última circunstância que, um dia, o meu pai, que o conhecia quase desde criança, experimentou. Entrou na loja do Zé, que era nosso vizinho de porta na avenida central da cidade, e perguntou quanto custava um relógio francês, com pêndulo de violão, que se via da rua. Desde sempre, o meu pai teve um fascínio por esse tipo de relógios. Herdei três!
O Zé, que pelos vistos estaria num dos seus dias de não querer vender, respondeu-lhe: "Depende, senhor Costa". O meu pai ficou intrigado. "Depende de quê, senhor Araújo?" E o Zé sai-se então com esta: "Depende do preço que eu pedir: tanto posso pedir nove, como dez ou doze contos por ele..." O meu pai rodou os tacões, ao mesmo tempo que lhe disse: "Estou esclarecido, senhor Araújo!" Chegou a casa furioso: "Aquele teu amigo não regula bem da cabeça!" E contou-me o episódio.
Nesse ou no dia seguinte, no balcão da Gomes, junto à máquina do fiambre, onde o Zé se encostava para fumar, de samarra sobre os ombros (em Vila Real, "homem que é homem" não veste a samarra, "para não dar confiança ao chiasco"), perguntei-lhe: "Então não quiseste vender um relógio ao meu pai? Disse-me que lhe deste uma resposta muito estranha".
O Zé riu-se: "O teu pai não percebeu o que eu lhe disse e saiu logo da loja, sem me dar tempo de lhe explicar que eu tinha ali o relógio à consignação e que o proprietário ainda não tinha decidido qual o preço exato que ia pedir".
Quando, ao fim do dia, contei a resposta do Zé ao meu pai, este não me pareceu muito convencido: "Esse teu amigo anda sempre contra o vento..."
Horas extraordinárias
"Público"
O artigo com que o novo provedor do leitor do "Público", João Garcia, abre hoje a sua primeira colaboração é exemplar: "um jornal de grande difusão não pode ser escrito de forma que seria censurada, por excesso de erros, numa prova de Português do 4.º ano de escolaridade".
sexta-feira, janeiro 02, 2026
Vidago
quinta-feira, janeiro 01, 2026
Notícias do bloqueio
Uma rede social é apenas mais um terreiro social de contacto. Na vida em sociedade, quando alguém se mostra desagradável para nós, a atitude normal é voltar-lhe as costas. Nas redes sociais, isso equivale a bloquear o contacto com essa pessoa. À bon entendeur...
Igualdade no crime
"A Arte da Guerra"
Pode ver aqui.
Pois é!
Prometi-me não cair na saloia promessa de, no ano que agora começa, fazer ou deixar de fazer certas coisas, na lógica do "a partir de agora é que vai ser!" Já tenho idade para poder fazer muitas mais e refinadas asneiras, bem como preservar e adubar todos os meus queridos vícios.
2026
Pronto! Façam favor de comentar aqui no blogue, se acaso quiserem. Já está re-aberto o espaço de comentários.
quarta-feira, dezembro 31, 2025
Boa!
Então a "solução" encontrada pelas autoridades portuguesas para fazerem face ao caos nos aeroportos foi suspender o sistema de controlo? Assim está "descoberta a pólvora"...
Isto
Neste último dia de 2025, devo dizer que nunca pensei vir a viver num país onde, pelas ruas, há cartazes de ódio xenófobo e racista, onde há partidos que fazem do egoísmo geracional um modo de vida político, onde a palavra solidariedade convoca um encolher de ombros. É isto!
Ruben
Gosto de Ruben Amorim e, a cada semana, faço figas para que tenha êxito no Manchester United. Às vezes, aprendo com o que ele diz, em especial quando não percebo o que diz: "Não jogámos bem e, quando não se joga bem com a bola, tem-se dificuldades mesmo sem ela." Um dia chego lá.
Durmam bem!
A dramatização dos momentos políticos é um velho tropismo das sociedades. Ora, na realidade, Portugal vive hoje na pacífica normalidade das suas instituições e, no leque dos candidatos com hipóteses reais de chegar a Belém, nenhum ameaça a República. Por isso, durmam bem!
Um Natal quase europeu
América. Afinal havia outra?
( Artigo com o título em epígrafe publicado a convite do "Diário de Notícias", na sua edição de hoje) Entre nós, tem algum eco uma...






















