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sábado, novembro 06, 2021

Raret


A Netflix está a passar a série portuguesa “Glória”, situada em 1968. A história gira em torno de um jovem engenheiro, filho de um secretário de Estado da ditadura, que é militante comunista clandestino e que consegue ser colocado na Raret, com vista a executar ações “subversivas”. E que tinha uma bela namorada. Vi hoje o primeiro episódio da série. Não me entusiasmou, pelo que não tenciono ver os restantes.

A Raret era uma estrutura secreta de emissores que, durante a Guerra Fria, emitia de um determinado local no Ribatejo para os países comunistas, difundindo mensagens oriundas dos Estados Unidos, no quadro da atividade da “Rádio Europa Livre”. Essa ”ação psicológica” funcionava em sentido oposto ao das emissões que, da Rússia e de outros países do “bloco de Leste”, eram emitidas para o “lado de cá”. 

Nesse tempo da ditadura, em termos públicos, a Raret era, entre nós, um “não assunto”. A imprensa não se lhe referia e o tema era verdadeiramente tabu, só mencionado à “boca pequena”.

Vim viver para Lisboa, em 1968, para casa de um tio, nos Olivais. Num dos primeiros dias, com ele partilhei o elevador ao lado de um cavalheiro. O meu tio cumprimentou-o. Era nosso vizinho de andar. 

Quando ficámos sós, o meu tio perguntou-me: “Sabes o que é a Raret?”. Eu sabia. “Este tipo é engenheiro lá. E tem uma mulher muito bonita!” O meu tio era muito atento às mulheres. 

Dias depois, vim a constatar que ele tinha a toda razão. A senhora era lindíssima, muito bem “desenhada” e, além disso, extremamente simpática, como confirmava quando acaso coincidíamos no elevador. Era o contrário do marido, este sempre com um ar macambúzio, como talvez tivessem a obrigação de ser as figuras ligadas a coisas tão misteriosas como a Raret. Nunca soube o nome do casal.

Como se vê, em 1968, havia na Raret engenheiros que tinham mulheres muito bonitas. Tal como no cinema.

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