O tempo estava pesado, quente e húmido, qual "Noite de Iguana", embora sem as amenidades do filme. O conceito de "mornaça" é tipicamente açoriano e refere-se a esse ambiente "misty". Com naturalidade, ela julgou que era a isso que eu me estava a referir. Conhecia, claro, a expressão açoreana, mas nunca tinha ouvido falar de um livro de Ferro Alves com esse nome. E era essa a minha questão.
Ferro Alves foi um revolucionário republicano que, enquanto desterrado nos Açores, interveio, em 1931, naquela que pretendia ser uma revolta nacional contra a ditadura, mas que, em termos práticos. acabou por ficar confinada à famosa e frustrada Revolta da Madeira. O livro é de 1935, tem a bela capa da imagem e é hoje uma raridade bibliográfica (tenho um exemplar algures). No fundo, é uma espécie de relato de uma revolução fracassada, tendo como curiosidade principal os telegramas eufóricos, relatando êxitos que não tiveram lugar, com que Ferro Alves debalde procurou "animar as tropas" dos infelizes revoltosos.
