terça-feira, novembro 30, 2021

Hélder Macedo


Hélder Macedo faz hoje 86 anos. Já nos não vemos há algum tempo. A nossa última longa e divertida conversa, ocorreu há três anos, durante uma viagem entre Lisboa e Vila Real, quando ele ali foi receber o Prémio Dom Dinis, da Fundação da Casa de Mateus. Ali iria ter também a agradável surpresa de ser condecorado pelo presidente da República.

Num desses dias, andámos pelo Douro a ver paisagens, a apreciar vinhos e a testar mesas. A Susete não pôde, infelizmente, estar connosco. Depois, o inferno triste que tem sido esta pandemia tem-nos impedido de nos vermos em Londres. Temos falado ao telefone, trocámos mensagens e emails, mas todos sabemos que não é a mesma coisa.

Neste dia de aniversário daquela que tenho a convicção de ser a mais relevante figura viva da cultura portuguesa, com uma longa e multifacetada obra, deixo aqui um abraço de grande amizade, mas também de muito sincera admiração, pessoal e intelectual, a alguém que muito prezo e de cujo trabalho - como docente, conferencista, crítico, criador literário e figura cívica - o nosso país tem obrigação de ter um grande orgulho.

Parabéns, caro Hélder!

3 comentários:

Carlos Antunes disse...

Hélder Macedo faz parte de uma notável geração de moçambicanos do tempo colonial (Reinaldo Ferreira, Rui Knopfli, Glória de Sant’Anna, Alberto de Lacerda, Eugénio Lisboa, Fernando Gil, Hermínio Martins e muitos outros que agora não vêm à mente) num meio cultural dinâmico da então Lourenço Marques (mas também da Beira), cidades abertas e espaços de liberdade que não havia então na metrópole.
Basta recordar o “Diário de Notícias”, e os quinzenários ou mensários como “A Voz de Moçambique”, “Itinerário”, “Voz Africana” e as respectivas páginas literárias dirigidas pelo Knopfli e E. Lisboa, ou os filmes de Eisenstein, Antonioni, Fellini, Milos Forman, ou do grande cinema russo, polaco, checo e húngaro, interditos na metrópole, e que então eram vistos nas salas do Manuel Rodrigues ou do Cine-Clube, ou ainda do Círculo de Cultura Musical em Moçambique onde era possível ouvir concertos absolutamente memoráveis dos maiores violinistas, pianistas e violoncelistas, que em digressão pela África do Sul, aceitavam actuar em Lourenço Marques.
Nestes tempos do facilitismo irresponsável dos historiadores e da moderna historiografia sobre o colonialismo português, é bom recordar esta notável plêiade de intelectuais moçambicanos, todos oposicionistas ao Estado Novo, mas que se viram obrigados após a independência a abandonar o país governado por uma ditadura do partido único da Frelimo.
Quando a maioria é formada na ignorância e é esta que escolhe quem manda, manda a ignorância.

JPGarcia disse...

Meu caro Francisco,

Também envio um abraço a Helder Macedo que foi ontem tema de uma curta conversa minha no Museu do Chiado com uma das maiores - talvez a maior- estudiosas da sua obra, a minha amiga Teresa Cerdeira.

Tive o gosto de receber Helder Macedo em Paris para um diálogo sobre Cesário Verde com Cleonice Berardinelli, outra amiga. Um fim de tarde inesquecível.

Um abraço

JPGarcia

maitemachado59 disse...

Infelizmente, dado os encomios acima, as poucas pessoas que conheco que trabalharam com ele (no Kings em Londres) nao tinham uma boa palavra a dizer.

maitemachado59

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