Num dia, creio que de 1992, entrei no San Lorenzo, um restaurante italiano em Beauchamp Place, em Londres, para almoçar com um amigo inglês. Encontrei-o de pé, junto ao balcão do bar, logo na entrada, e comentei: "Bela escolha de restaurante! É aqui que a princesa Diana costuma vir".
Semanas antes, tinha vindo a público, na "popular press", que a mulher do príncipe Carlos era amiga da dona do restaurante, de que era regular frequentadora. Quase um ano depois, as más línguas, a começar pelo biógrafo Andrew Morton, espalharam que o restaurante servia a Diana como "eixo" para encontros extra-conjugais.
Semanas antes, tinha vindo a público, na "popular press", que a mulher do príncipe Carlos era amiga da dona do restaurante, de que era regular frequentadora. Quase um ano depois, as más línguas, a começar pelo biógrafo Andrew Morton, espalharam que o restaurante servia a Diana como "eixo" para encontros extra-conjugais.
O meu amigo não sabia nada disso. Mas, nem um minuto era passado, arregalou os olhos e disse: "Está a entrar a princesa Diana!". E era verdade. A senhora, como às vezes acontece, era mais bonita ao vivo do que em fotografias. Sentou-se com uma amiga numa mesa, connosco com o almoço positivamente perturbado pela coincidência.
Voltei a vê-la duas vezes mais. Numa receção em Buckingham Palace, quando sopesou a Cruz de Cristo que Duarte Ramalho Ortigão trazia ao pescoço (eu tinha outra igual, mas ela "escolheu" o Duarte, vá-se lá saber porquê) e perguntou ao embaixador Vaz Pereira porque não tinha também aquela bonita comenda, o que o levou a responder, com a habitual graça: "I'm working for it, Your Highness!". Depois, por último, no jantar que Mário Soares ofereceu à raínha Isabel II na nossa residência, em Belgrave Square, um dos escassos lugares estrangeiros em Londres onde a soberana se desloca e, muito provavelmente, a única manifestação que sobrevive da "Oldest Alliance".
Diana tinha um olhar suave e sedutor, que sempre comparei à trajetória de algumas bolas "puxadas" de ping-pong: descia e voltava a subir em direção ao interlocutor. Parecia frágil e, de facto, era.
Passam agora exatamente 19 anos sobre a sua morte, num acidente no túnel de Alma, em Paris, sobre o qual está uma escultura de uma chama dourada que, embora nada tendo a ver com o desastre da princesa, recolhe diariamente as flores de quem dela gostava. Hoje, deve estar cheia delas.
Aqui fica uma fotografia igual à que ela dedicou aos seus dois grandes amigos Maria Lúcia e Paulo Tarso Flecha de Lima, embaixadores brasileiros em Londres, que me recordo de ver então na sua residência.
