sábado, setembro 10, 2016

Refletir a frio

A lamentável morte de dois militares dos Comandos está a provocar um justificado choque no país. Muitos se perguntam se a realização de exercícios violentos em tempos excecionais de calor não terá ultrapassado os limites do bom senso. O inquérito sobre o assunto - que, por uma vez, se espera rápido e conclusivo - poderá vir a fazer alguma luz.

Dito isto, há que dizer algo mais. Os Comandos são um setor especializado das nossas Forças armadas que, de há muito, prestam um serviço prestigiado à instituição militar. Trata-se de uma tropa profissional, formada por voluntários - é bom não esquecer isto. O seu treino é muito rigoroso, mas é precisamente como resultado desse rigor que a qualificação desse setor é apreciada, num tempo em que Portugal deve caminhar para uma cada vez maior especialização militar. Não é possível ter tropas portuguesas preparadas para intervirem em cenários extremos - como no Afeganistão ou no Sahel -, integradas em operações multilaterais de paz, onde muito têm prestigiado o nome de Portugal, se a sua formação não estiver à altura das rigorosas exigências desses ambientes operacionais.

Quero com isto afirmar que, não obstante achar indispensável que se apurem, sem a menor sombra de dúvida, eventuais responsabilidades por erros cometidos no caso em apreço, acho perigosas e demagógicas quaisquer ilações precipitadas no sentido do encerramento daquela força militar especial. 

Com o tempo quente que por aí vai, justifica-se ainda mais manter a cabeça fria.

5 comentários:

  1. Não é a primeira vez nas últimas duas décadas que este problema se coloca na agenda mediática, sobretudo nos Comandos; isso referido, concordo genericamente com o post, ainda que me perturbe a morte de jovens que apenas pretendiam servir o seu país.

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  2. Reaça17:11

    Alguns países da velhíssima Europa já regressaram ou pensam regressar aos seus velhos tempos do serviço militar obrigatório.
    Dos tempos em que a tropa fazia dos rapazes "um homem".
    Isso de voluntários devia acabar.
    Voluntário só quando fizesse o serviço obrigatório, e depois via se tinha vocação mental e física para a coisa.
    Paraquedista, Comando, tropas especiais? cada um por si!

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  3. ignatz18:15

    "... a morte de jovens que apenas pretendiam servir o seu país."

    eheheh... o que já chamam ao desespero de encontrar emprego e à fome do empregador em alistar o que aparece.

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  4. Anónimo13:37

    @Sr. Embaixador
    "O seu treino é muito rigoroso."
    Concordo, o treino é muito rigoroso e exigente. Ainda bem que assim é, pois em situações de combate em que o imprevisto pode acontecer é a reacção adquirida pelo treino que faz a diferença entre a vida e a morte. Mas... também há muitos actos brutais que nada teem a ver com treino mas sim com estupidez. Este caso dos comandos é um exemplo que veio a tona entre muitos que nunca se vem a saber, como as praxes nas academias (pelos menos ha uns anos atras era assim) com direito a partes do corpo completamente negras ou de um fuzileiro que num treino levou tantas que foi parar ao hospital com o maxilar partido (estes casos sao casos que vi, nao me foram contados ).

    @Reaça
    "...em que a tropa fazia dos rapazes "um homem""
    A tropa não faz homens, revela-os.

    @ingatz
    ingatz... alista-te a ver se es seleccionado

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