segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Paris, em meia dúzia de notas (5)


Foi na (quase insuperável livraria) “L’Écume des Pages” que ontem me cruzei com Élie Cohen. E que logo me lembrei (e já explico porquê) do Artur “Kiko” Castro Neves, um amigo que nos dias de hoje me faz muita falta.

Não sou um amigo antigo do “Kiko”. Comecei a “frequentá-lo” na Mesa Dois do Prócópio, creio que nos anos 90, sob a ”tutela” benévola do também saudoso Nuno Brederode Santos. (E, por saudades, naquela mesa, vale a pena deixar a triste lista: Zé Cardoso Pires, Jorge Fagundes, Raul Solnado, Zé Medeiros Ferreira, Simão Santiago, António Dias).

O “Kiko” baixava do Porto, com o seu ”papillon” e o seu sorriso, trazendo para a tertúlia um sopro de frescura nortenha, algum cosmopolitismo e muita graça. Depois de ter vivido muitos anos em Paris, onde se formou e deu aulas, regressou ao Porto, onde lecionava e publicava. Apareceu-me por mais de uma vez no Brasil, onde me apresentou gente de quem me tornei amigo. Em Paris, onde ia visitar a sua mãe, surgia-me a espaços, às vezes com a Isabel, iluminando-me sobre locais da cidade a que, sozinho, eu nunca chegaria. Era uma excelente “onda”!

Um dia, em Paris, convidou-me para almoçar com Élie Cohen, um economista francês de relevo e de renome, há muito seu amigo. Cohen era próximo de Hollande, ainda antes da chegada deste ao poder e foi-me muito útil para perceber o que seria a orientação económica da França pós-Sarkozy. Foi um contacto que, a partir daí iríamos repetir várias vezes, em algumas ocasiões na embaixada. Cohen é uma figura muito interessante, com a vantagem de ser um espírito livre e pouco ortodoxo. O “Kiko”, que o conhecia de há muito e por quem Cohen tinha imenso respeito, desenvolvia com ele conversas que me foram muito úteis. Cohen e eu comungamos as saudades pelo “Kiko” Castro Neves.

(ps - ilustro o post com uma foto do velho “Aux Trois Canettes”, que há muito fechou, lugar a que o “Kiko” Castro Neves gostava de ir - e onde se dava bem com o Alexandre - mas onde, de facto, nunca se comeu muito bem...)

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