quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Estrangeiro


Ontem, num gesto de rotina, perguntei a alguém se queria alguma coisa do “estrangeiro”, para onde parto daí a pouco. A resposta foi natural: “Não, obrigado. Já há cá tudo e, se não houver, manda-se vir pela Amazon ou diretamente das lojas”.

De facto, o mundo do comércio mudou muito, já há tudo em toda a parte. Há uns tempos, passeei por Tallin, na Estónia, numa tarde, a “fazer horas” para o avião. Com exceção de imprestáveis lojas de artesanato e de inúteis livrarias numa língua rara, as marcas comerciais eram-me quase todas familiares. Flanar ali num shopping, para escapar ao frio da rua, acabou por ser um imenso e bocejante “déjà vu”. E se atravessasse a fronteira para as terras do “amigo” russo, o panorama comercial não variava muito.

Dei então comigo a pensar o “mundo” fantástico que, nos anos 60, era o da pequena localidade de Verin, na Galiza, perto de Chaves, onde se ia, de Vila Real, uma vez por ano, pela festa do Lázaro. Aquela vilória, hoje sem o menor interesse, era então um deslumbre de coisas “diferentes” das nossas. Quantas inutilidades por ali comprei, a contar as pesetas que o meu pai me dava para “extravagâncias”!

Hoje, lembrei-me da Mothercare, umas lojas de roupa de criança que havia em vários locais de Londres (a maior era em Tottenham Court Road, creio) e que, imagino pela diferença face ao que por cá então existia, se tornou na coqueluche da minhas amigas portuguesas, nos anos 70. Sempre que ia a Londres (e ia bastantes vezes a Londres, sei lá bem porquê), era certo e sabido que levava encomendas, feitas de uns “códigos”, que eu, meio sem jeito, passava às empregadas da loja. Depois, vinha de lá atulhado de roupa e acessórios para bebés. Há dias, num “site” sobre retalho, que agora consulto por razões profissionais, li que a Mothercare está em grande dificuldades. Acontece aos (que foram os) melhores.

5 comentários:

Anónimo disse...

Nos anos setenta havia pessoas que recebiam encomendas para trazer coisas de fora. Lembro-me de, sendo miúdo, ter encomendado umas luvas de boxe (que preferi à sugestão de um muito britânico autocarro vermelho).

Anónimo disse...

Quem lhe disse que "Há cá tudo...." deve congratular-se em viver num País com poucas barreiras comerciais e no qual a alfândega não coloca grandes entraves. Mas não é assim em todo o Mundo. Muito longe disso.

Dalma disse...

Muita roupa da Mothercare vestiram os meus 3 filhos, fruto das muitas viagens do pai a essas paragens!
Era tudo mt bonito e mesmo para nós relativamente barato!

Anónimo disse...

Eram sobretudo os chamados «babygro», que, por cá, no final dos anos 60, ainda não existiam.

Anónimo disse...

Nos anos 60 os meus Pais íam a Londres muito frequentemnte e traziam-nos muita coisa. Discos, novidades etc.
Roupas que pelo menos eu não podia por para ir ao liceu porque eram tão diferentes das de cá que as pessoas estranhavam. Lembro-me do impacto de um Douflecoat cor de pêlo de camêlo da marinha britânica com botões de corno.
Eram os tempos das vestimentas discretas. Depois... as gravatas em sêda regimentais e das escolas britânicas faziam sucesso.
Para roupas de verão era diferente. Tudo se podia usar sem alarido. Recordo-me de umas camisas que eram feitas de pachwork de restos de materiais de boas camisas.
Eram tempos curiosos quanto ao vestuário.