sexta-feira, outubro 24, 2025

O que parece novo

Todos sabemos que as opiniões de Donald Trump são como os iogurtes: têm prazo curto de validade e podem acidular com facilidade. E também sabemos que a realidade dos factos pode, de um momento para o outro, infirmar qualquer esperança criada com ligeireza. 

Dito isto, e sem querer correr o risco de ser ingénuo, há que convir que, em todo o espetáculo que envolve o novo empenhamento americano no Médio Oriente, surgiram duas coisas realmente novas. 

A primeira, é o facto do plano para Gaza, que Trump vendeu a quem o vai pagar, não implicar a saída dos palestinos desse território. Andemos para trás uns meses e logo concluiremos que isto estava longe de adquirido. 

A segunda, tem a ver com a Cisjordânia: a firmeza com que o J.D. Vance e Marco Rubio rejeitaram as ideias expansionistas que emergiram no Knesset pode ter fechado a porta ao "grande Israel", o que significa, desde já, uma implícita oposição aos novos colonatos - coisa verdadeiramente nova na atitude americana, bastando olhar para as votações na ONU sobre o tema nas últimas décadas. 

Trump, por vaidade ou por tática, desenhou ou comprou um plano que, à primeira vista, pode tê-lo libertado de se colocar a reboque do comportamento de Israel. Com o massacre cometido em Gaza, Israel deve estar agora a perceber que avançou para "a bridge too far". 

Por esta altura, tudo indica que a esperança de Netanyahu é que o Hamas, ou alguém em "falsa bandeira" por ele, lhe dê um pretexto para romper o cessar-fogo. Noutra dimensão, invocando razões geoestratégicas a que Washington possa ser sensível, até para manter o fluxo da ajuda militar, Israel pode vir a desencadear ações com alguma espetáculo nos seus mercados tradicionais de impunidade - Líbano, Síria, Iemen, quiçá Irão - que lhe possam servir como fator de diversão. 

Por ora, este pode estar a ser um tempo algo desconfortável para a liderança israelita, menos à vontade para gerir, com a liberalidade habitual, aquilo que, lá no fundo, alimentava ser o sonho do "espaço vital" do Estado judaico - pedindo de empréstimo um conceito que, com total frieza, seria útil reavivar na sua memória.

TACO

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