O ministro da Defesa disse, numa entrevista, uma frase que, tirada do contexto em que foi dita, surge como chocante. Se lermos com cuidado a entrevista, contudo, a frase tem todo o sentido e razoabilidade.
Só que o mundo não é assim. Não tem a racionalidade que o ministro quis imprimir ao seu raciocínio e, além disso, vive hoje numa polarização e num combate político que faz com que haja um "vale tudo" no aproveitamento daquilo que "der jeito".
Perguntar-se-á então: mas se o que o ministro disse afinal estava certo, a culpa é dele ou de quem tresleu o que disse? É de ambos: o ministro deveria ter antecipado o efeito que a sua frase, se isolada, iria ter e quem leu como quis fê-lo por sua conta e risco.
Um dia, António Guterres disse-me uma coisa que, a partir de então, nunca mais esqueci: numa entrevista, a nossa pior frase é sempre o título.