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terça-feira, setembro 22, 2015

Poesia no Cais

Ontem, no final do jantar numa tertúlia, uma amiga anunciou: "Vou ouvir poesia para o Cais do Sodré!". Tive um sobressalto, por um instante. O Cais do Sodré é hoje uma coisa radicalmente diferente da imagem que ainda me ocorre à imaginação quando alguém me fala em "Cais do Sodré". Por muitos e (talvez menos) bons anos, era um local pouco frequentável, exceto por marinheiros e "rufias", com um grau de insegurança muito elevado em certas ruas. No que me toca, as exceções eram por ali três: o "British Bar", o "Porto de Abrigo" (um clássico, que há muito se foi e tinha um arroz de pato "de truz") e o cacau da Ribeira. Nos anos 80, com o "Jamaica" a mudar, o bairro começou a "abrir" mas, verdadeiramente, só na última década é que se deu a grande e agradável mudança que hoje por ali se vive, com espaços muito simpáticos, ajudando a esta nova Lisboa onde cada vez mais apetece viver. Deve-se, com certeza, à idade o facto de eu manter ainda este mesmo reflexo quando se fala do Cais do Sodré (seria a mesma coisa se me falassem do Intendente.) No fundo, ouvir dizer a alguém, principalmente a uma senhora, que ia "ouvir poesia" para o Cais do Sodré provocou em mim a mesma reação que os habitantes do "Pátio das Cantigas" tiveram quando o "Evaristo" lhes anunciou que ia "de águas para o Cartaxo"... Mas também quem é que ainda se lembra disso?

Não têm que agradecer...

Espero que o PSD já tenha percebido de que deve rezar a todos os santinhos para que a vitória de Seguro seja esmagadora - e, por consequênci...