José António Saraiva contou em livro algumas conversas com políticos. Hoje, apetece-me contar uma conversa minha com Saraiva.
Um dia de 2002, o "Expresso" trouxe, na primeira página, uma versão falsa sobre uma questão que me dizia pessoalmente respeito. Com ela se pretendia "branquear" uma patifaria política que tinham acabado de me fazer na minha vida profissional.
Telefonei a José António Saraiva e dei-lhe conta, com pormenores, da verdade incontroversa dos factos. Saraiva disse-me ter sido o principal responsável pela notícia e, em especial, pelo seu título enganador. Pareceu-me ter percebido que havia sido enganado por quem o tinha informado: "Foi uma muito alta fonte do governo que me passou a informação dessa forma". Eu presumia. Na semana seguinte, o "Expresso" viria a corrigir o tiro.
Os governantes, às vezes, também mentiam a José António Saraiva. Contrariamente a ele, eu não guardo apontamentos de conversas, mas tenho boa memória.
Os governantes, às vezes, também mentiam a José António Saraiva. Contrariamente a ele, eu não guardo apontamentos de conversas, mas tenho boa memória.
