Na sua mensagem ao país, o presidente deixou três notas:
- que o país não desejava uma crise política;
- que a maioria dos portugueses não queria a rejeição deste orçamento;
- que a aprovação deste orçamento era particularmente importante, num tempo de recuperação da pandemia e na expetativa dos fundos comunitários.
Ao dizer o que disse, o presidente denunciou a irresponsabilidade dos partidos políticos, ao terem atuado como atuaram, à revelia do sentimento e interesse públicos.
Ficou a impressão de que o recado era, em especial, para o PCP, e um pouco para o Bloco, que, no passado, cada um a seu modo, tinham viabilizado orçamentos, nos dois governos socialistas.
Porém, gostava de sublinhar um ponto, que pode ter escapado a alguns: Marcelo Rebelo de Sousa também lembrou que, em tempos idos, face a governos minoritários do PS, sendo ele líder do PSD, que tal como hoje acontece era então o principal partido da oposição, havia tomado a decisão de viabilizar orçamentos, que, no entanto, lhe mereciam objeções, fazendo-o apenas por razões de Estado e de interesse do país.
Esta referência não foi, a meu ver, nada inocente: o recado sobre a irresponsabilidade política recaiu também sobre o PSD.