Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

segunda-feira, setembro 07, 2015

Está tudo doido?!


Com o representante da empresa que vai gerir o nosso condomínio, marquei hoje, para o meio-dia, a abertura de uma conta bancária, numa dependência da Caixa Geral de Depósitos. Ainda tive a tentação de combinar um almoço com um amigo para uma hora e tal depois, mas tive um pressentimento de que seria algo imprudente fazê-lo.

Era a terceira vez (!) que passávamos por aquela dependência da Caixa. Das duas anteriores, ou a ata da assembleia geral não estava explícita ou faltava um papel ou faltava uma assinatura ou não aceitavam uma fotocópia ou um outro pormenor qualquer ("Sabem? É o Banco de Portugal..."). Desta vez, a cara da "menina" pareceu-me ser outra. Cheirou-me "a esturro". Era outra! O espaço em que somos recebidos até nem é mau: guichezinhos com cadeiras, num "open space" disfarçado com tabiques de nova geração, a dar ares de tratamento personalizado ao "sr. Francisco" - já desisti de me irritar com esta designação de tasca de aldeia. Já quase só falta "musak" em fundo, para completar a "música" com que nos cobram as cada vez mais elevadas taxas, num oligopólio miserável a que a Autoridade da Concorrência fecha os olhos e a Deco não tem força para pôr termo.

As "meninas" são educadas, formatadas, só sabem mesmo aquilo que lhe dizem para saber, escudam-se nos "regulamentos", numa espécie de "need to know" que lhes facilita a vida, que as isenta de pensarem de forma prática, de terem a menor flexibilidade. "Eu bem gostava de poder ajudar, mas já sabem, é a lei!"). Vivem redomadas num "template" mental, que, lá no fundo, lhes deve ser cómodo. Trabalham por "objetivos" e nós ali estávamos, pela terceira vez - se o nosso "objetivo" fosse medido pelo tempo que temos perdido para abrir uma conta de condomínio estávamos irremediavelmente arrumados na nossa "promoção".

Como não há duas sem três, as coisas iam, uma vez mais, correr mal. Afinal, elementos que a "menina" anterior tinha dado por conhecidos e desnecessários de prova, da última vez que lá foramos, tornavam-se agora necessárias ("Sabe? São os regulamentos, não posso fazer nada..."). Os regulamentos devem ter mudado drasticamente desde 21 de agosto, quando interrompi férias para, infelizmente sem sucesso, visitar a outra "menina".

Dez minutos passados, não tendo a nova "menina" aceite que o AP no meu cartão da ADSE significava que eu estava aposentado (a minha aposentação é paga pela Caixa Geral de Aposentações, na Caixa Geral de Depósitos, isto é, que consta "lá na casa"), exigindo-me dados pessoais que a Caixa tem de mim há décadas (entrei como funcionário da Caixa em 1971, recebo lá a minha aposentação, numa conta criada, para mim, pelo meu pai, em 1965, há meio século!, também, por isso, que consta "lá na casa"), "passei-me": levantei-me, pedi à "menina" para fazer o obséquio de dizer ao gerente dela que era uma "imensa estupidez" tudo aquilo que me estavam a pedir, rasguei delicadamente, na frente dela, toda a papelada já meio preenchida, agradeci a atenção e rumei a outra dependência da Caixa Geral de Depósitos. Tudo acompanhado com o funcionário da empresa de administração de condomínios, tão siderado como eu. Podia ser que tivéssemos mais sorte, se mudássemos de "menina".

Ali, na nova dependência, de facto, as coisas foram um pouco mais simples, embora demorassem, mesmo assim, uma hora e tal. As "meninas" que nos atenderam, primeiro uma depois outra, a quem, num eficaz "preemptive strike" dei nota da fúria com que vinha, tiveram a sensatez de perceber o caráter ilógico de alguns dos anteriores pedidos. Nem por isso, porém, deixei de ter de preencher uma folhas imensas com espacinhos para maiúsculas, de repetir o meu mail por três vezes e o NIF e endereço sei lá quantas! Até me pediram a data do casamento (creio que foi a primeira vez, em toda a vida, que isso me aconteceu!). Vá lá que me dispensaram de uma certidão de nascimento narrativa completa...

Depois dessa montanha de papelada ter sido completada, assinei e rubriquei (sem ler, claro, porque tinha de ir almoçar, já eram duas e meia!) mais de uma dezena de folhas, fiquei com (mais) uma resma de códigos (para a caderneta, para o netbanco, sei lá para que mais) e, se tudo tiver corrido bem, lá teremos conseguido, eu e o paciente representante da empresa que gere o condomínio (com quem já passei tantas horas que quase já se tornou meu íntimo), abrir essa coisa, pelos vistos de grande magnitude formal, que é uma conta bancária para o nosso condomínio. Diga-se que somos três simples condóminos, e que a tarefa imensa de administração se resume a pagar a luz da escada, o elevador e a mulher-a-dias (será politicamente correto escrever isto?). Ah! A "menina", a quarta e última, espera-se, não deixou de nos avisar que a taxa bancária a aplicar será a mais elevada, porquanto o saldo da nossa conta será muito baixo. 

Será que sou eu que sou esquisito? Andam por aí uns fabianos a anunciar que se constitui uma "empresa na hora" e eu já perdi quase cinco horas, entre conversas com "meninas" várias em guichets a armar a modernos, com deslocações e custos de estacionamento, para abrir uma simpes conta bancária para um condomínio! Há uns anos, antes da vaga de meios informáticos, supostamente criados para nos facilitar a vida, em poucos minutos abria-se uma conta bancária. Agora é isto! Está tudo doido?!

Seguidores

Quem quiser receber os post publicados neste blogue basta inserir o seu email onde, em cima, figura a palavra "seguir".