O primeiro, de âmbito "luso-português". Coube-me coordenar um debate, à porta fechada (e sob a "Chatham House rule", isto é, podendo revelar-se o que se tratou, mas não podendo atribuir-se nominalmente as ideias expressas), com quinze especialistas nacionais, oriundos de diversas áreas. Tratava-se de preparar um documento com perspetivas portuguesas sobre o futuro da Europa, para integrarem um exercício intitulado "New Pact for Europe", organizado por várias fundações europeias.
Não obstante a heterogeneidade dos intervenientes, foi muito interessante constatar uma larga convergência de perspetivas, quer no diagonóstico da situação que atravessamos, quer nalgumas das principais perspetivas para o futuro. Não vou aqui elaborar sobre isto, a montante da síntese que outros têm a seu cargo, mas devo dizer que fiquei impressionado pela maturidade e pragmatismo do que foi dito. Sente-se a existência de um pensamento português sobre a Europa, já muito longe da agenda "paroquial" que fez escola por muito tempo.
O segundo exercício foi bastante diferente. Tratava-se de uma intervenção, num "mano-a-mano" com José Manuel Félix-Ribeiro, sobre geopolítica global, no meu caso competindo-me falar sobre a evolução do quadro dos "global players" nas últimas décadas. A audiência eram estudantes estrangeiros, na grande maioria europeus, pelo que a "questão europeia" acabou por ser o centro do debate, por quase uma hora. Foi curioso perceber as suas diferentes prioridades e preocupações, mas todos com uma agenda muito pertinente.
A Europa mudou muito, desde os tempos em que me ocupava todos os dias. Faz-me bem "revisitá-la" nestas tarefas pontuais. Porque, qualquer que venha a ser o seu futuro, ele será sempre o nosso.
